Prédios que falam

24 May, 2011 by  

«Oh vizinho, ora bom dia! Como vai a saudinha?»

Vizinhos, tenho tido a impressão que a nossa hipermobilidade (até quando? olhó pico!) e as redes virtuais fazem com que faça tanto sentido ter amigos em Milão ou Barcelona como em Carnide, na Ajuda ou no meu prédio, em Telheiras. Em encontros de associações de bairro, em vez de termos um encontro de vizinhos do prédio, da rua, do quarteirão, muitas vezes parece ser quase tão provável encontrar o meu vizinho de cima como alguém da Alta, de Benfica ou da Amadora. Isto tem os seus quês bons, os seus quês menos bons.

Não é assim para todos, mas é facto que, para muitos de nós que vivem Lisboa, os vizinhos são incógnitas, caras talvez conhecidas, mas provavelmente desconhecidas. Uns são incógnitas diárias, outros são incógnitas completas, só aparecem aos meus olhos de semana-a-semana, de mês-a-mês…

E o tempo parece que escorre e não espera! Quando cruzo e ‘bomdio’ os meus vizinhos gostava de saber quem são. Talvez saber o nome, a profissão, o que gosta de fazer, se torceu pelo Benfica ou se se importa que ponha a bicicleta no prédio, quando chove. Perguntar se conhece as iniciativas que andamos a organizar por aqui pelo bairro e se gostava de participar, perguntar se já viu a peça de teatro do grupo daqui ou se me pode cuidar do gato naquele fim-de-semana que não vou ‘tar cá. E já agora ficar com o meu número, para se um dia a casa for assaltada, me poder dizer alguma coisa.


Há pessoal aqui por Lisboa que sente o mesmo e, pelo 3º ano, para celebrar o dia mundial do vizinho (27 de Maio) nos lança o desafio: pôr os prédios a falar. Propõem, basicamente, uma série de desafios dentro dos prédios e entre vizinhos, que são um quebra-gelo para quem quer fazer alguma coisa, para quem quer conhecer os vizinhos e não sabe bem como. E, claro, é divertido! Já está a decorrer nalguns prédios e normalmente acaba em convívio entre vizinhos, e muitas vezes isso tem-se estendido para além dos desafios, para além desta semana. E mesmo que não se estenda, dá sempre jeito descobrir em que andar mora a médica, o canalizador ou a senhora-de-idade-que-já-pouco-sai-de-casa-mas-que-é-sempre-simpática. Se nos estamos a preparar para uns meses/anos de chatice financeira, mais vale saber com quem podemos contar, especialmente daqueles que estão mesmo ao nosso lado.

Desafio aos que vivem Lisboa: pôr os prédios a falar.

Informações sobre a iniciativa Prédios que Falam, aqui e aqui.

Comments

2 Responses to “Prédios que falam”
  1. Margarida says:

    É isso mesmo. Com a facilidade de acesso, que a maioria tem, a amigos e familiares de outras partes da cidade, esquecemo-nos muitas vezes daqueles que estão na porta ao lado…
    É importante ficar atento e conhecer os vizinhos, seja por razões de segurança, prevenção ou pela simples vontade de espalhar alegria, respeito e confiança no lugar que partilhamos com os vizinhos.

    Quem tiver esta vontade de trazer boa vizinhança para o seu prédio e não souber como dar o primeiro passo, aconselho a que dê uma espreitadela a esta iniciativa dos Prédios Que Falam – Estou agora a fazer esta iniciativa no meu prédio e já recebi imensa simpatia e sorrisos!

  2. Joao Paulo Silva says:

    Pelo segundo ano consecutivo que o nosso prédio participa nesta iniciativa.
    O ano passado participaram 10 dos 22 condóminos residentes.
    Este ano participam 12, sendo que 3 são participante pela 1ª vez.
    A iniciativa está a decorrer com muita alegria e colaboração de todos.
    Hoje dia 26 de Maio vou estar presente no programa da "SIC" "Boa Tarde" da Conceição Lino a partir das 16H.
    A nossa semana termina no Sábado dia 28 de Maio com um almoço no parqueamento, onde estarão presentes não só os participantes como alguns convidados .
    Bom dia do Vizinho.:D

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