Bastidores
5 November, 2009 by Filipa Lex

Estive lá. Sentada, discreta, atenta. Vi chegar as pessoas apressadas que se esgotavam em esforços para obter um bilhete. Vi casais, amigos, grupos de amigos, pessoas que chegavam sozinhas e vi crianças.
Observei-te qual realizador atarefado, ansioso, correndo entre caras amigas, cumprimentando estranhos, esforçando-se na diplomacia de se ver rodeado de mãos para apertar, costas para sacodir com palmadas afáveis e um milhão de rostos para beijar. Vi-te apertar, sacodir e beijar. Vi-te desembaraçar do embaraço de ser dono do tempo que se seguia.
Precisava de te dizer que o documentário foi um consumo delicioso de tempo. Um aperitivo para a promessa de um talento que se quer ver cumprir. Não vou falar do potencial de meditação e reflexão que o documentário contém porque é tão gritante que era legendar por cima. Fica a certeza que temos material de qualidade indubitável para oferecer a momentos formativos e informativos de causas tão variadas que vão do tijolo aos sonhos mais pueris.
Mas o que eu mais gostei no documentário não vem nas filmagens. Gostei da forma como deste forma a uma ideia, como a fizeste sair da cabeça, do papel, do powerpoint, como a consubstanciaste num esforço preciso, num trabalho incansável, para nos devolver num produto concreto.
Um “Voila!” cheio de insónias, de autodidatismo, de dúvidas e solidões, certezas que se iam desmentido, sorrisos que se iam esboçando. Felicito-te pela capacidade de te focares no resultado ao invés de ficares a namorar “portuguesamente” a ideia.
Sei que por trás do palco houve um processo de persistência, trabalho, custo e motivação pessoal, tão admirável que não pode ficar mudo.
Assim, cada vez que se falar do documentário, talvez se “documente” o esforço que lhe deu corpo, possibilitando o gerar de um processo pandémico de contaminação produtiva. Só e apenas, para que cada um de nós passe a respeitar uma ideia como um material vivo. Muitos Parabéns!
(Uma idiota fã da persistência)



Obrigada Filipa por teres feito pesar ainda mais na minha consciência o facto de não ter podido ir ver o documentário.
😉
Acredito que o resultado seja realmente notável, não se prevendo outra coisa.
Mais uma vez parabéns Tiago.