Com paciência de Job
22 April, 2011 by Ana Barata
Passaram 7 meses desde estas notícias e está na hora de passar mais uma revista às tropas e de acompanhar o que mudou na Alta de Lisboa no entretanto.
Há coisas que não mudaram ou mudaram pouco…

As Casas do Parque, o empreendimento da Malha 6 junto ao Parque Oeste, continuam por concluir e a Av. David Mourão Ferreira continua a ter apenas uma faixa transitável. A fotografia é actual mas pouco difere daquela que publicámos há uns meses.
Ali pertinho, o quiosque do Parque Oeste continua sem dono, sem destino, e confesso que já perdi a conta aos concursos de adjudicação. O mesmo se passa com a cafetaria, junto ao grande lago do Parque. Um e outro, prontos e sem interessados.
A Av. Santos e Castro está no mesmo ponto. A Malha 5 (a do projecto do Arq. Tomás Taveira) e a Malha 17 (a do Arq. Carrilho da Graça) continuam à espera de melhores dias. Os escritórios, as empresas, os serviços ainda não planaram por aqui…
Mas há coisas boas, muito boas. Se não, vejam:

As placas de betão cartonado do Condomínio da Torre já foram removidas e foi feito o embasamento das fachadas de todos os edifícios, à excepção do bloco de realojamento. Rebocadas e pintadas, as paredes ficaram limpas, decentes, bonitas!
Tive um desgosto quando, alguns dias depois do trabalho terminado, avistei um tag grafitado numa delas… É um fenómeno que continua a ser revoltante mas, felizmente, já é menos comum por estas bandas.
O bloco de prédios que não foi intervencionado é de realojamento e está sob a gestão da Gebalis, ao contrário dos outros que foram comercializados pela SGAL. A empreitada de substituição das placas foi o culminar de um diferendo antigo entre o vendedor e os compradores que, durante anos, apontaram a má qualidade dos materiais de construção. Agora que tudo está com outro aspecto, pergunto-me se a Gebalis vai ficar indiferente ao arranjo e nada fará relativamente ao edificado que está sob a sua alçada… É que se os materiais eram maus ou inadequados nuns prédios, também o são nos prédios ao lado. Não será?

O Eixo Central avança. Sem correrias, mas avança.
O troço norte continua a ser o mais atrasado. Mesmo assim, foi finalmente aberto o acesso ao Eixo Norte-Sul junto à Porta Norte. São uns metros escassos de estrada, construídos há muito tempo e dos quais falámos aqui, mas que fazem toda a diferença para alguns moradores da Alta de Lisboa. É mais uma saída. Uma alternativa às filas de trânsito infindáveis para sair do Bairro nos piores dias.

Mas é o tramo Central, entre a Av. Krus Abecasis e a Av. Carlos Paredes, aquele que veste a camisola amarela. Tomou forma e quase que se confunde com o folheto publicitário da Alta.



Já tem fontes, árvores, arbustos, relva e flores. Tem candeeiros, estacionamento para bicicletas e bancos que convidam a ficar. Vi dois tipos de bancos, com design diferente, mas ambos com encosto. Gostei dos dois.

O tramo central do Eixo já foi alcatroado e já tem a sinalética do Daciano Costa. Está bonito e apetece!

No tramo sul do Eixo Central, o que ligará a Alta de Lisboa à 2ª Circular, tudo se vai compondo. A obra é grande e o ritmo é muito próprio, sim, mas Abril tem trazido novidades e também já se vêem passeios e candeeiros por aqui. Desviou-se o trânsito, desbastou-se terra e traçou-se o trajecto. Da Porta Sul é que não há notícia… O desenho continua a estar no segredo dos deuses e teremos de exercitar a virtude da paciência durante mais algum tempo. Afinal… falar de prazos para quê?

Mas nem só de Eixo Central vive a Alta e no acesso pelo Lumiar também há novidades. As instalações do Alberto Joaquim das Neves foram finalmente demolidas. Em litígio com a CML, este estaleiro e central de camionagem aguardava há muitos anos uma solução. Da sua demolição dependia a construção da rotunda de distribuição de trânsito da Alta, bem como a construção da sub-rede de drenagem de águas pluviais a norte do Colégio São João de Brito para evitar as frequentes inundações na zona. A expropriação foi aprovada há três anos, mas a execução do acordo tardava. O gaveto foi agora demolido e as obras avançam.

Nas imediações, também desapareceu o antigo “Castanheira de Moura”, mais um ícone do lugar. Outrora restaurante e cinema de referência, albergava nos últimos anos um armazém de mobiliário de uma entidade bancária. Recentemente, depois de vazio e desactivado, tornou-se num abrigo de toxicodependentes e constituía um motivo de denúncia da população. A zona foi finalmente limpa e isso é uma boa notícia.
Vou continuar a aguardar por mais.



Sempre gostei de posts positivos. Obrigada por este olhar!
Obrigado. Excelente trabalho!!!
Alguém sabe o que se passa com a Malha6 – Casas do Parque? Pelo que vejo (pois moro ao lado) o projecto está parado há meses… Era suposto as primeiras escrituras terem tido lugar em Julho, com uma segunda fase em Dezembro. Mas pelo que se vê, nada foi feito. Algumas notícias sobre esta matéria?
Estes empreendimentos devem fazer parte de um projecto científico que visa estudar a resistência do betão e do aço à acção dos agentes atmosféricos. Igualmente se estuda o tempo que será necessário para as casas semi-acabadas serem ocupadas por famílias carenciadas. Assim se mudará a página da Alta de Lisboa. Ainda se lembram das fantásticas frases publicitárias do estilo: "o segredo que Lisboa guardou para o fim" ou "tão perto e tão longe"?
E com o agravar da crise essa possibilidade é cada vez mais provável e depois, daqui a uns anos, não será possível fazer nada porque as casa estarão ocupadas.
Passei pelo stand da Alta de Lisboa, e não têm notícias para dar. Talvez para a semana tenham informações… Algo de muito estranho. Veremos no que isto dá. Não posso acreditar que o empreendimento fique ao abandono, à semelhança do que aconteceu com o Lisboa LX, que lá está, fantasmagórico e deserto.