O Voto não é um Cheque em Branco
28 June, 2010 by Pedro

(Alinhei estas ideias há uns dias. O post de hoje da Ana Barata foi um bom incentivo para a sua publicação. Parece-me que pode ser uma das respostas possíveis)
“Pode ser o princípio de um novo buzinão”, comentam os media deste modo as declarações de Rui Rio da semana passada quanto à “discriminação” que a introdução do pagamento das SCUT no Norte provocou (entretanto, como o mundo evolui de um dia para o outro, também as SCUT passarão a ser todas pagas – ainda que não por todos – pelo menos até à próxima evolução).
Este “descontentamento desencantado” parece-me mais ligado à descoberta de que o “Poder-Pai” tem defeitos do que ao ultraje de se passar a pagar portagem numa auto-estrada.
Desde há muito que nos habituaram, enquanto povo, a confiar ao poder a tarefa de tomar conta da nossa vida. À Igreja, ao Rei, à República, a Salazar, ao MFA, à democracia…
Não sei se é pelo facto de a nossa sociedade ser marcadamente matriarcal que o Estado se tornou maternalista. E é -o tanto por opção – porque é mais fácil exercer o poder ordenando do que orientando – como por imposição – é tão mais fácil ter um povo cooperante quando “eles” se encarregam de tratar dos problemas.
A culpa desta crise é do Sócrates, do Barroso, do Guterres, do Cavaco, do Soares, do Balsemão, do Carneiro, do Eanes, do Soares? Disparate.
A culpa de Lisboa ir lentamente fenecendo, tristemente apodrecendo, inconscientemente esvaziando-se, é do Costa, do Rodrigues, do Lopes, do Sampaio, do Abecasis, do Machado? Disparate.
A responsabilidade é toda nossa.
Porque julgamos que o nosso dever cívico se esgota com a aposição de uma cruz de quatro em quatro anos; porque pensamos que a prestação mensal de impostos é suficiente para pagar a nossa ausência de exigência; porque achamos que a nossa falta de preparação técnica, de conhecimentos, de visão, justifica a nossa inércia, o nosso silêncio, a nossa falta de iniciativa.
A um forasteiro acabado de chegar a uma cidade, deparou-se-lhe um cão que, sentado, não parava de uivar. Ao inquirir um passante sobre a estado do canídeo, foi-lhe respondido que o mesmo estava sentado em cima de um prego. “Então porque não se levanta ele?”, contestou. “Porque lhe dói o suficiente para uivar, mas não o suficiente para se levantar”
Todos nós, lisboetas, somos um cão sentado a uivar.



Nem mais, Pedro!
Eu então não me revejo no teor do post, embore concorde com o seu título!
Acho que a culpa é mesmo muita de quem governa e acho que "desculpabilizar" ou "co-responsabilizar" não é caminho. Principalmente atendendo ao estado de desresponsabilização que grassa ao mais alto nível da administração pública.
Claro que todos somos "culpados" mas só se for de nascer num determinado sítio e a determinada hora e com determinados pais; a partir daí (ou quando muito 16 ou 18 anos mais tarde) somos "condenados á liberdade".
As nossas opções, se as podermos tomar em total consciência e liberdade, são as nossas.
E as de quem nos quer governar também.
Numa democracia, não se obriga ninguém a governar, as pessoas fazem-no porque se candidatam a isso.
Essas pessoas decidem que o querem, apresentam o seu programa e depois esperam o resultado.
Votamos na pessoa e no programa, com mais ou menos conhecimento, convição ou simpatia.
Mas votamos porque alguém se propôs e porque sabe que um cargo eleito é de elevada responsabilidade e dificuldade.
E que deve trabalhar para tal porque assim se ofereceu a todos nós. Se não tiver capacidade para tal nem deve concorrer!
Acredito na dignificação dos cargos públicos e de quem os exerce.
Acredito na assunção de responsabilidades que os mesmos implicam por parte de quem se propôs exercê-los.
Acredito que o cão uive, mas não sei as razões. Sei que alguém lhe deve ajudar a tirar o prego se ele não o conseguir fazer sózinho. E se ainda por cima for pago por todos nós para isso!
Eu acho que não percebeste nada do post Jorge, porque o que tu defendes é o que lá está implícito: eu não anulo nem desculpabilizo a incompetência de quem nos governa antes nos aponto o dedo por o aceitarmos. Culpabilizo-nos por sermos indulgentes com essa incompetência, culpabilizo-nos por nos demitirmos da verificação do cumprimento dos programas votados, culpabilizo-nos por desistirmos de sermos exigentes com quem se oferece para nos governar mas – e principalmente – connosco que continuamos à espera que o "outro" nos venha tirar o prego.
Lamento concordar com o Pedro. Seria muito bom se isto fosse apenas pessimismo, mas não é. Quando até os cidadãos mais activos se protegem de hipotéticas represálias do poder eleito, não lhe exigindo, não alertando, não se solidarizando com as causas de outros, o que esperar mais? Apenas pelo folclore, o beberete, as palmadinhas nas costas e o egoísmo.
Ainda bem que lá estava implícito e que um esclarecimento ajudou. É importante a construção da cidadania participativa, sem desresponsabilizações nem ausências, dando liberdade para que cada um a construa da forma que ache mais adequada.
como é possivel fazer seja o que for?pergunto ao policia ao pe do pingo doce porque multa aqueles carros e nao multa os carros estacionados em 2ª mao em frente ao colegio privado,e ele respondeme que todos os pais teem autorizaçao de estacionar ate em 3ª fila se quiserem para poderem ir deixar os seus filhos,mesmo que atrapalhem o transito de tal maneira que se demore mais que o dobro do tempo ate conseguirmos chegar ao campo grande, perante isto o que fazer??por muito que se diga ou se faça quem tem dinheiro ou mesmo ate so influencia,tem direito a tudo,
Acção individual e associativa. Exposições ao presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, intervenções na Assembleia de Freguesia no Lumiar (os fregueses podem pré-inscrever-se e intervir nas, infelizmente muito espaçadas – ontem foi a segunda do ano -, reuniões da Assembleia). Participação nas associações locais de base – associação de moradores, por exemplo. Criar um movimento pelo respeito pelas regras de trânsito, associar-se à ACA-M (Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados). Pequenas sugestões…
Um outra pequena sugestão – esta mais operacional – para não ser multado junto ao Pingo Doce e dar outro aspecto à rua, que é uma vergonha – não tenho visto a polícia a actuar – é estacionar no parque da SGAL, por baixo do supermercado. É DE BORLA PARA QUEM COMPRAR MAIS DO QUE 5 EUROS E SÃO 5 PISOS DE ESTACIONAMENTO – SEMPRE VAZIOS.
Nem mais!
sim existem esses estacionamentos por baixo do pingo doce sr.luis,mas como eu moro perto nunca coloco la o carro,vou sempre a pé,por isso nao conheço,e nao acho nada mal multar quem ali estaciona,o que acho muito mal é nao multarem quem pejudica e muito o transito a partir das 8h da manha,um percurso de 10 minutos,passa para 40 minutos,e em muito por culpa de se virar na esquadra e termos das 2 faixas uma completamente ocupada e ainda por cima termos que ter mais do que o dobro do cuidado para nao aleijar ninguem,pois ainda por cima saiem pelo lado da estrada e nao pelo lado do paseio,quanto á policia nao atuar,nao é verdade,vejo la imensas vezes os agentes de bloco na mao,uma das vezes era um audi preto com lugares vagos em frente ao pingo doce e mesmo assim colocou na estrada
Boa noite, então a bucha que eu meti a propósito do estacionamentro desgovernado frente a essa superfície comercial não é para si. Contudo, uma situação não desculpabiliza a outra. Ambas deviam ser seriamente sancionadas e evitadas. O estabelecimento de ensino devia dar condições para que a "descarga " dos pupilos fosse feita no seu interior, libertando a rua. Parece-me até, que com a nova via em construção, existe um desvio que entra pelo portão lateral. Vamos ver se servirá para isso. Mas pela quantidade de desinformados que observo nessa rua, nunca é de mais alertar: o estacionamento no Pingo Doce é de borla para compras superiores a 5 euros.
e agora com as ferias de escola,é uma maravilha,levo 15 minutos ate chegar ao campo grande,as vezes menos, todos os dias faço este percurso e realmente a diferença é enorme,mesmo com o transito que se vai apanhando,