o passeio público
5 April, 2011 by José João Leiria
Date: 2011/4/4
Subject: caldeiras Avenida da Liberdade
To: José Sá Fernandes <jose.sa.fernandes@cm-lisboa.pt>
Caro senhor vereador José Sá Fernandes,
Há algum tempo que não tinha o prazer de subir e descer a Avenida da Liberdade (hábito diário de há meia dúzia de anos, quando trabalhei na Rua Rosa Araújo), e qual não é o meu espanto ao constatar (ainda? novamente?) que subsistem pelo menos 52 caldeiras sem árvores… (fotografias aqui, para que conste).

Perguntar-lhe-ia, assim: Quando foi a última vez que se plantaram árvores no Passeio Público da cidade?
É que pelo Google só fico a saber que em Fevereiro de 2005 foram abatidas 38 e plantadas 59, e que no final de 2007 ou início de 2008 terão sido plantadas outras 67. Não procurei muito mais, é certo — mas, parecendo ser esta uma actividade trienal, não deixo de estranhar que nos últimos meses não se tenha feito nada quanto ao assunto.
(Isto sem falar obviamente nas caldeiras a mal tempo calcetadas, muitas das quais sem razão descortinável, por não estarem em cima do metro, nem de parques de estacionamento, nem, nem, nem. Peço-lhe, acima de tudo, senhor vereador, que não mande calcetar mais caldeiras, a não ser que haja fortíssimas razões irresolúveis para isso, e que averigúe de preferência se não se poderiam reabrir umas quantas.)

Vejo no entanto que a montagem de quiosques (ou serão parques infantis?) da Fabrigimno não foi descurada. Eu questionaria o seu local de implantação, quebrando as alamedas abertas, mas podia de facto ser pior.
Talvez assim nos possamos refrescar de alguma forma, visto que há pelo menos seis anos que o único bebedouro público dos passeios da avenida, ali junto à Alexandre Herculano, está seco e seco ficou — eu compreendo, os vândalos que o destruíam eram bastante maçadores, mas talvez se os houvesse mais eles se cansassem. (O único, talvez não, havia outro cá em baixo nos Restauradores, tem graça, já nem dou por ele de emparedado que estava, é como lhe digo, devia haver mais.)
Isto é o mínimo dos mínimos, senhor vereador, já nem discuto a necessidade de marcar o atravessamento dos peões (nem são precisos semáforos, pronto) de uma placa central para a outra, ou de plantar uns arbustos para não serem 50.000 flores (eu tenho uma paranóia com os arbustos, há-de reparar), ou de ligar as cascatas, ou de proibir os popós que vão ao teatro em cima do passeio, ou de baixar a velocidade máxima permitida para 50 km/h (ah, não, espera, isso não seria baixar, talvez seja melhor 30), ou de, ou de, ou de.
Vai haver um plano qualquer, não é? Mas lembro-me de ter ouvido algures o conceito de acupunctura urbana, e apesar disso votei em si.
Grato pela atenção e por todo o seu trabalho,
José João Leiria



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