Novo Terreiro do Paço avança
15 April, 2010 by Tiago Figueiredo

Está quase a terminar a obra de renovação do Terreiro do Paço. O trânsito automóvel que o circulava foi retirado. As cinco faixas de rodagem da Ribeira das Naus foram reduzidas a duas, de velocidade lenta, priorizando o peão. Veremos que problemas de mobilidade desencadeará este estrangulamento da ligação entre a Av. 24 de Julho e a Av. Infante D. Henrique. A solução não colhe elogios de todos os quadrantes. O aumento de circulação de autocarros na Rua do Arsenal tem afastado clientes do legendário Martinho da Arcada, colocando-o em risco de falência, dizem.

Estão previstas esplanadas por baixo das arcadas dos edifícios, estendendo-se nestes largos passeios de mármore que substituem as faixas de rodagem anteriormente existentes.

Será quente, no Verão, e ofuscante. Todo este branco do lioz ampliará a luz do sol. São aconselhados óculos escuros, daqueles com filtro UV.


Ainda falta colocar mais lajes na parte central da praça. Polémicas à parte, o Terreiro do Paço recuperou dignidade. Foram tomadas decisões difíceis.

E este Tejo, lindo, lindo. Finalmente acessível.



Esta ideia luminosa de retirar o trânsito de ligação Baixa-marginais do Terreiro do Paço é o contraponto socialista ao túnel do Marquês: pode "dar dignidade" e "priorizar" os peões, pode resolver o problema local mas esquece (porque nelas nunca pensou) as implicações no resto da cidade.
O Nunes da Silva desde sempre achou a solução má, lá teve de contemporizar (novas funções oblige…), introduzindo alguns remendos mas, como é hábito (e também difícil de fazer) o balanço vai ficar por fazer. É claro que a circulação irá gradualmente piorarando mas isso é a ordem natural das coisas, não é?
Na minha opiniao tem-se passado o oposto- o resto da cidade nao quer saber da Baixa para nada. Chegamos ao ponto em que a baixa servia para vender droga e como auto-estrada pelo que aplaudo a decisao da camara de finalmente dar a volta 'a situacao.
Não formei opinião sobre a estética da coisa. Concordo em absoluto com a diminuição do trânsito automóvel na baixa e até noutras zonas da cidade. Não me choca que seja cada vez mais difícil circular ou atravessar a cidade de carro. Acho até que em Lisboa se circula demasiado bem de carro, sabendo que existem locais muito difíceis, comparando com outras cidades europeias. Se assim não fosse muitos automobilistas prefeririam alternativas de mobilidade. Contudo, essas alternativas têm que ser colocadas à nossa disposição e comunicadas convenientemente. O Terreiro do Paço era um caso gritante de erro na estratégia de travessia da cidade. A CREL paga-se, mas atravessar pelo centro era sempre a direito. Não me dava gozo nenhum ir ou estar nessa magnifica praça com tanto ruído.