Uma resposta
7 April, 2010 by Carlos Moura-Carvalho

Recebemos este email do Arq. Manuel Salgado, autor do projecto do Eixo Central da Alta de Lisboa e do projecto de loteamento de uma área edificável na mesma zona, desde há 3 anos Vereador da Câmara de Lisboa e, mais recentemente, Vice-Presidente.
A missiva, que agradecemos, tanto mais que têm sido escassas as reacções da CML às perguntas, propostas e sugestões do Viver, visa responder a este email.
Estranhamos o tom “frio e seco”, perante uma proposta construtiva de um movimento cívico de cidadãos, mas registamos com agrado que afinal a CML e, em particular, o responsável directo pelas áreas do urbanismo de Lisboa, está a estudar a questão da necessidade de libertação de terrenos para permitir a construção de uma avenida com a largura aproximada da Avenida da Liberdade.
Finalmente, registamos com agrado que se está a pensar “mais à frente” de forma a não “avançar e retroceder à luz de ideias avulsas, atropelando e dissociando o planeamento e a gestão, sem ponderar consequências, não cometendo assim erros graves de um passado recente, criando situações de prejuízos financeiros para o Município”.
Com efeito, as últimas decisões tomadas pela Câmara Municipal de Lisboa, em relação em concreto à Alta de Lisboa, têm demonstrado pouca coerência, consistência e conhecimento. Com algumas declarações que se revelaram depois não corresponder à verdade.
Estamos a lembrar-nos da decisão de suspender a construção da Porta Sul ou Nó de Calvanas há 3 anos, que teve consequências devastadoras para a zona, afugentando investidores e obrigando os cerca de 30.000 moradores do bairro a um calvário de curva e contra curva e infindáveis filas de trânsito.
Ou da ausência de libertação dos terrenos necessários para finalizar os 10% de obra que faltam da Av Santos e Castro, abandonando as negociações necessárias para o efeito e não resolvendo situações relativamente às quais se afirmava estarem a ser resolvidas a breve termo.
Ou da não conclusão do Plano de Pormenor da Estrada da Torre, iniciado em 2004 e, ao fim de 6 anos, ainda não finalizado.
Ou da abertura da última parte do Parque Oeste, sem equipamentos de apoio, nomeadamente quiosques e casas de banho.
Ou do tempo necessário para se aprovar os projectos de loteamento e de arquitectura apresentados pelo parceiro privado, que rondam os dois anos.
Ou da proposta de transformar o aeroporto num segundo Monsanto.
Ou da opção de colocar uma divisão de trânsito numas instalações projectadas e construídas para uma Divisão e Esquadra de Polícia, num bairro em consolidação urbanistica e social.
Ou na não construção de equipamentos essenciais como o Centro de Saúde ou o Centro Social da Musgueira, com projectos aprovados.
Ou da decisão de proibir uma esplanada no Parque das Conchas, com um pretexto meramente formal.
A proposta que fizémos de relocalização das instalações da Carris, que ocupam em direito de superfície uma área de terrenos municipais de cerca de 10 hectares junto àquela que será a avenida mais importante e mais urbana da Alta de Lisboa, e que o Viver conjuntamente com várias outras importantes entidades do Bairro propôs chamar-se Aristides de Sousa Mendes, visava encontrar uma solução que financeiramente, estamos certos, seria muito interessante para o Município.
Seria trocada uma área num local estratégico, por outro proporcionalmente menos valorizado. E não se estaria a ceder terrenos que o Plano de Urbanização destina a uma escola e a custear obras que verdadeiramente não constituem um investimento, mas uma mera solução de recurso, avulsa, não pensando “mais à frente”.
Além disso, estar-se-ía a dar um forte impulso ao chamado Centro de Mercadorias, uma zona da cidade de Lisboa, consagrada no (ainda actual) PDM e que permitiria criar uma zona essencial para a reeorganização da cidade. Relocalizando pequenos e médios armazéns, reeordenanado cargas e descargas e criando postos de trabalho. Muitos postos de trabalho. Qualquer grande cidade precisa de uma zona onde possa colocar “clusters” de empresas, armazéns, escritórios e ateliers a preços competitivos, superfícies comerciais de média dimensão. Por alguma razão o PDM consagrou essa zona na Alta de Lisboa, mesmo junto ao aeroporto. Repetimos: mesmo junto ao aeroporto.
Temos esperança que a CML, nos estudos que diz estar a realizar, possa encontrar soluções que urbanistica e financeiramente resolvam o impasse em que se encontra o Eixo Central e a própria Alta de Lisboa, honrando assim compromissos de décadas, que têm atravessado vários Executivos camarários e do parceiro privado SGAL.
Desejamos, e tudo faremos, para que seja dada uma resposta a esta e a outras questões que envolvem a vida dos cidadãos, da Alta e do resto da Cidade. Uma resposta que resolva problemas, encontre soluções e nos faça sentir orgulho. É isso que queremos e merecemos.
Para já, regista-se a teor da resposta do Vice-Presidente da CML.



From: Viver na Alta de Lisboa <viveraltadelisboa@gmail.com>
Date: 7 de Abril de 2010 12:25:34 WEST
To: gab.manuel.salgado@cm-lisboa.pt
Cc: "ana.coelho@cm-lisboa.pt" <ana.coelho@cm-lisboa.pt>
Subject: Re: ENT/2642/PR/10 – OF/432/GVPMS/10- Transferencia Carris – Alta de Lisboa
Exmo. Sr. Arqº Manuel Salgado,
Serve este email para acusar a recepção da V. resposta à nossa proposta, que agradecemos, tanto mais que têm sido escassas as reacções da CML às perguntas, propostas e sugestões do Viver.
Estranhamos o tom “frio e seco”, perante uma proposta construtiva de um movimento cívico de cidadãos, mas registamos com agrado que afinal a CML e, em particular, o responsável directo pelas áreas do urbanismo de Lisboa, está a estudar a questão da necessidade de libertação de terrenos para permitir a construção de uma avenida com a largura aproximada da Avenida da Liberdade.
Finalmente, registamos com agrado que se está a pensar “mais à frente” de forma a não “avançar e retroceder à luz de ideias avulsas, atropelando e dissociando o planeamento e a gestão, sem ponderar consequências, não cometendo assim erros graves de um passado recente, criando situações de prejuízos financeiros para o Município”.
Com efeito, as últimas decisões tomadas pela Câmara Municipal de Lisboa, em relação em concreto à Alta de Lisboa, têm demonstrado pouca coerência, consistência e conhecimento. Com algumas declarações que se revelaram depois não corresponder à verdade.
Estamos a lembrar-nos da decisão de suspender a construção da Porta Sul ou Nó de Calvanas há 3 anos, que teve consequências devastadoras para a zona, afugentando investidores e obrigando os cerca de 30.000 moradores do bairro a um calvário de curva e contra curva e infindáveis filas de trânsito.
Ou da ausência de libertação dos terrenos necessários para finalizar os 10% de obra que faltam da Av Santos e Castro, abandonando as negociações necessárias para o efeito e não resolvendo situações relativamente às quais se afirmava estarem a ser resolvidas a breve termo.
Ou da não conclusão do Plano de Pormenor da Estrada da Torre, iniciado em 2004 e, ao fim de 6 anos, ainda não finalizado.
Ou da abertura da última parte do Parque Oeste, sem equipamentos de apoio, nomeadamente quiosques e casas de banho.
Ou do tempo necessário para se aprovar os projectos de loteamento e de arquitectura apresentados pelo parceiro privado, que rondam os dois anos.
Ou da proposta de transformar o aeroporto num segundo Monsanto.
Ou da opção de colocar uma divisão de trânsito numas instalações projectadas e construídas para uma Divisão e Esquadra de Polícia, num bairro em consolidação urbanistica e social.
Ou na não construção de equipamentos essenciais como o Centro de Saúde ou o Centro Social da Musgueira, com projectos aprovados.
Ou da decisão de proibir uma esplanada no Parque das Conchas, com um pretexto meramente formal.
Se a situção ainda está "em estudo" porque fizeram a proposta 72/2010 ?
Isto só quer dizer que o tal cluster logístico – o centro de mercadorias – não faz parte dos planos da CML para os próximos anos, pois se não querem gastar dinheiro em acessos…
Não consigo ver onde estaria o retrocesso.
…sendo que os acessos seriam pela Av. Santos e Castro, certo?
Provavelmente a Santos e Castro também não faz parte dos planos da CML para os próximos anos, nem a Porta Sul, etc.
Esta equipa de gestão camarária está-se nas tintas para a Alta de Lisboa!
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