Restaurantes de Lisboa – Umai

25 April, 2010 by  

Sem pompa nem circunstância, mas com inexcedível qualidade, abriu sexta-feira 23 o restaurante do Paulo Morais. Não um restaurante com o Paulo Morais (como o foram a Bica do Sapato ou o QB). “O” restaurante do Paulo e da Anna Lins, parceiros nesta aventura de concretizar o seu próprio sonho.

Umai (que é a palavra japonesa para “bom, saboroso, bem feito”) onde se pretende, nas palavras dos seus autores, “fazer boa comida, num bom restaurante em que as pessoas se sintam bem, tal como nós que lá vamos trabalhar. E apesar de ser um negócio, o meu bem estar é prioritário. Isto é, tenho que me identificar com tudo, gostar da comida, das bebidas, da decoração e do espaço para poder criar e cozinhar com paixão.” (seguir a aventura toda, aqui)

Estivemos lá logo na sexta-feira, a vontade de voltar a experimentar as propostas depois do “Peixe em Lisboa” era enorme e a curiosidade de ver o novo espaço também.

E como foi?

Para começar, uma óptima notícia: existe um estacionamento subterrâneo mesmo ao lado o que anula a sempre aborrecida aventura de encontrar um lugar nas ruas apertadas da cidade antiga.

O espaço que nos acolhe é pequeno, com uma decoração despojada que evita o recurso à côr (para além do roxo do logotipo, imperam os cinzentos e o negro dos tampos) e não cria distracções. Aqui, o colorido só existe nas propostas gastronómicas.

O menu divide-se entre os pratos mais reconhecíveis entre nós da tradição japonesa e o “asian twist”, uma cozinha que recorre às técnicas e modos das diversas cozinhas asiáticas e as recombina segundo a visão do seu autor. Fica o comensal a ganhar, já que o Umai se revela tão bom num como no outro campo, permitindo complementar sabores e sensações.

E que provámos nós?

Uma sangria como bebida de cortesia. Apelativa à vista, delicada no sabor e na composição, com frutos silvestres e uma folha de hortelã, um pouco doce demais para o meu gosto mas agradável, suavizando o palato para os pratos de peixe cru que se avizinhavam e que dispensam sabores concorrênciais.

Uma salada de “couvert”: um ceviche marcado com o toque da lima, fresco, a derreter-se na boca, óptimo arauto do que estava para vir.

“Naan” com chutney de manga e raita e achar, a influência indiana, muito bons os molhos. Para começar, nada mau, mas longe do que estava para chegar.

Espuma de caril indiano, vieiras curadas e frutas secas. As vieiras no ponto, a espuma a pedir mais vieiras – uma delícia..

E agora sim, as coisas começaram a… planar:

Sushi to sashimi, uma explosão delicada de texturas, sabores, numa apresentação visual belíssima realçada pelo negro das placas de xisto onde vêm servidas.

Yakidori, espetadas de frango com molho agridoce. O frango com uma textura ímpar, derretendo-se na boca, grelhado no carvão, hidratado frequentemente para não secar.

Makimono moriawase. Dum outro mundo que não este país cabisbaixo com o futuro próximo. Visualmente perfeito, só de olhar este hosomaki, uramaki, dragão maki, decididos na hora pelo chef, já me senti num estádio superior de satisfação. Degustá-los foi um momento que não queria que terminasse. Frescura e suavidade, crocantes e melosos, faltam-me as palavras. De provar e provar e provar.

Swing maki, salmão, hira e queijo creme fritos em tempura. Gostei do contraste entre cru e frito, da novidade desta combinação. Visualmente, outra tentação.

Tempura de camarão com amêndoa crocante. Demasiado crocante para quem vinha de uma sequência de pratos delicados, terá sido talvez a proposta menos entusiasmante.

Gyozá de legumes e tofu. Absolutamente divinais, estes “raviolis”, a derreterem-se na boca mas em simultâneo com espessura a pedir para ser trincada e nessa acção sentir espalhar-se o sabor do recheio… uma experiência única. A pedir mais e mais… depois de mais  makis…

Finalmente os doces… para os gulosos, pelo menos este dueto de brownies, chocolate e gengibre com chá verde, muito bonito e muito doce…

Café da Nespresso o que, ainda que nada habitual, não é prejudicial.

Grande jantar, grande restaurante, para voltar muitas vezes.

Uma última palavra para o simpático, correcto, informativo serviço. Uma casa começa-se pelo pessoal e no Umai, o pessoal atinge um nível tão elevado quanto a comida.

A experimentar o mais depressa possível, pois “cheira-me” a que o segredo dure pouco e a lotação é muito pequena. Não gostaria de vos saber parados na fila do lado de fora, a ansiar pelas delícias servidas…

Pode-se viver sem o Umai? Não seria nada o melhor dos mundos…

Comments

2 Responses to “Restaurantes de Lisboa – Umai”
  1. Ai Pedro….que delícia…

    Obrigada pelas tuas opiniões e pelas fotos, que ilustram bem a frescura dos produtos, a originalidade da concepção e delicadeza da confecção.

    Agora falta-me degustar e …hummmm… mal posso esperar.

  2. Luísa Ferreira says:

    Ontem jantei no Umai 🙂

    Para além de algumas das especialidades já aqui muito bem apresentadas pelo Pedro, adorei também a tempura de caranguejo de casca mole e os gelados com que acompanhei o dueto de brownies. O gelado de gengibre é uma coisa indescritível de textura e sabor.

    Para beber, um Alvarinho Soalheiro 2009, recomendado pelo chef. Excelente, com aromas de maracujá e pêssego.

    Uma característica que aprecio nos pratos do Paulo Morais é que podemos saborear o conjunto e, ao mesmo tempo, todos os ingredientes que o compoem, pois os seus sabores não ficam escondidos. Fruto, certamente, da arte de quem os concebe e da frescura e qualidade das matérias primas utilizadas.

    E nunca será demais realçar a simpatia e despretensiosismo das pessoas que lá trabalham.

    Experiência a repetir, definitivamente.

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