Pequenas grandes coisas – O Buraco

10 March, 2011 by  

Há cerca de um mês que a Alta de Lisboa tem um buraco novo. Não é um buraco de uma obra que se inicia nem é o resultado de um inverno chuvoso. Este é um buraco diferente.

O dito mora na Rua José Cardoso Pires, entre a escola EB1 nº 34 e o Eixo Pedonal, à entrada do Parque Oeste e é um buraco de uma caixa de cabos eléctricos, telefónicos ou afins (?) que se encontra a descoberto.

A caixa está sem tampa e tem uma profundidade considerável. Encontra-se num local de passagem, onde todos os dias circulam centenas de moradores, na sua maioria crianças, no trajecto para a Escola e para o vizinho Centro Social da Musgueira. A esta situação acresce o facto de o local ter muito pouca iluminação nocturna, aumentando o risco de “cair no buraco” por distracção.

No dia 28 de Fevereiro alertei a Unidade de Projecto do Alto do Lumiar/CML (UPAL) para a situação de perigo iminente, pedindo que diligenciasse uma solução rápida para evitar desgostos maiores. A resposta não se fez esperar… nessa mesma tarde, o buraco foi cercado com baias e fitas da Polícia Municipal.

Valeu a pena incomodar-me, fazer as fotografias, enviar o email, fazer a minha parte, pensei. Afinal, os nossos olhos são também os olhos dos Serviços e o nosso alerta é a voz ou o lembrete para que eles funcionem. As baias eram um primeiro passo, provisório, o mais imediato, e, para minha satisfação, a resposta foi pronta.

Com as baias, veio também a promessa de apurar quem tinha a responsabilidade de proceder à reposição da tampa e aí é que a porca torce o rabo… O que aconteceu à tampa? Foi esquecida no meio de um trabalho? Partiu-se? Perdeu-se? Foi roubada e vendida por quem dela precisou? Quem está obrigado a reparar a situação? O dono da caixa, a Junta de Freguesia, a CML? Até quando teremos todos de esperar por uma solução definitiva e segura para os transeuntes?

Passaram duas semanas. O penso-rápido resistiu mas convém não abusar da sorte. Quem tapa o buraco?


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Comments

7 Responses to “Pequenas grandes coisas – O Buraco”
  1. Nany says:

    Um grande Bem Haja para Ana Barata.Deviam existir mais pessoas como a Senhora.Evitava alguns desgostos que nos deixam marcas para sempre,como foi o casa de eu ver crianças a morrerem afogadas num "lago" perto do Campo Pequeno,vi 4 crianças com vida pela manhãzinha, pela hora do almoço,dois já se tinham afogado e ainda vi o 3º a afogar sem nada poder fazer…Por muitos anos que viva, jamais esquecerei esta trágica imagem:( Felizmente ainda se conseguiu salvar 1 das crianças.Depois o Dr. João Soares veio para a TV dizer, que desconhecia a situação… Como podia? Se estávamos cansados de alertar a Câmara??? Era ele Presidente na época. Ainda hoje sinto raiva,o Sr.Dr. João Soares por certo nem remorsos sente,nem se lembra sequer,para quê? Não passavam de uns pobres 3 negrinhos:(

  2. maria says:

    parabens e obrigada,que todos nós fossemos assim

  3. Francisco Borges says:

    Na qualidade de responsavel pela execução das infra estruturas da Alta de Lisboa não deixo de ser sensível a este tipo de situações , que são realmente perigosas para quem se desloca na sua vizinhança .No entanto informo que esta caixa de infra estruturas de telecomunicações , como muitas outras que existem no território da SGAL , já é propriedade da Portugal Telecom que explora a Rede . Nós apenas executamos a infra estrutura e entregamos a mesma à P Telecom . Mais informo que nesta caixa foram já colocadas pelo menos por 5 vezes tampas novas que infelizmente e , este é o País que temos , são constantemente roubadas para vender na Sucata , que não as devia receber sem saber a sua origem . Enfim… havemos de lá chegar. De qualquer modo iremos mais uma vez recolocar novas tampas de madeira ( que não servem para vender na Sucata ) que como se podem ver na Foto já foram partidas e deitadas para o fundo da caixa , sendo que as novas terão o mesmo fim provavelmente . A solução para manter uma tampa metálica será colocar uma tampa nova e um Polícia de serviço

  4. moradora says:

    Eu sou mãe e professora na escola 34. Ficarei à espera do seu serviço que agradeço profundamente.
    Polícia não posso pagar, mas tentarei com a minha presença/passagem e sensibilização junto dos meninos/famílias reduzir o número de tampas a colocar.
    Contactarei a Portugal Telecom, também!

  5. Ana Barata says:

    Boa noite Engº Borges,

    Percebo muito bem o que diz. Houve tempos em que o Centro Social chegou a ficar incomunicável, sem telefone, por três vezes num mesmo mês. As caixas da PT eram sistematicamente violadas com o intuito de roubar, não só as tampas, mas também o fio de cobre dos próprios cabos telefónicos. O mesmo se passou, como sabe, relativamente a algumas caixas de esgotos e saneamento. Tudo é vendável para quem está desesperado e, como diz, há sempre quem compre. Os arredores da instituição passaram a estar cheios de buracos traiçoeiros, pondo em perigo todos os transeuntes, acidentais ou não. Por diversas vezes alertei para os riscos de uma situação como esta e assisti à instalação reiterada de cablagem que, logo no dia seguinte, era novamente vandalizada. Naquele caso, a solução da PT passou por chumbar as tampas das caixas ao chão.

    Não é a solução ideal nem a mais civilizada. Não deveria ser necessária, estamos de acordo. Mas o isolamento do local e a falta de urbanização da envolvente propiciam determinadas práticas que têm difícil solução.

    No caso presente, parece-me que a moradora está no bom caminho. Se os arruamentos estivessem feitos, se a zona estivesse mais iluminada, se fosse mais vivida e ocupada por todos… reduziríamos as probabilidades de isto voltar a acontecer. Na sensibilização/educação das pessoas está sempre tudo por fazer e é tarefa de todos nós.

    Também eu agradeço profundamente a sua disponibilidade para resolver, mais uma vez, um problema da Comunidade. As suas diligências trarão muita tranquilidade, tenho a certeza, e é muito bom sentir que estamos acompanhados na preocupação. Uma pequena grande coisa.

    Se me permite, no intuito de ajudar, atrevo-me a dar uma sugestão: a tampa de madeira não parece ser uma solução muito segura nem muito duradoura… Porque não pensar na colocação de um candeeiro de iluminação pública? A zona agradece, os moradores agradecem, e a tampa (de ferro) talvez resista um bocadinho mais…

    • Tiago says:

      Aproveitando também para agradecer a participação do Eng. Borges, pergunto porque não se opta pela colocação de uma tampa em betão. Não sei se é possível, mas tenho ideia de já ter visto tampas em betão, com um aro metálico, talvez noutro tipo de condutas. Seria provavelmente a solução mais duradoura.

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