Wonderland

18 August, 2010 by  

O Water Cube de Pequim foi um dos locais mais espectaculares nos Jogos Olímpicos de 2008, pemanecendo na memória as 8 medalhas de ouro de Michael Phelps.

Passados dois anos, o espaço reabriu ao público como o maior parque aquático “indoor” da Ásia. É espectacular, ao melhor estilo americano, mas (ou e…) de ficar de olhos em bico. Afinal, cada cidade tem o parque aquático que merece…

Acontece que, ao que parece, a entrada custa 200 yuans (€22) para adultos e 160 (€17) para crianças, numa cidade em que o salário mínimo é de 960 yuans (€ 107), por mês. Ou seja, o parque destina-se, sobretudo, a turistas e não a locais.

O que me leva a perguntar, que regime político-económico existe hoje na China? Que regime é este que mantém os princípios do comunismo assentes numa igualização social e num acesso não descriminatório a bens e serviços considerados essenciais, e que toma uma opção como esta de um grande parque temático para turistas?

O mote para estas dúvidas será, eventualmente, simplista e os dados disponiveís, escassos. Até porque poderá haver outros parques aquáticos de grande qualidade em Pequim, onde os locais possam ter acesso com facilidade. Mas porque razão se optou por um tão majestoso destinado sobretudo a turistas?

A resposta só pode ser: por razões financeiras. Porque o investimento feito foi gigantesco (mais de 40 milhões de euros) e importa atrair e recuperar dinheiro. É mais um exemplo da política de atracção de capital, de grande capital. Para mim, é uma opção discutível, que não compreendo. Pois creio que haveria coisas mais importantes e que melhor justificassem um investimento de tantos milhões.

A China é para mim um mistério e uma atracção. Tenho uma enorme curiosidade, uma expectativa imensa relativamente à sua capacidade de crescimento a vários níveis e uma vontade quase infinita de saber mais sobre a sua forma de viver. Profissionalmente, contactei ao logo dos anos com muitos cidadãos chineses e sempre admirei a sua capacidade de trabalho, forma de trabalhar e consistência negocial. Mas sempre me intrigou a sua resignação relativamente a vários aspectos da vida e, nomeadamente, à manutenção no poder do Partido Comunista Chinês. A resignação é sempre algo com que lido mal.

Aqui há uns anos, um amigo, estudioso profundo das matérias políticas, regressado de uma visita profissional à República Popular da China, destacava-me o modelo político curioso que tinha encontrado e enumerava as, que em seu entender, seriam as vantagens do mesmo. Que havia eleições locais, que o regime caminhava para uma democratização, havendo sinais que se estava perante um sistema sui generis, misto, bastante positivo e que devia ser visto com atenção. Esse sistema misto assentava numa cada vez maior democratização a nível local, através da adopção de eleições locais e na manutenção de um regime “mais” autoritário a nível central, em que as grandes decisões continuavam a ser do Partido Comunista Chinês, sem significativa participação dos cidadãos.

Estranhei na altura a bondade que me era descrita, como estranharia ainda hoje se a conversa fosse agora, mas resignei-me, pois a convicção do meu interlocutor era forte, a matéria relacionava-se com a sua área profissional e o meu conhecimento em concreto sobre a mesma, escasso. E pensei que a ideia generalizada que tinha formulada podia ser baseada na distorção informativa das agências internacionais que intoxicam o nosso mundo ocidental.
Não voltámos a falar em concreto sobre o tema e por isso desconheço se a sua ideia sobre as virtudes do sistema politico e económico da China mudaram, mas o que sei é que o sistema que se vive actualmente na China (e nalguns aspectos semelhantes em Angola) é perverso. É um mix entre comunismo teórico e capitalismo prático. Entre ideais alegadamente puristas e de valores meritórios e uma busca desenfreada do lucro através da aposta em mega projectos e na captação de grandes investimentos estrangeiros impondo regras leoninas. Por um lado, pensa-se em criar uma moeda “super soberana” para o mundo e, por outro, joga-se as regras do livre mercado.

Para quê e para quem? Para ser aplicado em melhores escolas, num sistema de saúde eficaz para todos os cidadãos, num sistema de reformas seguro, em bons e variados equipamentos culturais? Na construção de um sistema de justiça que dê garantias aos cidadão? Ou perguntando de uma forma, o enorme crescimento económico e financeiro que se vive na última década no Oriente e em particular na China, que tem impusionado uma mudança gigantesca no mundo inteiro, tem como principal mote e razão de ser a melhorar ia da vida dos cidadãos locais ?
As respostas a estas dúvidas só podem ser afirmativas. A explicação para estas opções, que o poder político chinês tem vindo a adoptar, só podem visar a melhoria do bem comum criando um sistema social mais justo, equilibrado e válido.

As dúvidas e perplexidades que pessoalmente ainda tenho perante o que se vive na China (como em muitos outros locais) devem-se, seguramente, a desconhecimento e a uma escassa e distorcida informação.

foto via World Architecture

Comments

3 Responses to “Wonderland”
  1. sara says:

    ainda sou eu a sara diga-me também o seu número de telemóvel.

  2. sara says:

    ola eu só de olhar para a foto fico morta para ir ai mas só queria saber quanto custa de dinheiro para meninas de 9 anos como eu se quiser responder responda mas diga-me? vá la vá la diga eu estou morta para ir. Só há um problema eu não sei a passe para ir aquele sitio das mensagens.

  3. moradora says:

    Sara é muito longe e só dá para ir de avião!

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