Post de quem está cansado de ver o seu país e a sua cidade mal geridos e cada um a pensar na sua vida
25 May, 2010 by Carlos Moura-Carvalho

A dimensão extrema do descalabro das nossas finanças públicas torna inadiável a tarefa de salvar o Estado e o regime democrático.
Não há outro caminho que não o de repor no Estado uma noção mínima de responsabilidade e respeito pelo dinheiro dos cidadãos. Para isso é necessário subir impostos e cortar nas regalias adquiridas do sector público. Continuar a defender que os gastos com a educação, a saúde e a segurança social – sem paralelo em termos europeus – continuem imutáveis ou que os funcionários públicos se possam reformar ao fim de 36 anos de trabalho, ao mesmo tempo que aumentam a sua esperança de vida e os gastos públicos com a sua saúde e as suas pensões, não é teimosia ideológica é inconsciência.
A segunda coisa que nunca será de mais dizer é que o estado do país revela a que ponto temos sido governados nos últimos anos. Mal, muito mal. Não vale a pena arranjar desculpas. A crise internacional complicou, agravou, mas as políticas estão erradas há muito.
Basta ver, o que na Grâ-Bretanha, o novo governo se prepara para fazer e que será apresentado hoje, para perceber como se faz. É possível fazer muito melhor.
O Ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, anunciou planos para cortes de 6,2 bilhões de libras em gastos públicos, dizendo que é necessário “uma acção urgente” para conter o déficit público do país.
Entre as medidas anunciadas, há um congelamento na contratação de novos servidores públicos e cortes de benefícios sociais.
Segundo Osborne, 500 milhões de libras desses cortes serão reinvestidos em programas de educação para adultos e para habitações populares.
Os cortes anunciados têm o objectivo enviar uma “onda de choque” para todos os departamentos do governo e desestimular o desperdício.
“Os anos de abundância no sector público acabaram, mas quanto mais assertivamente agirmos, mais rapidamente e mais fortes atravessaremos este período duro”, afirmou George Osborne.
Sobre as medidas que Sócrates com o beneplácito de Passos Coelho foi obrigado agora a aplicar, elas deixam um sentimento misto: é bom que haja medidas, mas fica a sensação de que algumas são boas, outras apenas simbólicas, outras talvez contraproducentes e, outras ainda, não são sequer medidas, pois estão ausentes.
Com efeito, não há nada de muito importante (a não ser que não tenha visto bem) sobre a persistência injustificável dos benefícios fiscais de que goza a banca e o sector financeiro, não se foi além de uma vaga referência à revisão geral e total dos milhares de subsídios que o Estado mantém em vigor, na maioria dos casos, por simples inércia.
Entre as medidas lógicas têm particular importância financeira as que se reportam à revisão das regalias dos funcionários públicos. Digam o que disserem os sindicatos, a situação era indefensável. Era urgente mudar, corrigir.
Quanto às medidas contraproducentes anunciadas por Sócrates, elas são em meu entender as que implicam aumento de impostos. Este aumento atinge sobretudo a classe média e os quadros por conta própria ou por conta de outrem que, juntando ao IRS a segurança social, o IMI, as taxas municipais e os impostos indirectos, chegam à conclusão de que 60 por cento do que ganham com o seu trabalho acaba a financiar a má administração pública. É sempre o mesmo.
Portugal na última década regrediu em quase tudo — na educação, na economia, nas finanças públicas, na criação de emprego, na agricultura, na defesa do ambiente, na gestão do território, na qualidade da democracia e na justiça. Lisboa, a capital do país, definha há muito sem planeamento, sem uma visão cultural, sem uma preocupação real com os cidadãos, sem estratégia, sem coragem, sem visão.
Mas, sobretudo, houve uma desvalorização preocupante dos valores. Cada vez se vê mais ligeireza nos valores, mais temas “modernos” que adoçam a suposta igualdade tão ao gosto de facções esquerdistas do eleitorado (casamento gay, desnecessidade do casamento como forma de constituir família, suposta participação dos cidadãos na tomada de uma parcela ínfima das decisões políticas), mas que enfraquecem a competitividade, o relacionamento entre as pessoas, o respeito e que desviam as atenções dos grandes problemas do país.
Cada vez se vê menos coragem, menos reconhecimento, menos gratidão, menos sentido cívico, menos apoío aos audazes. E isso é, em última instãncia culpa do Estado e do exemplo que dá, mas sobretudo culpa nossa. De nós todos, que preferimos o comodismo à iniciativa, o calculismo à decisão, a dúvida à certeza, o colectivismo à coragem, o compliquex ao simplex.
E isso tornou-se fatal. Há muito… Mas há muitos que ainda não o perceberam. E para tantos já é demasiado tarde.



Concordo com tudo o que escreveu!
Bom acordar e perceber que algumas pessoas escrevem aquilo que pen so!
Concordo com o Carlos Moura Carvalho, “Descer o défice com subida dos impostos não é sustentável” – Jean-Philippe Cotis, antigo economista-chefe da OCDE, diz em entrevista que a prioridade tem de ser cortar as despesas. Portugal deve avançar já com o corte na despesa pública e acelerar a consolidação orçamental.
Acima de tudo o aumento de impostos não é sustentável com a actual divida publica e com a despesa publica actual.
O problema de Portugal para mim é só um: corrupção e má gestão dos dinheiros públicos.
Vejamos um exemplo grosseiro dos interesses nas grandes obras como o TGV ou a terçeira ponte sobre o Tejo, que apesar da situação actual e do esforço a pedir aos Portugueses o Governo não abdica dessas obras que irão endividar mais o País e o tornar ingovernavel num futuro próximo.
É de escusar falar do tão vitimizado Socrates que sempre que sai um caso de corrupção ve o seu nome associado; não revejo o problema de portugal num politico que dá a cara, mas em toda a classe politica que cada vez afunda mais o País, neste momento qualquer quadrante politico não se vê pessoas capazes e lideres no bom sentido, com espirito de cidadania, dignidade politica e moral, ao inves ve-se politicos que são melhores que os outros, mas que continuam a ser muito mediocres.
"O melhor dos mediocres é mediocre na mesma", não se vê em nenhum partido ninguem digno de ocupar funções de estado, ou acaso estarei a ver bem??? a história da politica recente confirma !
Cada um pode e deve fazer a diferença.
Porque não comer no seu prédio, no seu Bairro, apoiando e participando as entidades locais?