“Estocolmo pode ser aqui!”, por Nuno Alves
25 October, 2009 by Tiago Figueiredo
Após ter sido pai recentemente e ainda zonzo da rotina diária de quem tem um recém-nascido nas mãos, fui, durante um par de horas, relembrar os “velhos de tempo de liberdade” e finalmente conhecer os tão falados troços de ciclovia de Lisboa: Telheiras – Benfica – Campolide – Parque Eduardo VII.
Fiquei, como diria o Prof. Marcelo (sim esse visionário que disse, ainda há pouco tempo, que era impossível ciclar em Lisboa) visivelmente impressionado! As ciclovias estão muito bem delineadas e bonitas, principalmente na parte de Campolide, junto à Universidade Nova de Lisboa.Observar este tipo de desenvolvimento de mobilidade urbana em Lisboa deixa-me extremamente feliz e entusiasmado relativamente ao futuro próximo. Parece que finalmente vamos ter uma cidade mais humana e talvez menos poluída.
Ainda há poucos meses numa viagem à Suécia e depois de alguns dias a ciclar por Estocolomo, pensei: Porque é que não é possível fazer algo parecido em Lisboa? E agora, parece que a miragem começa a ganhar forma real! Sendo morador da Alta, tenho esperança que sejam também aqui construídas ciclovias com características que possibilitem, para além de momentos gratificantes de lazer, a mobilidade, em substituição ou complementaridade ao transporte público e privado.
Nuno Alves



Olá Nuno,
Boa estreia. Também eu fiquei rendido às ciclovias quando passei uma semana em Amesterdão, já há uns anos. Porém, acho que o entusiasmo que nos causa a mobilidade de cidades como estas, quase planas – como é também Estocolmo – precisa de uma adaptação ponderada em Lisboa, com uma orografia completamente diferente, muito mais rugosa.
Eu adorava que houvesse mais ciclovias em Lisboa, mas em locais verdadeiramente necessários. Fazer ciclovias em ruas de tráfego lento, ainda por cima sem ligar rapidamente a periferia ao centro da cidade parece-me pouco. Importa ligar pontos nevrálgicos da cidade, criar parques de bicicletas junto a interfaces de transportes, criar ciclovias nos grandes eixos de Lisboa (onde os automóveis andem a uma velocidade incompatível com a bicicleta e seja aí sim urgente separar os veículos).
Continuo a achar que o risco de acidente de andar de bicileta junto aos carros em Avenidas como a República, Fontes Pereira de Melo, Alameda das Linhas de Torres é imenso. Implementar ciclovias em avenidas assim é que era de homem.
Eu finalmente vou-me iniciar no "commuting" e estou muito entusiasmada com a ideia 🙂 O facto de me ter mudado aqui para a Alta recentemente, vem finalmente possibilitar esta vontade de há muito! Ainda não tive a possibilidade de fazer o reconhecimento às ciclovias que o Nuno fez, mas espero conseguir fazê-lo em breve…
Para mim, o facto de pelo menos se ver a vontade de mudar as coisas, de promover a mobilidade, é já um ponto muito positivo para a vida dos lisboetas, porque cada vez mais nos cruzamos com pessoas que se deslocam na cidade de bicicleta, e se bem que é verdade o que diz o Tiago relativamente à segurança dos ciclistas em algumas vias da cidade, acredito que, aos poucos, os automobilistas se vão habituar a conduzir ao lado dos ciclistas e a respeitarem o seu espaço!
Outro dos pontos que o Tiago tocou e que eu acho importante, são os parques de estacionamento para bicicletas junto, por exemplo, às estações de metro; acho que uma das preocupações para quem começa a deslocar-se de bicicleta é: «será que tenho onde prender a bicicleta junto ao local para onde me vou deslocar?». Acho que um mini-parque junto às estações de metro da Quinta das Conchas, Lumiar e Campo Grande seria um excelente teste-piloto e poderia potenciar o número de "commuters" aqui da Alta 🙂 Fica a ideia!
Também gosto de ciclovias, desde que bem pensadas e bem executadas (desconheço se as que há em Lisboa o são ou não…)
Serão sempre bem vindas para lazer e pequenas deslocações na área que cobrem.
Para mais que isso, numa cidade como Lisboa, é necessária a integração com os transportes públicos, sem dúvida.
Em termos de segurança, acho que andar de bicicleta em algumas vias cidade é mesmo perigoso, e não só para os ciclistas. É perigoso para automobilistas e peões também: tenho visto ciclistas comportam-se umas vezes como peões e outras como veículos, muitas vezes conforme “dá mais jeito”…
Tiago, implementar ciclovias nessas avenidas, não sei se era de homem. Mas que era bom, era
🙂
Obrigado pelos comentários. Utilizar a bicileta nas deslocações diária é, em certos casos, a opção mais racional. Não é uma condição suficiente para a mobilidade sustentável mas é, sem dúvida uma condição necessária, desde que encarada numa perpspectiva sistémica. E que, obviamente, o plano de accção para a concretização desse objectivo seja bem executado.
Para estimular a troca de ideia envio um link um artigo recente do Arq. Paisagista Duarte Mata que percebe muito mais do assunto que eu 🙂
http://lisboaemuitagente.blogspot.com/2009/10/ped…
Este blog do Lisboa É Muita Gente é aquele que só responde a perguntas cómodas, não é?
Nuno, gostava de saber uma coisa: como é que vamos de bicicleta da Alta à Baixa, de forma rápida, sem correr riscos elevados de convivência com o automóvel? É preciso fazer o circuito Alta – Telheiras – Benfica – Campolide – Parque Eduardo VII – Av. Liberdade?
Caramba, Tiago, quando é que me responde? Estou desde Maio há espera que publique a reposta da CML :(!
Tem razão, Pedro. Mas aquele assunto passou a ser ininteligível. Quer elaborar um texto que resuma a situação em poucas linhas de forma a qualquer leitor conseguir acompanhar?
Com todo o prazer! Mas acho que a situação é mais ou menos clara: a CML detectou anomalias e mandou lá a fiscalização… À noite terá um texto!
Já está ;)!
Tiago, O artigo foi deste blogue como poderia ser de outro qualquer. PAra mim o importante é a argumentação do Arq. Mata, que é elucidativa sobre esta matéria.
Relativamente aos trajectos das ciclovias a informação da CML ainda é vaga e muito confusa:
http://www.cm-lisboa.pt/archive/doc/_Microsoft_Po…
A mesma indefinição se aplica ao sistema de uso partilhado de biciletas que será essencial para a interacção entre transporte público e o uso da bicileta. MAs de qq. das formas "Roma e Pavia não se fizeram num dia…"
Nuno, as minhas observações sobre o blog não pretendiam atingi-lo. Tem toda a liberdade de citar as fontes que quiser. Eu é que me lembrei que a equipa do Vereador Sá Fernades (que eu até acho que fez um bom trabalho) nem sempre responde às perguntas que lhes fazem, sobretudo quando não são fáceis de responder. Estou a lembrar-me da rotunda e da mutilação da quinta das conchas, por exemplo.
Eu concordo com a argumentação do Arq. Mata, mas continuo a achar (e comprovo pelo documento que envia) que as ligações não têm sido pensadas numa relação de periferia-centro da cidade. E já que estamos taõ longe ainda de Estocolmo, se calhar o ideal seria em primeiro lugar dotar a cidade de ciclovias que estabelecessem uma ruptura sistémica com utilização do automóvel particular nos percurso casa-emprego.
Só que… lá estou eu a pensar só em mim mesmo. Lá porque trabalho na Baixa, não quer dizer que as necessidades da maioria da população lisboeta sejam as mesmas que as minhas. Vou acreditar portanto que as opções de implementação de ciclovias obedeceram ao critério de servir o maior número de pessoas possível.
Tenho a convição que este projecto pretente minimizar a "ruptura sistémica com utilização do automóvel particular nos percurso casa-emprego. " Talvez não sirva a todos mas penso que servirá a muitos.
O problema neste momento é que ninguém sabe ao certo o projecto da Câmara. A comunicação da CML é horrível… talvez seja uma estratégia para apresentar um output final (ciclovias finalizadas + sistema de uso partilhado de biciletas).
Relativamente à Alta apenas tenho a garantia que a ciclovia entre a Quinta das Conchas e o Hospital Júlio de MAtos avança em breve – espero não ter que fazer esse trajecto com muita frequência 🙂
E como conseguiu saber desse projecto de ligação da Quinta das Conchas ao HJM?
Há algumas semasas atrás abordei o verador Sá Fernandes junto à Quinta das Conchas e numa conversa informal e agradável foi confirmado que esta ciclovia é finalizada para o ano. Espero que não seja apenas uma promessa eleitoralista…
Eu também gostarua de saber o motivo que levou a CML a começar este projecto em cima das eleições… Por muito que já estivesse planeado, bem poderiam ter evitado as más obras da Fernando Namora e Avenida do Colégio Militar, em que a ciclovia poderia ter sido integre no passeio sem lhe roubar demasiado espaço…
Mas quem tem de pagar são os condutores, e logo em Telheiras, com uma menor fluidez do tráfego, e em Benfica, com muito menos lugares de estacionamento. Devem criar-se alternativas, como parques subterrâneos…
Não quer com isto dizer que seja contra as cilcovias, pelo contrário, só quero que sejam bem planeadas. Agora a minha mais recente luta com a CML é a fiscalização dos estacionamentos na rua onde resido (evitar carros em segunda fila) e a redução (não é eliminação!) do parque para motas, que veio roubar 5 esctacionamentos…
Por esquecimento não referi que no slide 14. da apresentação da CML está o trajecto da ciclovia Quinta Conchas – HJM
Penso que em Telheiras apesar da diminuição de vias o tráfego continua a fluir bem. E os moradores, que estavam cépticos aquando da da confusão das obras, estão agora muito satisfeitos (pelo menos pleas pessoas que conheço de lá) porque usam muito a ciclovia ao fim de semana para passear com os filhos, etc… Em Benfica desconheço a situação mas parece-me que tiraram mais lugares de passeio do que estacionamentos. Além disso a ciclovia ainda vai entrar pela Quinta da Granja, que está prestes a inaugurar.
Conheço tb. pessoas de Benfica, Carnide, etc.. que trabalham na zona das Avenida Novas e que agora começaram a usar a bicicleta no trajecto par o trabalho – "grão a grão…" 🙂
Engraçado que já li comentários que em Telheiras está tudo muito congestionado… Quanto às ciclovias, acho errada a eliminação de faixas de rodagem (até podiam integrá-las em corredores BUS), quando os passeios têm espaço. E se isso em Telheiras não se verificava tanto, em Benifca dava à vontade…
Agora na Avenida do Brasil estão a fazer uma ciclovia. É tudo muito bonito mas só funciona para quem não tem de levar material para o escritório (ou pelo menos pouco) e quando não está a chover ;)!
Em Telheiras vou lá muitas vezes e não está congestionado. E mesmo que esteja, existe sempre a opção do transporte público (que na zona é exceletne ao contrário da Alta)
Antes pelo contrário Pedro. As ciclovias devem tirar espaço à estrada e não aos passeios. Esta é uma mácula das ciclovias que têm vindo a ser feitas em Lx – roubam demasiado espaço aos peões e pouco aos carros.
Eu levo uma pasta na parte da frente da bicileta e levo várias coisas, inclusivé equipamento de desporto qd. é necessário. E ainda posso colocar mais material atrás. A bicileta não é a salvação para a Lisboa poluída e desumana mas pode ajudar a melhorar.
Já agora costuma analisar o seguinte site?http://www.prevqualar.org/mapasprevzonas.do?combo…
Dá que pensar… não? 🙂
Bom site esse ;)!
Quanto à questão da integração das ciclovias, não acho correcto tirar espaço aos carros. Julgo que em passeios largos, como o da Avenida do Colégio Militar, bem poderiam tê-la integre no passeio. O peão não ficava com menos espaço para se movimentar porque o passeio continuava a ser grande.
Já nas ciclovias de Telheiras, o que li é que estavam mal feitas. Concorda com isso?
Mais importante do que analisar se estão ou não bem feitas é ter a certeza que algo está a ser feito de forma séria para atenuar um problema muito grave e que compromete as gerações futuras. Não tenha dúvida disso.
De qq. das formas e não sendo um especialista da área, não me parece que na sua globalidade as ciclovias o pojecto de ciclvias em lisboa esteja mal feito. O que existe sem dúvida, é falta de informação da CML sobre este e outros projectos de mobilidade. O que posso "garantir" é que as pessoas que estão à frente deste projecto, nomeadamente o Arq. Mata, são referências na área e conhecem muito bem o que tem sido feito pela Europa fora.
Claro, mas há até quem defenda que pode necessário um acidente grave para as tornar mais seguras :(, falam inclusivamente daquele "degrau" que separa a estrada da ciclovia…
Pouco eficazes são as indicações no chão em certas zonas de Benfica. Aí sim é perigoso. Mas concordará certamente comigo que local mais seguro do que a intregração no passeio não há ;)!
Pedro, O ciclista não tem que estar numa redoma. O ciclista poderá cicclar na estradas juntamente com os automóveis em vias de características lentas, como são as estradas secundárias (exemplo: ruas de bairro). As ciclovias são apenas essenciais úteis em vias principais, como é a Av. do brasil, a Fernanda Namora, O Campo Grande, etc..
Relativamente à ciclovia da Av, do Brasil não sabia que já se tinha iniciado – mais uma vez a falta de informação por parte dos responsáveis camarários. Qd. a ciclovia da Q. Conchas – HJMatos estiver pronta poderemos chegar (moradores da Alta) ao Campo Pequeno muito rápidamente e em segurança 🙂
Claro. Mas não queiras comparar a Fernando Namora com a Avenida do Brasil! Eles em Telheiras tinham mais do que possibilidades de pôr a ciclovia no passeio, evitando os estrangulamentos dos cruzamentos e das paragens do 767. Já na Avenida do Brasil, o passeio é mais estreito, mas mesmo assim no cruzamento com o Campo Grande parece bem integre… na via, julgo…
Quanto mais ciclovias melhor! Sobretudo se forem feitas para poderem ser utilizadas diariamente não apenas para um simples passeio de domingo (embora este aspecto também seja importante). De facto, existem alguns troços perigosos quando se atravessa determinados cruzamentos (desníveis e, por vezes, pouca visibilidade). Globalmente o esforço de construção de ciclovias é muito positivo. Actualmente consigo fazer o meu treino semanal de ciclista saindo da Alta de Lisboa (Av. Sérgio Vieira de Melo) e ir até ao Colombo e depois regressar, gastando menos de 1 hora com uma pequena paragem no meio. Isto graças às recentes extensões da rede de ciclovias da cidade de Lisboa! Por isso venham elas, para que o automóvel particular deixe de ser um rei com poderes absolutos na nossa cidade!
Outra coisa, já fiz esta experiência: Da Av. Sérgio Vieira de Mello até à Cidade Universitária (zona da Faculdade de Ciências) são uns simples 10 a 15 minutos a pedalar em hora de ponta da manhã. De carro, fazendo um trajecto equivalente é mais do dobro do tempo no pára e arranca e a poluir o ar! Com a bicicleta deixa de haver o tormento das Calvanas e evita-se a triste fila motorizada da "Santos e Castro". É só vantagens! Vamos ou não apoiar mais as ciclovias? Sim, porque estamos todos a ficar muito gordos com o hábito do traseiro sentado no assento do nosso carro!
Já viram o que aconteceria se na nossa cidade fosse dada prioridade ao peão, ao ciclista ou ao transporte público não poluente? Ou seja, se as ruas e estradas construídas fossem para dar o acesso mais directo possível aos locais utilizando estes meios de transporte? E se a ligação entre os bairros fosse toda ela virada para o peão ou o ciclista? Imaginem o eixo central da cidade, que é um plano pouco inclinado, adaptado para poder ser percorrido em segurança de bicicleta? Quanto tempo se demoraria desde o Campo Grande até ao Rato ou até aos Restauradores?
Será isto utopia? Sim, é. É no modelo actual de cidade em que o automóvel particular ocupa todo o espaço disponível.
Ninguém diz o contrário… Mas para isso as ciclovias têm de ser bem-feitas e seguras!
Pedro Veiga, Concordo totalmente consigo.
Eu utilizo a bicileta diáriamente e como morador da Alta demoro menos tempo a chegar ao local de trabalho. Para além disso poupo dinheiro, não emito co2 e sempre faço algum exercício.
Não tenho dúvidas que para maior parte dos moradores da Alta (não para todos, obviamente) a utilização da bicicleta juntamente com o transporte público (ou uma destas alternativas) é a opção mais racional para quem se desloca para o centro de Lisboa ou para periferias próximas.
Pedro Pinto, As ciclovias é um meio para chegar a um fim. Ninguém põe em cause que as ciclovias como outras vias de comiunicação têm que ser seguras. Inseguro é a morrte lenta que os Lisboetas têm devido à qualidade de ar, considerada umas das piores da Europa.
O importante é notar que o paradigma social actual é diferente do paradigma dos anos 80. E para isso há que mudar velhos hábitos enraízados. E é isso (não obviamente o seu caso) que algumas pessoas esquecem ao menorizar e tentar derrubar qem opta por um estilo de vida mais sustentável.
Ainda bem que ressalva que não menorizo as ciclovias.
Eu não tenho, na verdade, nada contra elas, apenas gostaria que fossem bem planeadas e seguras… E, já agora, que tivessem começado depois das eleições, porque iniciar a sua construção a 2 meses só pode ser entendido como caça ao voto…
Nalguns locais em que inseriram as ciclovias "dentro" da estrada, também teriam ganho em implementar corredores BUS…
Nem mais Nuno! Já tenho feito várias vezes a experiência de vir para o centro da cidade de bicicleta, em dia de trabalho e ao fim do dia sinto bem os efeitos da poluição atmosférica (dores de cabeça e dificuldades respiratória por reacção ao ar poluído da cidade).
Acho que os problemas do transporte de autocares de Lisboa so varios:
1.em retardo
2.velhos
3.com violencia
4.no muito comodos
5.com horarios malucos…
Entao todo o mundo de bicicleta…Rsrssr