Fenecendo envergonhados
6 May, 2010 by Pedro
Caíram mais uns prédios em Lisboa, desta vez casebres quase todos inabitados, escondidos numas escadinhas escondidas, na parte não mediatizada da cidade. Caíram, como cairão muitos mais antes do sismo, consequência inalterável dos anos de autismo do poder que insiste em ignorar as obrigações que lhe cabem na exigência do cumprimento da lei e na sua substituição dos proprietários relapsos.
“Não estão à espera que eu conheça todos os problemas, eu só actuo sob informação dos serviços ou perante queixas dos cidadãos”, pensará o vereador, sem o dizer. “Não estão à espera que nós conheçamos tudo, não com estes meios nem com esta organização, nós só actuamos depois de queixas das Juntas ou dos moradores”, dirão os funcionários municipais entre si. “Não estão à espera que nós façamos o papel dos técnicos, não temos nem verbas nem pessoal nem capacidade técnica para isso”, dirão os presidentes das Juntas, estes sim, publicamente. “Nós reclámamos, alertámos, abaixo-assinámos”, disseram ontem alguns moradores ao Público, como o dirão no futuro e disseram no passado outros moradores, outros movimentos, outras associações.
Eu também não estou à espera que, com este modo de funcionar, algo se resolva. Por isso gostaria que fosse para a frente a descentralização dos serviços, alargando a experiência dos Gabinetes Locais a toda a cidade, estabelecendo regras de funcionamento simbióticas com as Juntas de Freguesia (e não transferindo competências para as Juntas, como parece ser a intenção de António Costa).
Talvez assim se pudesse fazer algo por estas pré-ruínas.

Planta da cidade com a localização do local da derrocada (Google maps)

Os edifícios, antes do aluimento (Bing maps)

Depois do aluimento (Público, autoria Nuno Oliveira)



Realmente, conhecer melhor esta cidade, tão emaranhada e cheia de interstícios, muitos dos quais ‘invisíveis’ parece-me fundamental!
Caro Pedro
Muitas vezes esquecemos-nos que Lisboa é conhecida como a cidade das sete colinas. Não sendo sete existem e a cidade está construída em cima das ditas.
Curiosamente os mesmos que agora vêm dizer que já tinham avisado (porque há sempre alguém que avisa) são os mesmos que construíram as ditas casas onde não deviam e acima de tudo onde não podiam.
Situação semelhante esteve para acontecer na encosta do Bairro da Liberdade. Só não aconteceu porque a CML (essa entidade terrível) desalojou (e realojou noutros locais) mais de 50 famílias que viviam em autênticos pardieiros.
Muitas contra a vontade do próprios.
E se tivesse caído toda aquela encosta?
Estariam agora os "Pedros" deste nosso pais a clamar contra a inépcia da CML.
Sabe… neste nosso Portugal só se fala do que não se faz. Nunca se fala do que se fez.
Lisboa tem dezenas de situações idênticas á da Rua Damasceno Monteiro. O problema é que hoje não são problema mas amanhã podem ser e isso ninguém consegue controlar.
Manuel Ferreira
É verdade caro Manuel Ferreira, é por isso que não existe engenharia em Portugal e muito menos especialistas em geotecnia ou em estruturas – porque não existe ciência, nem tecnologia que saiba determinar os estados de conservação de edifícios e o grau de instabilidade de taludes ou encostas. É por isso que diz – e, decerto, muito bem! – que o que hoje está sólido, seguro, imutável ("não são problema") amanhã pode ser ruína, sem ninguém o conseguir controlar…
Mas… se não se pode controlar, o que a CML fez na encosta do Bairro da Liberdade foi adivinhação? Afinal impediu que casas tivessem aluído – assim demonstrando que, ao contrário do que diz "isso" se pode controlar – ou resolveu Helena Roseta brincar aos realojamentos. Repito: "isso" pode-se ou não controlar?
Não percebo nada da sua argumentação inicial. Por serem colinas, não se pode construir nelas? Desde quando? Só se pode construir em terreno plano? Porquê? É melhor construir em aterros – como junto à 24 de Julho – ou em leitos de cheia – como é o caso de parte dos realojamentos da Avenida de Ceuta – do que em encostas estabilizadas?
E onde andava a CML quando "aqueles", os "clandestinos" construiram onde não deviam? A comentar posts no Viver?
Finalmente, quero chamar-lhe a atenção para o facto deste "Pedro" neste post não estar a clamar contra a inépcia da CML (sendo "inépcia" palavra sua, presumo que se tratará de um acto falhado) antes a propor uma mudança de paradigma na gestão da cidade – em vez de serviços centralizados, gabinetes locais; em vez da transferência de competências para as Juntas, a aproximação dos serviços técnicos aos locais. Pensar global e resolver local, não sei se consegue perceber…?
E, para que conste, apoio, como sempre, as medidas proactivas da CML – e da qual é exemplo a situação que citou. As reactivas, grupo a que parece pertencer este seu comentário, é que não resolvem as questões de fundo. Só levantam poeira.
Boa noite.
Só uma curiosidade, o que vos move?????
São municipes com assento na assb. municipal, ou bem instalados na C.M.Lisboa????????
É que pelo o conteúdo das fotos,dá-me ideia que estão bem instalados/as na dita……
É que cheira-me a ambas as coisas desculpem qualquer coisinha
Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm