win-lose

13 January, 2010 by  

Costuma dizer-se “quem é pobre não tem vícios” ou “não há dinheiro, não há palhaços”.

Bem, mas nem sempre quem gere dinheiros públicos assume estas máximas no dia-a-dia. O contrato que irá hoje a discussão para a realização da Reb Bull Air Race, prova realizada nos últimos três anos na foz do Douro e trazida para Lisboa com enorme polémica, prevê que CMLisboa, CMOeiras e Turismo de Lisboa paguem o prejuízo – nas proporções 50%, 25%, 25% respectivamente – se não forem angariados em patrocínios os 3,5 milhões de euros necessários à realização do evento.

Em caso de lucro, o remanescente ficará guardado para as edições seguintes.

As parcerias público-privado não são todas iguais. Por um lado veja-se o caso da Liscont, no Porto de Lisboa, com o risco a estar também todo do lado público.

Já na Alta de Lisboa, a parceria CML-SGAL tem sido proveitosa para a CML e ruinosa para a SGAL e munícipes.

Não serão possíveis parcerias com riscos partilhados?

Comments

12 Responses to “win-lose”
  1. Pedro Veiga says:

    Se isto acontecer será uma das maiores vergonhas desta administração camarária! Por aqui se vê por onde andam os interesses do Costa & Companhia. O pior é que somos todos a pagar um espectáculo só para pacóvio ver. Em vez de se investir noutras áreas tão carenciadas (a cultura, incluindo a cultura científica) vai ser gasto dinheiro num absurdo só para gente acéfala.
    Agora já compreendo as palavras de quem sabe bem o que se tem passado com a Alta de Lisboa. As coisas não avançam porque há interesses e esses interesses divergem muito do conceito do bom urbanismo.

    • naf says:

      Pedro, contestar a actuação da CML não o obriga a catalogar todos os que gostam deste e de outros espectáculos do tipo como gente acéfala. O dinheiro só é absurdamente gasto se for gasto pela CML. Se for angariada publicidade que pague a conta que problema há com gente que gosta de ver uns aviões a andar às voltas?

      • Pedro Veiga says:

        O problema é que não vai haver quem patrocine. Por isso esta opção da CML é errada porque não promove algo com interesse para o desenvolvimento de um país! Se os privados pagassem tudo estaria bem. O pior é que são dinheiros públicos que vão pagar tudo isto e o retorno é muito duvidoso. Retorno será só no aumento da poluição atmosférica e do ruído! Talvez o termo acéfalo tenha sido aplicado de uma forma exagerada. Mas este tipo de iniciativas não promove o desenvolvimento de um país, antes pelo contrário!

  2. naf says:

    Air Race: António Costa admite que exclusivo publicitário da Red Bull pode inviabilizar prova no Tejo

    http://www.publico.clix.pt/Local/air-race-antonio…

  3. naf says:

    Air Race: António Costa admite que exclusivo publicitário da Red Bull pode inviabilizar prova no Tejo

    http://www.publico.clix.pt/Local/air-race-antonio…

    • Tiago says:

      Nitidamente, este é daqueles casos que iria para a frente, em claro prejuízo público em prol de privados, se a situação não tivesse sido ontem denunciada.

      "Diz o documento que as Câmaras de Lisboa e de Oeiras terão, juntamente com a ATL, de pagar à Red Bull 3,5 milhões de euros pela corrida, assegurando também todas as suas necessidades logísticas. O acordo é bastante diferente daquele que vigorou nas anteriores edições, que tiveram lugar no Douro. As Câmaras de Gaia e do Porto nunca pagaram mais de 400 mil euros cada uma aos organizadores da prova, cujo risco comercial esteve sempre do lado de uma empresa privada, a Extreme, que intermediava o negócio."

    • Tiago says:

      "Um pormenor que espantou os vereadores da Câmara de Lisboa foi o facto de o acordo assinado entre a Associação Turismo de Lisboa e a Red Bull Air Race estar redigido em língua inglesa. Daí também as dúvidas da sua quinta cláusula, que diz que a Red Bull será a única detentora dos direitos publicitários "on the entire event venue", isto é, em todo o local do evento, excepto se forem propriedade privada. Os autarcas ficaram também surpreendidos por o documento remeter a resolução de eventuais diferendos para os tribunais de Viena."

      http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-01-2010/…

    • Tiago says:

      "Um pormenor que espantou os vereadores da Câmara de Lisboa foi o facto de o acordo assinado entre a Associação Turismo de Lisboa e a Red Bull Air Race estar redigido em língua inglesa. Daí também as dúvidas da sua quinta cláusula, que diz que a Red Bull será a única detentora dos direitos publicitários "on the entire event venue", isto é, em todo o local do evento, excepto se forem propriedade privada. Os autarcas ficaram também surpreendidos por o documento remeter a resolução de eventuais diferendos para os tribunais de Viena."

      http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-01-2010/…

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