Prioridades da EMEL
22 September, 2010 by Carlos Moura-Carvalho

Há dias, foi noticiado que a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL) tinha apresentado um plano relativamente ao estacionamento em Lisboa. Tinha definido coroas com valores diferenciados para o valor das taxas de estacionamento. Ao ler o site da empresa, verifica-se que em relação à gestão do estacionamento, a EMEL definiu como principais prioridades até 2013:
- Construir 4 parques de estacionamento em estrutura (1 parque por ano) – 2.000 novos lugares: Investimento 16.000.000 €
- Construir 11 parques de estacionamento em superfície – 4.000 novos lugares: Investimento 2.578.000 €
- Renovação e Modernização de 1.050 parquímetros – Investimento 5.250.000 €
- Extensão da área de estacionamento gerida pela EMEL – 10.000 novos lugares
- Modernização e diversificação das formas de pagamento do estacionamento.
Nessas notícias, percebeu-se que a EMEL comparou o seu tarifário com os praticados em Sevilha, Madrid, Barcelona, Roma, Milão, Turim, Montreal, Paris, Londres, Copenhaga e Oslo e concluiu que os parques de estacionamento em Lisboa saem mais baratos no estacionamento de curta duração, mas são mais caros do que qualquer uma daquelas cidades a partir da terceira hora, mantendo-se esse cenário na quarta hora.
Ao contrário do que acontece nas cidades analisadas, Lisboa é a única em que o preço é o mesmo em toda a cidade, independentemente de ser uma zona central ou periférica. Uma realidade que a EMEL pretende, e bem, mudar, quando entrar em vigor o novo regime de estacionamento de duração limitada, que se encontra em consulta pública e ainda tem de ser aprovado pela Assembleia Municipal.
O novo regime estipula diferentes tarifas e limites de permanência consoante a zona da cidade em que se pretenda estacionar, prevendo que passe a haver três áreas distintas: no chamado eixo vermelho (onde estão três por cento dos lugares da cidade) será possível estacionar o carro apenas duas horas (em vez das quatro actuais) e os preços serão superiores aos actuais. Na coroa 1 (a interior, onde estão 35 por cento dos lugares) o preço será superior nas duas primeiras horas, igual na terceira e inferior na quarta. Finalmente na coroa 2 (a exterior, onde estão 62 por cento dos lugares) a primeira hora terá o mesmo custo de agora, mas a partir daí estacionar será mais barato.
Parece bem pensado, embora esqueça completamente, do que consegui apurar, a Alta de Lisboa, o que para mim, por razões diversas, me entristece.
Mas, o que me parece mais estranho ao ver a informação disponível no site e nos objectivos traçados pela empresa, é a ausência de uma estratégia consistente e insistente de combate ao estacionamento ilegal e desordenado. Mais do que mais receitas, seria importante melhor circulação na cidade. Mais qualidade de vida, menos poluição, menos caos. E a EMEL poderia contribuir para isso. Mais receitas, mais estacionamento é importante. Caça à multa para quem ultrapassa o limite dos parquímetros é importante. Zonas sem circulação de carros é importante. Mas não chega.
Em 2009, as carreiras da Carris tiveram de parar 1359 vezes por causa de carros mal estacionados em Lisboa. São mais de 4 paragens por dia, o que é um escândalo. Diminui tempos de circulação, aumenta a poluição, piora o serviço e a vida na cidade.
Gostaria de sentir preocupação da EMEL relativamente a este aspecto e sinceramente não sinto. Gostava que as prioridades da EMEL fossem outras, mas não são.



Não percebi, Carlos. O novo regime esquece a Alta de Lisboa, como? A Alta não está nas coroas? A Alta não vai estar sujeita a tarifas e limites?
Foi o que me pareceu do desenho que vi das coroas.
Este aspecto pode ser visto, naturalmente, de várias perspectivas. A mim, preocupa-me, porque para mim significa que é uma zona "esquecida", além de que, toda a zona consolidada do Parque Europa, da Quinta do Lambert, da Tóbis, do Lumiar, junto ao Centro Comercial do Lumiar, precisaria de organização, de disciplina, de ser gerida pela EMEL.
Uma visão mais simplista tenderá a ver esta situação como uma benece para a Alta, por não se pagar.
Não o entendo assim. Até porque se pode transformar numa zona de estacionamento para todos aqueles que entram em Lisboa e querem apanhar os transportes públicos, nomeadamente, o Metropolitano.
Mas posso estar enganado.
A mim não me deixa nada triste. Revela apenas que na Alta há estacionamento para todos, a toda a hora.
Se há vantagens em viver e trabalhar aqui, esta é uma delas.
Pela minha resposta à Ana, verificará que não penso assim.
Não me choca que por enquanto não se pague na Alta. Mas deviam prever a situação. Por outro lado, entristece-me seriamente ver que, apesar de tantos lugares vagos, há moradores que insistem em estacionar fora dos lugares definidos, em cima de passeios, dos poucos que ainda existem, e em 2ª e mesmo 3ª fila. Por isso mais vale eixgir o pagamento de estacionamento e fiscalizar.
Ok! Eu vivo e trabalho na zona da Alta onde toda a gente se porta bem e ainda há lugares para todos. Estacionem cá e passem por cá. Vão ver que vão adorar!
Eu também vivo na Alta e não vejo onde "é que todos se portam bem". Porque a situação é a descrita por LM, Perto de onde moro existem umas pequenas rotundas na saída das ruas d cesso às garagens, que estão sempre ocupadas por estacionamento indevido quando há lugares de estacionamento vagos na rua ao lado….É a falta de educação, infelizmente normal, dos condutores que assumem que o carro é para ficar à porta, seja em que situação for. E como a autoridade não se impõe….
Pois, é como vos digo! Conheçam a Alta produnda. A Alta que é mais Alta e vão ver que vão gostar!
Alta "profunda"? Pode me esclarecer melhor o que entende por? É que eu gosto muito da Alta, vivi e trabalhei na Alta de Lisboa, ou no Alto do Lumiar, durante uns anos e estou com alguma dificuldade em perceber o que quer dizer. E o que é que essa Alta tem a ver com a ausência de gestão do estacionamento.
Não tem nada. Apenas queria dizer que há ruas e espaços na Alta ou Alto em que há lugares para estacionar e raramente há veículos mal estacionados. Bem sei que isso parece estranho numa cidade em que o estacionamento precisa de uma séria intervenção ao nível da sua gestão, mas ainda há paraísos.
Também sei que gosta da Alta, e que viveu e trabalhou por cá. Tenho pena de eu ter chegado logo após a sua partida. Acho que juntos poderiamos desenvolver projetos interessantes.
O que infelizmente posso constatar como morador extremamente atento às mais variadas situações decorrentes deste novo bairro e, particularmente no que concerne aos estacionamentos abusivos, devo dizer que infelizmente partilho da opinião que existem muitos, mas mesmo muitos condutores que são moradores e que não respeitam ninguém e que pela forma abusiva e mal educada como estacionam os seus carros, mostram como estão na vida.
De facto é do mais comum que há ver-se um espaço destinado a 5 viaturas estar " densamente " ocupado por 3.
(continua…)
Serão os tempos modernos e aquele "ar" de "sou muito descontraído/a" ou será de facto uma incomodativa mal formação comummente apelidada de falta de educação?
Para mim e muito lamentávelmente que não tenho qualquer tipo de dúvida, trata-se de falta de educação e muita arrogância.
Sei também que estes episódios sómente podem ser possíveis devido à falta de vigilância das autoridades que poderiam aqui ter um efeito pedagógico antes de sancionar, mas isso é pedir muito.
Tem igualemente responsabilidade a CML que deveria preocupar-se em exercer acção pedagógica também, mas que não o faz igualmente, como nada tem feito pela Alta de Lisboa com este último presidente.
Quanto a acções pedagógicas, se toda a gente que comenta aqui desenvolvesse uma, bom seria lindo de ver!
No que concerne à CML, só espero que encolha até à quase extinção.
Em relação ao estacionamento abusivo, expliquem-me lá, onde vivem vocês? Não têm estacionanento nos vossos condomínios? Ou trabalham por cá!? Onde?!
Por mim dá muito jeito poder estacionar na Alta em zonas mais próximas do metro, sobrretudo quando tenho que vir para casa mais tarde ou quanto tenho que ir a um supermercado ao fim do dia. Infelizmente moro numa zona da Alta onde o acesso directo ao metro a pé é ainda uma ilusão e onde o supermercado mais próximo fica a uma distância incompatível com o transporte de compras a pé. A zona em questão é a Avenida Sérgio Vieira de Mello.
Por estas razões desejo longos anos sem "emelização" desta zona – que vai continuar por muitos anos como um simples dormitório dos arredores de uma grande cidade!
Eu considero mais uma aldeia dentro da cidade. Às vezes sabe bem!
Quanto à ligação pedonal ao Metro estou consigo. Mas esperançada na votação em massa nesse projecto.
No que diz respeito ao Supermercado ainda não percebi porque razão não há aqui nem lidl, nem pingo doce, nem modelo, nem nada! Embora, haja a D. Custódia, a D. Ana e a Srª do peixe que ainda não lhe aprendi o nome. E também há a Lena, e os frangos e a Farmácia, e os chás e a muy amada D. Rita.
Todas estas mulheres são tão boas como o melhor do Pingo Doce. Interessante serem só mulheres!