Making Ideas Happen

Depois de ler as respostas do Senhor Vice-Presidente da CML, Arq.º Manuel Salgado, fiquei aparentemente muito mais tranquilo.

Vi que há preocupação em ler atentamente os e-mails, em ouvir o que os cidadãos interessados têm para dizer, em afirmar a existência finalmente de uma estratégia, que não existia no passado (recente), em colaborar de forma envolvente, exigente e complementar com quem a CML tem um contrato para desenvolver a zona conhecida por Alta de Lisboa, a SGAL, que se está a trabalhar muito e bem para que esta área da cidade seja dotada das melhores condições de vida, realizando o Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL), tendo sempre em vista o interesse público.

Vi que estão ultrapassadas as justificações, as desculpabilizações pelas situações oriundas do passado (2002 até 2007), as quezílias pessoais, as incompatibilidades, a visão mesquinha e distorcida do modelo de parceria publico-privado, e estão terminadas as opções sem estratégia nas malhas a desenvolver e na implementação de vias sem que estejam acauteladas as devidas aquisições das propriedades.

Agora existe estratégia, coerência, legalidade, vontade, respeito pelos cidadãos, nada será como dantes. Existem legitimas expectativas que daqui a uns anos a Alta e a cidade estejam melhores: com mais cultura, com mais comércio de proximidade, com novos pólos de dinamização de serviços, com mais emprego, vida, cidadania.

O único aspecto que me deixa “de pé atrás”, e será provavelmente um pormenor sem importância, uma ansiedade sem sentido, uma preocupação disparatada, é que a realidade não demonstra nada disso. O que se vê hoje (para além de se sentir, claro) é precisamente o oposto. É precisamente uma enorme capacidade de desculpabilização, uma ausência total de estratégia, de capacidade, de vontade, de obras, de dinâmica. Os exemplos não param. E muitos constam das próprias respostas do Senhor Arquitecto Manuel Salgado: o “suposto” acordo com a Câmara de Loures, a solução provisória para a Porta Sul em si mesma geradora de custos financeiros inúteis, a lentidão na elaboração dos instrumentos de planeamento e gestão, a autorização para que o Eixo Central começasse em 2007 (afinal errada), o não início da construção do Centro Social da Musgueira com uma justificação sem sentido, quando a verdadeira razão será um problema de desacordo financeiro com a SGAL face aos custos da obra, etc., etc., etc..

Há, assim, um claro desfasamento entre o discurso e a prática. Entre o que se quer e o que se vê. Entre o que se projecta e o que se concretiza. Entre o que se diz e o que se faz. Nada que, infelizmente, não estejamos habituados em tantas áreas da nossa vida em sociedade.

Li recentemente um livro muito interessante que recomendo, escrito por Scott Belsky, fundador e CEO da Behance, uma empresa que tem como missão melhorar, organizar e fazer concretizar o mundo criativo. E que se relaciona com o tema. Não tenho a presunção de recomendar aos mais altos planeadores e executores que nos comandam, mas é um pequeno contributo.

O livro chama-se Making Ideas Happen e oferece óptimas dicas sobre produtividade e organização baseadas em casos concretos. É um óptimo livro para quem acredita que a execução é tão importante como a inspiração.

Pode parecer difícil conciliar a teoria com a prática, o projecto com a realidade, o criar com o executar. Mas não é.

Pode mesmo estudar-se, ouvir-se, planear-se, ultrapassar-se obstáculos e visões atagónicas e executar, concretizar. Sem desculpas, justicações, estados de alma. Não é assim tão dificil. Basta ter um pouco de humildade, de coragem, de confiança, de saber. E basta querer, claro.

Speak Your Mind

Tell us what you're thinking...
and oh, if you want a pic to show with your comment, go get a gravatar!