Enganaram-se no rio? Ou foi no barco?

3 April, 2011 by  

Quando cheguei ao Cais do Sodré eram 16h18. Corri para a entrada do ferry para Cacilhas visto que sabia que ia sair um às 16h20. Tinha de correr! Mas ouvi um senhor dizer: “Não sei para que é que as pessoas correm, se o barco ainda nem atracou!”. “Não?”- pensei eu. Mas de facto ainda não tinha atracado. Achei estranho pois os cacilheiros costumam ser muito pontuais e normalmente não se atrasam, a menos que as condições meteorológicas não sejam as melhores. Mas nem era o caso. Estava um dia bonito de Primavera. Quando passei as cancelas e olhei pelas enormes janelas vi o que se passava: era o Lisbonense. O novo e grande barco de que eu já tinha ouvido falar mas que ainda não tinha visto. Fez-me lembrar os barcos que fazem a travessia entre Espanha e Marrocos: na parte debaixo transporta veículos e nos restantes pisos passageiros.

Fiquei a olhar pela janelas o que se passava. Os antigos Cacilheiros fazem a travessia entre Cacilhas e o Cais do Sodré em 7 minutos e com o tempo que demoram a atracar podemos contar com mais ou menos uns 10 minutos de viagem. Quase todos os passageiros têm as suas viagens cronometradas: 10 minutos para a travessia e 5 minutos depois apanham o próximo transporte que os leva ao destino. Contudo, com o novo Cacilheiro o cronómetro pára e os atrasos começam. O barco tinha horário de partida para as 16h20. Quando conseguiu atracar já passava das 16h30 e consequentemente o horário não foi cumprido. Felizmente, não demorou tanto tempo a atracar em Cacilhas como em Lisboa!

O Lisbonense é o novo Cacilheiro (entrou ao serviço em Fevereiro de 2011) e efectua as travessias Cacilhas – Cais do Sodré. Este ferry é enorme e rápido. Tem 360 lugares bastante espaçosos, bar, casa-de-banho, televisões espalhadas por todo o compartimento de passageiros, elevadores… Tudo parece muito bem, contudo muitas destes equipamentos não funcionam. Começa logo pelos elevadores. Estão instalados junto das entradas (como se trata de um ferry, o piso debaixo destina-se apenas a veículos) mas estão desligados. Resta a todos os passageiros (mesmos os que têm mobilidade reduzida) subir os 18 degraus. Tudo o resto também se encontra “desligado”: o bar, as diversas televisões e até as casas-de-banho estão encerradas!

Achei estranho este acontecimento. Utilizo muitas vezes o Cacilheiro para fazer a travessia do rio e nunca tal coisa se tinha passado. Não o utilizo diariamente e os meus horários não coincidem com as horas de ponta. Contudo, imagino o desespero daqueles que querem chegar a horas e não conseguem por situações deste tipo. Claro que a frota da Transtejo deve ser melhorada ou pelo menos adaptada às novas realidades mas não me parece que esta seja a melhor forma… A aquisição do novo Cacilheiro não deveria ter tido em conta as características da travessia? Para que queremos um barco com tantas funcionalidades e equipamentos se nada funciona (provavelmente para reduzir os custos!)? Não estamos a fazer a travessia do Mediterrâneo mas sim do Tejo e na sua parte mais estreita…

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