Campo na cidade
11 February, 2010 by Joaquim Cunha

Fui “descobrir o campo na cidade” na Quinta do Zé Pinto em Campolide. Admito que já ia com a ideia de que o campo na cidade é um pouco como o Rossio na Rua da Betesga. No campo há um tempo e um espaço que simplesmente não existe na cidade.

Acho que a cidade precisa de mais espaços verdes, que a ideia das pequenas hortas comunitárias é muito interessante. Acho também que para fins pedagógicos existem na cidade e nas proximidades outras alternativas muito mais pertinentes, mas é positivo que este espaço seja de certa forma recuperado e aproveitado para um fim verde.

Mas há uma coisa que me parece estar completamente esquecida nestas experiências. É que a cidade não oferece boas condições ambientais para a agricultura, nomeadamente Lisboa que é uma das cidades mais poluídas da Europa. A qualidade dos solos, água das chuvas e do ar deixam muito a desejar como revelam estudos já realizados a nível europeu.

Fiquei desiludido com a Quinta do Zé Pinto porque ela reproduz uma maneira industrializada de fazer agricultura no espaço urbano, em vez de recuperar a ideia de autoprodução de alimentos que já foi prática comum nas cidades e que isso sim me parece muito mais interessante.



E aqui na Alta há algumas quintas que mereciam ser recuperadas! Que penas o Zé ter interesses noutros pontos da cidade! E o povo andar de olhos vendados com tantos subsídios!
E há também muitos terrenos livres e muita gente interessada em aproveitá-los para projectos de hortas comunitárias. Que eu tenha conhecimento, esses projectos foram entregues à CML há meses e carecem ainda de resposta.
É uma tristeza. Devíamos deixar de falar em entidades. Não existem entidades, existem pessoas. Na CML há gente muito capaz e séria. Outra nem tanto. Quando se trata dos problemas com os primeiras as coisas acontecem, quando apanhamos alguém do 2º grupo, é uma tristeza.
É uma grande verdade.
Coloco aqui o 2º mail formal enviado para a DMCRU (entidade que segundo a UPAL estará a analisar o processo) sobre o "nosso" Parque Agrícola da Alta de Lisboa.
Continua sem resposta…vamos como dizes e bem, tentar passar rapidamente para o 1º grupo.
Aproveito para dizer que no próximo dia 28 pelas 15h encontramo-nos no K'Cidade para depois fazermos uma visita ao local proposto (Quinta dos Cântaros, por cima da pista de atletsimo) com um pique-nique, com coisas que cada um levará. Quem quiser juntar-se é bem vindo!
Segue o mail:
"Exmo Senhor Director Municipal
Arqt.º Jorge Manuel Barata Catarino Tavares
A 26 de Janeiro p.p. tivemos ocasião de enviar a V.Exa. o seguinte mail:
"A AVAAL – Associação para a Valorização Ambiental da Alta de Lisboa, constituída em Setembro de 2009, representa um alargado número de associados que pretendem promover e realizar acções de ecologia cívica na Alta de Lisboa.
A AVAAL acredita num modelo de mútua responsabilidade entre Administração e Administrandos, no sentido da resolução das carências e aproveitamento das oportunidades ambientais na comunidade local, através da actuação da mesma, devidamente enquadrada nos princípios do direito e bem comum.
Neste contexto de actuação, gostaríamos de marcar uma reunião com V.Exa., para apresentação da AVAAL e dos seus projectos, em particular os que dizem respeito às áreas de actuação e decisão de V.Exa, para início de correcta, e esperamos frutuosa, relação.
Dentro destes projectos gostaríamos de salientar a proposta de constituição do PAAL – Parque Agrícola da Alta de Lisboa, de que V.Exa. terá já conhecimento, via UPAL.
Com a certeza de não lhe roubarmos muito tempo nessa apresentação, muito lhe agradecemos assim a indicação de data(s) em que V.Exa esteja disponível para a mesma.
Poderá fazer essa indicação para este mail, ou caso prefira de forma directa para o telemóvel nº …
Agradecendo antecipadamente e certos do interesse de V.Exa. nesta iniciativa, subscrevemo-nos, atentamente,
pela AVAAL,
Jorge Cancela
Presidente da Direcção "