Mau começo
30 November, 2009 by Carlos Moura-Carvalho

Confesso que neste primeiro mês de colaboração neste movimento cívico, tenho sentido uma enorme apatia por parte dos leitores do Viver. Muitas visitas. Batendo todos os records. Poucos comentários. Pouco debate. Pouca vontade. Estão como o país, adormecidos. Falta inconformismo, vontade de mudar, de exigir resultados.
Reconheço que também me tenho sentido um pouco assim. Para quê propor alguma coisa, se a reacção é pouca ou nenhuma. Para quê exigir, se ninguém ouve. Porquê querer mudar, se custa tanto. Porquê gostar de clarificar as coisas, se depois nos desiludimos. Porquê argumentar, se depois uma mentira vence os melhores e consistentes argumentos.
Parece exagero? Talvez. Ou, então, é puro realismo. “Maturidade”, dirão alguns.
São momentos complexos estes que vivemos. A situação do País é preocupante a nível económico, financeiro, judicial. São imensos os “casos”. É cada vez maior a desconfiança, a descrença, a desmotivação. Não há grandes projectos mobilizadores.
Mas, ainda sou, dos que acreditam que vale a pena propor, fazer, lutar, lembrar. Por isso, sinto-me bem aqui no Viver. Ainda há alguns por aqui que não mudam, que não fogem, que não se acomodam.
E é assim que vamos ser. É assim que somos.
Em nome desta maneira de ser e em respeito à coerência que procuro ter, devo denunciar o que se passou na última reunião da Câmara Municipal de Lisboa. Tratava-se da primeira sessão pública deste novo executivo, a agenda era extensa e, pelo menos uma proposta era de significativa importância para a cidade, mas sobretudo para os vereadores em exercício, de todos os partidos representados. Tratava-se da execução do Acórdão proferido pelo Tribunal Arbitral, que determinava a celebração de um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Sporting Clube de Portugal, com o objectivo de dar início ao procedimento de elaboração do Plano de Pormenor relativo à UOP 30. Em causa, estavam avultadas quantias envolvidas.
E do PSD faltaram 4 vereadores, incluindo, Pedro Santana Lopes, obrigando à sua substituição.
Não tenho informação do que poderá ter acontecido e, seguramente, terão sido razões fortíssimas para que isso acontecesse. Mas, não é aceitável. É um sinal, no mínimo, de pouca consideração pelos lisboetas. Os vereadores com pelouro têm naturalmente maiores responsabilidades, cabendo-lhes concretizar o programa e os projectos que foram mais votados. Mas os da oposição também têm. Para apresentarem propostas diferentes, para introduzir o contraditório de forma sustentada, para ouvirem o que os outros não quiserem ouvir.
No último executivo camarário, a oposição do PSD foi fraca, inconsistente, inexistente. Com os primeiros vereadores eleitos, a faltarem permanentemente às reuniões de Câmara. Espero, sinceramente que nos próximos anos, tudo seja diferente.
Os sinais dados 4.ª feira fazem temer o pior. Fazem aumentar a desconfiança, a descrença, a desmotivação.
Infelizmente para Lisboa.



Também tenho momentos em que partilho esse sentimento. Tem sido complicado mobilizar as pessoas, mesmo para os projectos que mais lhes dizem respeito. Há momento em que a vontade é mesmo cruzar os braços e investir o tempo e a vontade nos meus próprios projectos.
Por exemplo, o Grupo de Mamãs e Papás da Alta de Lisboa, no qual participo, fez um levantamento das preocupações dos pais e o problema mais vezes referido foi a falta de infraestruturas educativas a nível do pré-escolar. Procurámos criar um grupo de trabalho nesta àrea, mas não houve participantes. Mesmo assim, continuámos a batalhar (com 2 elementos) e soubemos recentemente que temos a possibilidade de efectuar uma parceria com uma grande instituição bancária que nos permitiria obter verbas e mão-de-obra para construir uma nova creche, de acordo com as nossas necessidades. Foi lançado o apelo aos pais da alta, mas a resposta foi o silêncio total.
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É desmotivante constatar o desânimo e a inércia a que chegámos entanto comunidade, no entanto, enquanto houverem elementos motivados e capazes de se entregar a esta tarefa de acordar os restantes, poderemos ainda ter esperança de moldar a nossa realidade um pouco mais de encontro às nossas necessidades. Exemplo disso é o projecto da loja comunitária, Entre Nós, que a pouco e pouco, com pouco mas empenhados elementos, tem conseguido espalhar a sua mensagem e, no próximo sábado, vai já efectuar a sua primeira campanha de recolha de artigos.
Deixo aqui uma frase, que achei num site e que me parece que seria um lema a transmitir para tentar combater esta depressão tão tipicamente portuguesa:
"As pessoas dizem-me que sou apenas mais um a tentar. Eu digo que serei menos um a desistir"
Boa tarde.
Desde que moro aqui na Alta (cerca de um ano) que acompanho o Viver, mas nunca comento. Shame on me!
No entanto, tenho uma visão um pouco diferente da participação dos cidadãos aqui no bairro. Talvez as pessoas devessem comentar mais e fazer mais, mas a verdade, é que há um grupo de pessoas que são muito interessadas e esforçadas e que dão parte do seu tempo em prol da comunidade.
Em poucos bairro há pessoas a fazer rotundas durante a noite, a criarem associações como a AVAAL, a implementarem lojas como a Entre Nós, a lutarem por painéis foto-voltaicos em condomínios.
Sim, talvez se pudesse fazer mais, mas há aqui gente que faz muito e que merece da minha parte um muito obrigado!
Para mim a vida é preciso ser levada como fazem os equilibristas dos pratos que giram sobre os paus: é preciso ir dando umas voltas ora a um, ora a outro, a ver se nenhum cai! Não que já tenha rodado algum prato aqui para este site, mas estive durante os útlimos anos empenhado numa actividade equivalente, e agora tenho que dar umas voltas a outros pratos.
Não estou a escrever para estar a querer dar lições de vida nem estar a dar desculpas esfarrapadas, mas sim para agradecer e dar os meus parabéns por todas as actividades que têm acontecido no bairro e dar também uma palavra de alento àqueles que tiveram essas iniciativas, para que não desistam e as mantenham. Não desanimem, por favor. Isto vai indo aos poucos, infelizmente temos pouca tradição de actividade cívica e associativa.
De qualquer modo, acho que também não é grave dar algum tempo para a CML assentar arraiais e para responder aos cartazes "Queremos compromissos".
eu sou moradora aqui no bairro desde 2005,ja falei,ja escrevi,noutros sites,e nao so,mas nunca obtive respostas satisfatorias,de 2005 a 2007 foi uma altura um bocado polemico,com os realojamentos e com os compradores,havia imensa tensao e vandalismos,eu nunca deixei de ir á rua para ir beber cafe,ou para ir ás compras na loja da d. carla(agora prefiro a loja da d. liliana),e sempre
tentei transmitir isso aos meus vizinhos,mas apenas uma moradora se mostrou capaz de se integrar aqui no meio juntamente comigo,agora sou uma leitora assidua do viver,ja gravei uns pequenos filmes por causa do transito imenso da manha e enviei mas primeiro a resposta tardou,e depois afinal nao se conseguia visualizar pois gravei com telemovel,e quanto ao grupo das mamas e papas eu gostava imenso de participar,mas trabalho por turnos e sempre que se marca um dia e uma hora ou estou a trabalhar,ou estou a sair do trabalho ás 8h da manha nesse mesmo dia e preciso de dormir,ainda pra mais com uma bebe pequena entao…mas o que vos posso dizer,é que aqui é um bom sitio para se viver,a minha bebe ate foi chamada +ara a creche azul,so nao foi pois arranjei outra creche mais perto do meu trabalho,as pessoas sao simpaticas,e temos aqui tudo o que precisamos
e se este blog nao tem recebido muitos adeptos,na rua tb nao se veem muitas pessoas dispostas a confraternizar com o povo,preferem ter medo ou apenas mostrar desprezo como ja foi testemunhado aqui nestas bandas,por causa desse tipo de atitudes de uma ou outra pessoa todas as outras acabam por sofrer,apesar de tudo uma so pessoa pode nao mudar o mundo,mas pode pelo menos tentar a zona onde vive,continuem com vosso bom trabalho
Obrigado Maria pelo seu testemunho. Contamos consigo.