Posso passar?
30 June, 2010 by Ana Estevens
Posso passar?
Esta é a pergunta que faço muitas vezes a condutores que estacionam os seus veículos em cima de passeios e passadeiras. Por falta de civismo ou meramente por descuido são muitos os automobilistas que bloqueiam passeios, portas, janelas ou passadeiras impedindo quem deseja passar. Preocupam-me, principalmente, os idosos, as pessoas com mobilidade reduzida, os invisuais e as pessoas com carrinhos de bebé que têm maior dificuldade em movimentar-se. Mas não temos todos o direito a passar?
Um destes dias, enquanto descia uma rua estreita que liga a Praça da Alegria à Avenida da Liberdade com uns amigos, deparei-me com uma situação caricata. Íamos os quatro a caminhar no meio da estrada (porque o passeio, já de si estreito, tinha carros estacionados em cima) quando um táxi passa rapidamente por nós e bate com um dos espelhos laterais no braço de um dos meus amigos. Como se isto não bastasse, ainda nos começou a ralhar por andarmos na estrada. Ao mesmo tempo, perguntava-nos porque é que andávamos no meio da estrada se tínhamos passeios. Se os passeios não estivessem ocupados por carros, teríamos passeios! Depois de lhe explicarmos o que estava à vista de todos, lá nos deu razão e pediu desculpa.
A falta de estacionamento ou o mau ordenamento deste são uma evidência por toda a cidade. Todos os dias nos deparamos com estas situações. As pessoas caminham na estrada enquanto os carros estão indevidamente estacionados no passeio. Esta questão tem sido debatida frequentemente, mas as soluções escasseiam.
Não sei qual é a melhor solução. Não sei se são silos, se é o estacionamento subterrâneo, se é o condicionamento ou a total proibição de circulação. Tenho muitas dúvidas em relação a qual seja a melhor solução. No entanto, não duvido que as pessoas têm o direito a caminhar na sua cidade e a usufruir do espaço público que lhes pertence, e fico indignada quando me deparo com situações ainda mais caricatas do que a relatei em cima.
Numa porta de uma casa na Mouraria está colado um papel que diz o seguinte: “Aqui mora gente neste prédio, pelo que se agradece o civismo de ao estacionar o veículo…NÃO TAPAREM A PORTA”.

É nesta cidade que queremos viver, onde é necessário pedir licença para se sair de casa?



Muito pertinente.
E ainda há condutores que levam a mal se os chamamos à atenção.
E ficam ofendidos, como se não estivessem a fazer nada de mal!
Como ferramenta de indignação utilizem os autocolantes do Passeio Livre!
Peçam-nos para o email ou visitem o blog onde podem imprimir os autocolantes a serem usados nas situações descritas.
Boas colagens!
É bem verdade! No passado fim-de-semana fui com um carrinho de bebé desde a feira da ladra ao clube dos ferroviários e foi uma aventura. Os passeios já são estreitos e, para além dos carros que ocupam o espaço destinado aos peões, há outro tipo de obstáculos como paragens de autocarro que ocupam o passeio todo, postes de sinalização estrategicamente colocados mesmo no centro dos passeios, contentores de lixo, e muitos buracos que obrigam quem circula a pé por Lisboa a fazê-lo pela estrada…