A rua chama!

19 March, 2011 by  

Envolvemos escolas, cafés, amigos, a EPUL, as famílias, um ilusionista, uma contadora de histórias, os vizinhos e ainda uma tocadora de harpa. O que é certo é que, de repente, durante 2 dias inteiros, o jardim esteve em festa, tinha vida como nunca tinha tido e como nunca voltou a ter. Foi a única vez que vi um assador de castanhas no bairro, e também ping-pong. Por trás dumas árvores um grupo de crianças fazia yoga e no outro lado do jardim outro grupo arregalava os olhos com uma história fantástica e com o ilusionista! Os alunos de animação social (do bairro) faziam pinturas e balões com os mais pequenos. Ao mesmo tempo, os rapazes tentavam ser os mais rápidos no percurso com o carro telecomandado e derrubar as latas. Havia também badmington e até uma experiência de minigolf no relvado. Prémios à escolha, a maioria eram consumíveis no bairro, nos cafés, cabeleireiros, até na escola de condução. Pelo meio, chamavam-se as pessoas para um passinho de salsa, outro de capoeira e ainda de hip-hop. Chamámos Árvore dos Desejos a uma pequenita onde podíamos recortar folhas de papel e atar-lhe os nossos desejos. No topo do jardim, estendia-se a feira da tralha, aberta a quem quisesse, onde se vendia e trocava a tralha que se tem em casa, mesmo à espera deste momento. E de repente havia 2 concertos, a fechar a tarde. Para comer, beber e jogar trocavam-se € por ARTs, a moeda do festival. A colar tudo isto, uma enorme equipa de jovens, vizinhos, amigos. Estiveram +/- 500 pessoas por dia, pelo jardim. A colar tudo isto.
Foi das primeiras vezes na minha vida adulta que senti que temos poder para influenciar o que nos rodeia, e que “a rua é nossa, é de todos nós”.

Isto foi há três anos e meio; um grupo de jovens amigos, na altura com 18, 19 anos, estávamos provavelmente num café ou numa sala de alguém, e resolvemos organizar o I Festival de Telheiras. Era final de Setembro, e pensámos «porque não um magusto?». Tínhamos 1 mês e pouco. Lembro-me perfeitamente de estarmos na sala da minha namorada a fazer o plano do festival numa folha A4. Lançámo-nos nisto por brincadeira, mas no final tínhamos já 3 objectivos bem claros: chamar as pessoas para a rua, dar vida a um jardim tão bom, mas com tão pouca utilização (o “jardim do metro”), e juntar em rede várias instituições do bairro (comércio, escolas, empresas).

Da nossa ingenuidade máxima, lançámo-nos na organização de um festival sem orçamento. A certa altura percebemos que íamos precisar dalguns €, porque queríamos ter bandas no jardim a tocar e a empresa de som pedia-nos 600€ por uma tarde. E então lá organizámos o festival com um orçamento de 1000€, pedindo ajuda à Associação de Residentes de Telheiras (ART) e aos comerciantes e empresas do bairro.

Parte dos jovens que organizaram este festival, são hoje a direcção da ART. E está na calha mais um festival, o III. Ressuscitam-se os objectivos e as actividades, e chama-se as gentes para a rua! Sim! A entrada na rua é mesmo gratuita!!!

Enquanto se distribuíam panfletos e colavam cartazes pelo bairro, uma voz simpática dizia-nos «finalmente! no ano passado não houve festival!». Assim se constroem memórias de bairro?

No próximo fim-de-semana é na Alameda Roentgen, um espaço entre torres de 11 andares. E há quem diga que há um outro objectivo também: unir duas metades num bairro. [quais são, afinal, os limites dos nossos bairros? E isso influencia a nova divisão das freguesias?]

Comments

One Response to “A rua chama!”
  1. Filipe says:

    cartaz do festival, que já está a acontecer! : http://artelheiras.wordpress.com/2011/03/14/iii-f…

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