“Edifício irregular na R. Manuel Marques”, por Pedro Pinto
29 October, 2009 by Tiago Figueiredo
Tal como publicado no Viver na Alta de Lisboa no dia 11 de Fevereiro de 2009, no dia 6 de Janeiro de 2009 remeti um e-mail à CML em que dava conta de algumas irregularidades na construção do edifício da Rua Manuel Marques.
Após vários meses de pressão e de telefonemas semanais, só no dia 20 de Maio de 2009 recebi um e-mail em que se confirmavam as irregularidades que suspeitava, nomeadamente a ultrapassagem em 60 centímetros da cota máxima do último piso, o piso 11.
De: Helena Rodrigues
Enviada: terça-feira, 2 de Junho de 2009 11:19
Para: Pedro Pinto
Cc: Nuno Caleia
Assunto: Edifício em construçãoExmo. Sr.
Na sequência do contacto telefónico e das questões colocadas, a UPAL informa:
1. De acordo com o projecto aprovado, o edifício tem 1 piso vazado+10 pisos de habitação. O piso vazado apresenta (parcialmente) uma ocupação em piso intermédio, onde se encontra 1 fogo destinado ao porteiro e 1 sala de condomínio. Ainda de acordo com o projecto aprovado existe ao nível da cobertura, em terraço, um piso recuado para arrecadações do condomínio com cerca de 2,20m de pé direito.
2. Mais se informa que, foi verificado pelo topógrafo deste serviço, ter sido já resolvida a questão da cota máxima que havia excedido o valor permitido pela ANA.
Com os melhores cumprimentos
H e l e n a R o d r i g u e s
Câmara Municipal de Lisboa
Unidade de Projecto do Alto do Lumiar
R. Manuel Marques 6H 1750-171 Lisboa
Mais tarde, no dia 2 de Junho, foi-me garantido que essa situação já havia sido resolvida. Entretanto, a “pala” permanece no imóvel. Em Julho enviei outro e-mail, ao qual ainda não obtive resposta, em que pedia esclarecimentos.
Dentro em breve espero ter novidades.



Ninguém comenta?
Já que insiste Pedro, não resisto a comentar a sua afirmação de de " que se confirmavam as irregularidades que suspeitava, nomeadamente a ultrapassagem em 60 centímetros da cota máxima do último piso, o piso 11".
É espantoso como conseguiu aperceber-se da diferença de … 60 cm.
Mas, ou eu não percebi bem, ou a "irregularidade" era na construção e, não, no projecto?
E, aparentemente, estaria resolvida. Certo?
Eu apercebi-me de que algo não estava bem através de um truque muito simples: analisar a sombra.
Aparentemente pode parece um truque ridículo mas é fácil de explicar.
No período de Verão, o Sol põe-se mais para o lado norte, no caminho do noroeste. Como este prédio faz sombra a poente para a Manuel Marques, nesse período ao fim da tarde analisei a sombra que fazia nos outros prédios, comparando-a com o outro prédio pelo qual a cércea se alinha: o do Millennium BCP.
O que notei foi um avanço de um andar na sombra deste novo prédio em relação ao antigo. Ou seja, se o alinhamento da cércea se faz por lá, a sombra teria de dar igual… E não está.
Isso pode ser explicado pela pala que refiro e por estes 60 centímetros a mais que foram corrigidos depois de ter feito esse "teste". Diga-se que sempre acompanhei de perto esta construção e logo em Janeiro notei que o alinhamento da cércea não podia ser igual ao do prédio do Millennium BCP, precisamente por estarem a fazer a tal pala.
Grandes edifícios= muito mais automóveis. Isto para uma zona já completamente saturada de veículos não é nada bom. Nesta zona da cidade faltam parques e passeios com espaço para o peão ter também direito à cidade. Muito se construiu e o resultado é uma elevada concentração de habitações numa malha urbana muito apertada de acordo com os padrões modernos de uma cidade. Mas Lisboa é isto: grandes volumetrias e pouco espaço à volta. Como alterar este padrão?
É verdade. Mas na Alta de Lisboa podemos dizer que há grandes espaços verdes… Mas que este prédio é uma aberração, isso é inegável. Mas se formos para o Parque das Nações o cenário e o mesmo :(!
Isso não tem de ser assim, Pedro. Vê lá aqueles subúrbios americanos, de vivendas com jardim. Todos vão de carro para o centro da cidade.
Com um bom sistema de transportes que tenha prioridade sobre os automóveis privados, as pessoas farão a opção mais rápida e económica. Mas se os tempos de espera nas paragens forem longos, se depois os autocarros estão sobrelotados com os passageiros ensardinhados, é de esperar que prefiram gastar mais em gasolina, mas ir sentadas a ouvir música no seu automóvel.
A maioria das pessoas a viver em subúrbios americanos não vão para o centro da cidade de carro.
Aliás por muito estranho que isto lhe pareça, uma minoria só vai à cidade de dez em dez anos.
O estacionamento no cento das cidades é caríssimo, portanto as pessoas optam por usar transportes públicos ou andar de carro com aqueles que têm a sorte do emprego lhes oferecer estacionamento subsídiado.
A maioria conduz o seu carro apenas até à estação de comboio ou metro mais próxima.
Sendo que só faz longos percursos de metro (mais de hora e meia) os muito pobres! A classe média anda de comboio!
A América não são só os filmes que vê do seu sofá!
Aberração por causa dos 60 cm a mais? Num prédio de cerca de 40 metros de altura?
Não, o próprio prédio! Então não tive já oportunidade de lhe demonstrar que a cércea não está alinhada com o outro edifício do Millennuim BCP? Que a pala lhe adiciona mais um andar?
Ando distraído. Não consegui perceber que a pala acrescenta mais um andar. Tem mais 60 cm ou mais um andar?
Não tem problema ;)! Talvez não me tenha explicado bem.
Há, de facto, uma pala que vai acrescentar na sombra mais um andar. Mas ao mesmo nível, no piso 11, recuada, aparecia a tal caixa dos elevadores, que excedia a cota permitida em 60 centímetros.
Ou seja, se por um lado me deram razão na CML, que algo não estava bem, por outro não fizeram muito de útil, ou seja, não deitaram abaixo a pala… E sem ela o edifício já ficaria igual ao do Millennium BCP ;)!
O meu sofá é realmente muito bom para ver filmes, Ana.
Pois, vi um doc na rtp2 há uns tempos sobre isso, e a tese que passavam era essa, de irem todos de carro. Não me lembro que cidade era.
O que os americanos a viver nos subúrbios são pródigos a fazer é a fazer tudo de carro. Até comprar pão!
mas nisso os portugueses não são muito diferentes!
Há no entanto umas diferenças assinaláveis:
As distâncias (o movimento pendular de uma cidade como NY é quase do tamanho de Portugal)
O tamanho dos carros(lembro-me de num Car Show a maioria olhar para os modelos europeus como eu olho para uma lata de sardinhas)
E claro as casas enormes feitas de madeira que são aquecidas a gasóleo durante mais de seis meses por ano! (Nós temos o sol!)
Pois, era isso que passava no doc que vi, que eles faziam tudo de carro.
Tiago alguns comentários das minhas amigas americanas do facebook que ilustram aquilo que disse:
E isto apenas nas últimas 24 horas.
"JR is getting a new hot water heater. Oh, the joys of home ownership."
"NF Is not havin a good morning, this stupis f**kin L train, as highly demanded this train is needed they can't get this shyt operation right Yet! Damn!"
"JR Ahhh hah move to Flatbush where the trains wrk better!!! (-:"
"MT Hey Abby, did you want to car pool with Lisa and I when we go to Shan's?"
"AS Just because you see a space on the train between two people doesn't mean that you can fit. …lol…. NYC trains ahhhh lol"
Interessante, não?
Aquilo de q o Pedro Veiga fala merece atenção. Se desejarmos muitas coisas aqui na Alta podemos ver o que desejámos virar-se contra nós. O trânsito e o estacionamento no Parque das Nações é um problema. Não sei se quero muitos escritórios aqui. Não sei se quero movimentos pendulares (ou como raio lhes chamam). As ruas não alargam – mesmo quando, como aqui, muitas ainda estão por construir :p – e mais gente significa mais carros, mais confusão. Essa história de uma boa rede de transportes não existe e não irá existir nos próximos tempos. O metro já se foi. A Carris faz o que muito bem entende e está-se bem lixando para a população.
O ideal seria uma boa rede de pequenas lojas – nada de centros comerciais – para isso o Colombo, o Loures Shopping ou o Olivais Shopping servem perfeitamente e estão perto;
Equipamentos culturais – prefiro museus, jardins e coisas assim a um escritório da Vodafone ou da PT.
E, por fim, equipamentos desportivos de pequena e média dimensão, vocacionados para o uso de pessoas e colectividades, por oposição a estádios para uso comercial.
Ou seja, prefiro um sítio calmo a excesso de "vida" que facilmente pode transformar a Alta num caos.
Concordo consigo!
Um cinema, um museu ou vários, uma quinta recuperada e em actividade e lojas muitas lojas e alguns restaurantes (chinês, indiano, japonês, vegan)
fazem muita falta aqui!
Não entendo porque os comerciantes não apostam na zona!
Tenho tantas saudades de uma patisserie/Casa de chá a sério. Estou farta de bolas de berlim e mil folhas do tamanho de um automóvel!
Quanto aos transportes públicos continuo espantada com as espectativas. O metro da Ameixoeira é mais perto de minha casa do que o da 59th Street era da Lexington Av ou o de Hampstead era de Akenside Road. Já para não mencionar a camioneta de manhã e à noite em Trancoso!
Eu não quero uma estação de metro à porta de minha casa. Quero apenas passeios largos que me "levem" até lá!
As cidades dos camones não são todas iguais.
Em Nova Iorque podes andar a pé ou de transportes públicos – a cidade está construída em altura.
Los Angeles, por exemplo, está construída em extensão. Qualquer coisinha fica longe para xuxu.
Os transportes públicos são para os pobrezinhos mesmo. Quem tem de seu vai de carrinho a todo o lado. Por outro lado, os bairros tendem a ser auto-suficientes. Cada bairro tem o seu supermercado, o seu cinema.