Estendais nos prédios – Lei ou bom senso?

29 July, 2009 by  

A discussão começou off-topic, aqui.

Num país de sol como Portugal, porque insistem alguns arquitectos em desenhar edifícios sem incluir soluções passivas de secagem de roupa?

Que custos económicos e ambientais tem secar a roupa numa máquina em vez de um estendal ao Sol e vento?

Que conforto oferece uma casa que obriga os seu habitantes a secar a roupa na cozinha ou na sala?

E a Lei, que proíbe a instalação de estendais por alterarem a fachada? Serve realmente as pessoas?

Comments

36 Responses to “Estendais nos prédios – Lei ou bom senso?”
  1. Tiago says:

    Pois, Luísa, isso eu percebo. Só que os tempos não estão compatíveis com decisões baseadas em critérios estéticos em detrimento dos ambientais e económicos. Ou se descobre como fazer a fusão do átomo a frio, sem resíduos radioactivos, e deixamos de ter problemas energéticos, ou vamos mesmo ter de passar a saber conviver de novo com o aspecto artesanal dos estendais.

    • JRUI says:

      Como pôde verificar Tiago, no local onde tirou as fotografias o aspecto já não é bom mas dirija-se às traseiras frente à escola e então encontrará plenamente o local da minha inspiração, que não é único
      Pode reparar que a regra, para além dos estendais colocados na fachada e que não são autorizados é aproveitar-se a estrutura da varanda, ou sejam os ferros e estender-se para o exterior a roupa que "refrescará" os transeuntes.
      Civilizado não é? Correcto não acha ? Nada a fazer pois claro.
      É um cartão de visita bastante elucidativo da acção da autoridade na Alta de Lisboa sem dúvida.
      Não aceito o seu posicionamento relativamente a este assunto e não deixa de constituir para mim forte motivo de admiração pela negativa que o possa aceitar nos moldes presentes.
      Por este andar deverá também aceitar-se o estacionamento proibido de viaturas em plena Alameda da Música?
      Claro que sim.
      Quanto a aprendermos a conviver de novo com o aspecto artesanal dos estendais, poderá eventualmente vir a ser assim mas duvido bastante, bastante mesmo, mas, "yes we can".

      • Tiago says:

        Rui,

        não se arme em troll nem me atribua afirmações que não fiz. Seja civilizado, por favor. Limite-se a discutir o assunto, sem resvalar para considerações avulsas que ficarão apenas consigo.

        Por uma última vez: não estou a fazer juizos estéticos sobre os estendais, ou a valorizá-los como baluarte das tradições lisboetas. Apenas acho que é um mal inferior aos consumos energéticos de uma máquina de secar roupa ou à incompetência dos arquitectos que não pensam em soluções sustentáveis.

        • JRUI says:

          Tiago seja moderado e aceite a opinião dos outros. Eu sei que lhe custa aceitar uma oposição mas terá de se habituar.
          Estou fora desta discussão.

          • Tiago says:

            Eu aceito, Rui. Não fui eu que escrevi "Não aceito o seu posicionamento relativamente a este assunto", pois não?

          • JRUI says:

            E não fui eu que escrevi isto "Quanto às roupas penduradas, não estou de acordo consigo. Nada mesmo."
            Portanto caro Tiago as nossas posições estão marcadas. O Tiago é a favor pelos motivos que aqui esclareceu e eu sou contra pelos idênticos motivos que esclareci e que se consubstanciam no obrigatório acatamento da lei que aqui não acontece.
            E isto é que é grave.
            Será mau termos num bairro dois tipos de Portugueses, os que respeitam e aceitam a lei e os outros que não respeitam nem aceitam a lei e que a esses curiosamente tudo parece ser permitido.
            Comportamentos correctos não acha?
            E isto é bom que aqui fique dito

          • Tiago says:

            Percebe a diferente entre concordar e aceitar, Rui? Eu não concordo consigo, mas aceito a sua opinião. Não vi isso do seu lado, pelo contrário. Inclusivamente chegou a inferir da minha posição, que notoriamente não percebeu ainda, outras opiniões que não proferi nem me imagino a proferir. Nem disse que me retirava da discussão, precisamente porque aceito que tenhamos opiniões diferentes e não vou deixar de lhe falar por isso.

          • Tiago says:

            Percebe a diferença entre concordar e aceitar, Rui? Eu não concordo consigo, mas aceito a sua opinião. Não vi isso do seu lado, pelo contrário. Inclusivamente chegou a inferir da minha posição, que notoriamente não percebeu ainda, outras opiniões que não proferi nem me imagino a proferir. Nem disse que me retirava da discussão, precisamente porque aceito que tenhamos opiniões diferentes e não vou deixar de lhe falar por isso.

          • JRUI says:

            Já percebi Tiago.
            Obrigado pela ajuda e compreensão.
            Retiro-me da discussão porque não há nada de novo que possa ser dito e não tenho por hábito perder tempo em assuntos esgotados.
            E agradeço o facto de não deixar de me falar. isso é que me surpreenderia e teria dificuldade em perceber, especialmente por não ( e aqui sim ) conseguir percebê-lo.

        • Lcrg says:

          Esta do troll tem muito que se lhe digo… principalmente vindo da parte de quem escreve este site!
          Não seremos todos uns troll's que vivem numa trollândia?

    • Pois Tiago, também tens razão. Há que fazer alguma coisa por este planeta. E a acção dos arquitectos tem enormes consequências, o que só aumenta a sua responsabilidade.
      Se projectarem estendais não só nos edifícios de realojamento mas também em todos os outros destinados a habitação evitam muita coisa: o desperdício em energia, o eventual desordenamento da fachada, os problemas entre vizinhos.

  2. O problema dos arquitectos é que é difícil que se farta projectar fachadas com estendais e conseguir que elas fiquem esteticamente agradáveis.
    E o tempo do quarteirão fechado, onde se estendia roupa nas traseiras, já lá vai…

  3. MrSteed says:

    Jovem Tiago, repito aqui o que te disse noutro local: varanda+estendal de plástico daqueles bem bacanas. Roupinha a secar pendurada em estendais é inestético e causa dramas épicos entre vizinhos por causa da lambisgóia que estende a roupa a pingar ou da mancha de lixívia.

  4. Sinceramente também não gosto de estendais mas estou com o Tiago, nos dias que correm "outros valores mais altos se levantam". Cabe aos arquitectos encontrar soluções que não passem pelas máquinas de secar roupa.

  5. Pedro Veiga says:

    Eu tenho que recorrer às varandas para estender roupa porque o espaço na cozinha é diminuto. Os meus vizinhos fazem o mesmo porque assim se poupa energia e aproveitamos um pouco mais do sol. Aliás, segundo a propaganda colocada na rua não é verdade que o sol é a nossa energia? Que se lixem os arquitectos!. Mais vale ter as cuecas a secar ao sol do que a conta da electricidade a disparar!

    • Não compreendo essa observação em relação aos arquitectos…

      Parece-me que todos temos, por um lado, o direito de não gostar de roupa pendurada nas fachadas; e, por outro, todos temos obrigação de contribuir para um futuro sustentável.

      Ora, se os arquitectos tiverem atenção a estas duas premissas quando projectam um edifício de habitação, teremos todos a ganhar com isso… e os arquitectos também (e quero dizer enquanto pessoas, não enquanto profissionais).

    • MrSteed says:

      tudo depende da qualidade da cueca.

    • Sara says:

      Concordo plenamente. Toda a "gente" virou Chiq de um momento para o outro e as contas sempre a aumentar, já para não falar de pessoas que não tem sequer dinheiro para a máquina de secar, para pagar as contas da luz. ou espaço.

  6. PedroCG says:

    Esta discussão é bizarra…

    Primeiro porque, face a todos os problemas da cidade, ao futuro negro que Lisboa enfrenta se não se tomarem medidas que invertam a situação, ao que está em causa nas eleições autárquicas que se avizinham, as pessoas optam por discutir um assunto de lana caprina. Fachadas desfeadas por roupa a secar quando há fachadas a cair na cidade? Arquitecturas reduzidas nas cozinhas quando pela cidade se multiplicam exemplos de arquitectura reduzida à assinatura do autor? Gastos energéticos das máquinas de secar quando as filas diárias dos autotobilistas que vivem na periferia e trabalham na cidade se alongam por quilómetros?

    Segundo porque, ao que me parece, as pessoas não foram obrigadas a comprar as casas que habitam nem as paredes têm tendência a encolher com o uso. As cozinhas já lá estavam, a falta de espaço para pendurar a roupa também. Vir a posteriori protestar pelas características do que se adquiriu…

    Terceiro, porque os arquitectos apenas vão até onde os programas e os clientes deixam. As cozinhas são diminutas porque o mercado valoriza salas grandes. Os espaços para secagem no interior não existem porque as áreas são escassas e porque o metro quadrado de espaço habitável se vende mais caro que o de espaço exterior ou equiparável. Quem é o mercado? Ora, todos nós que primeiro compramos e depois reflectimos no preço que estamos a pagar pelo que estamos a pagar.

    Todos somos livres de nos interessarmos por aquilo que nos mais toca e comentar o que mais nos interessa, mas acho deprimente – e indicador – que à maioria continue a interessar apenas o umbigo. Discutir os malefícios da roupa estendida do lado de fora está ao nível da discussão de mercearia dos hábitos libertários da menina Suzete ou da falta de limpeza da casa dos vizinhos do terceiro esquerdo: entretém os ociosos mentais e permite que o poder se perpetue em incompetências como acontece nesta cidade desde há muito.

    O Steed pôs o dedo na ferida quando sintetizou o problema ao grau de civismo de quem precisa de secar a roupa. Não passa disso: um problema de respeito pelos direitos do outro.

    Não preferiam discutir os méritos e deméritos da gestão da freguesia nos últimos 4 anos? Não preferiam definir a vossa ideia de cidade? Não preferiam traduzir por escrito o que esperam da próxima presidência da Câmara? Não preferiam questionar os candidatos?

    Não? Não?… Parece que não…

  7. Lcrg says:

    Isto é uma Treta, sinceramente! Nunca ninguém está bem! Já pensaram que a construção deste edifício em causa não foi pensado para PER? É que do outro lado da rua foi pensado para PER, há estendais e não é "agressivo ao olho". Parece-me que de facto há um problema de autoridade (seja ele qual for). A palavra autoridade invoca cenas fixes: não obedecer é uma delas! Está escrito no contrato de arrendamento da CML ao arrendatários de casas atribuídas pelo PER a proibição das roupitas estendidas. Agora… cumprir? Eu próprio estou tentado a fazer uma "marquise" na minha varanda. Vidro reflector, excelente poiso para a roupinha…
    que tal?
    'bora voltar às marquises?

    e já agora às hortas!! Sim sendo elas biológicas ficam mesmo a "matar" ao lado dos condomínios. Aproveito a oportunidade de lançar uma sugestão em tempo de crise: que tal um centro industrial que crie emprego (se não poluir, e seguindo o raciocínio dos leitores assíduos, não terá mal nehum… acho eu).

  8. Lcrg says:

    Sabem que mais?
    Sejam felizes neste vosso mundo e candidatem-se a Presidentes de alguma coisa ou então, como diz o outro: vão mas é trabalhar.

    (isto é um comentário trolliano!?)

  9. 3za says:

    Não sei porque é que alguns colegas arquitectos projectam edifícios sem estendais…
    Analisando a obra do projectista em questão eu diria que é de facto um hábito…!
    Ouvi em tempos na faculdade a seguinte frase de um professor "A boa Arquitectura aguenta com roupa estendida!"
    Moro nesse condomínio e tenho de secar a roupa na cozinha por não ter varanda.
    De facto somos um país com execlentes condições climatéricas para não necessitarmos de desperdiçar energia a secar roupa. Pena que alguns arquitectos não estejam sensibilizados para isso!
    Teresa

  10. Eu infelizmente vivo num predio da Alta de Lisboa no r/c ha 9 anos onde nem sequer um estendal a minha casa tem ,ja fui tantas vezes a Gebalis que ja nem tem conta, e a conversa e sempre a mesma , so com uma autorização do Arquitecto porque vai estragar a fachada do predio e ate la continuo a ter contas de 200 e tal euros porque sou obrigada a ter que que secar a roupa na maquina…

  11. Joana says:

    Com ou sem varanda devem usar estendal baixo, para que não se veja a roupa. Não acho bonito roupa pendurada numa varanda até ao vizinho de baixo ou uma corda amarrada de uma ponta à outra de uma varanda. A SUA CASA É A SUA IMAGEM. Um estendal não é assim tão caro e dura muito tempo. Acho deprimente ver apartamentos tapados de roupa.

  12. moradora says:

    Há muitos anos também achava.
    Acho bonito, até!
    Da minha sala de aula vejo um estendal através da porta. A pessoa que lá estende a roupa fá-lo com lógica. Há dias que são só gangas da maior para a mais pequena peça. Há dias que são toalhas e arranja-as de forma cromática.
    Será isto uma forma de arte urbana? Talvez!
    Uma coisa eu sei os panos de cozinha à janela humaniza o bairro!

  13. Carlão Brasil says:

    Não sei porque é que alguns colegas arquitectos projectam edifícios sem estendais… …é a ambição do lucro, já que o m2 quadrado esta cada vez mais caro. No Brasil onde moro, não tem estendal dessa forma, mas lugares junto a cozinha, chamada Area de Serviço, onde fica a máquina de lavar, maquina de secar ou estendal de teto ou de baixa altura dentro desse espaço limitado com raras exceções. Concordo com o comentário PedroCG.

    • Celeste Carvalho says:

      Acho horrivel a roupa estendida nas janelas. Tiram a estética do prédio.O que eu acho é os arquitectos não pensam no dia a dia das mulheres e não fazem nada que ajude. A cozinha tem uma janela, não é?, e deveria ter antes portas de vidro de correr, para separar uma área. Essa área tinha as máquinas e o estendal, tudo isto beneficiando com o ar da janela aberta para secar e não estando á vista para a rua. Também não incomoda quem trabalha na cozinha e as portas de vidro
      deixam entrar a luz. Na cozinha, os armários deviam ser pensados também. Além dos armários de arrumação de loiças, deveria haver um armário alto, para guardar vassoura, balde etc e mais uma despensa para guardar os mantimentos. Isto é o ideal. Fica bonito, muito bem pensado e digo isto com toda a convicçao porque tenho um filho que mora em Carnaxide e o apartamento dele é assim como descrevi. A cozinha já tinha mesa. Tudo a condizer, móveis brancos de boa qualidade. Todo o apartamento prima pelos desejos das mulheres, para as arrumações. Tem belissimos roupeiros, grandes e de qualidade. Comprei há pouco um T2 , caro, e não tem nada disto.Andava neste preciso momento a ver se encontrava a melhor forma para estender a roupa.
      Os construtores, aceitam tudo, querem é fazer dinheiro, mas fazer com bons materiais , não o fazem embora digam que sim.Desculpem o meu alongamento na escrita, mas sinto-me até revoltada. Boa noite a todos. Celeste

  14. Marcos says:

    Aqui tens um vídeo sobre como instalar estendal de tecto: http://www.youtube.com/watch?v=yk3S4evBtBo

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