Vergonha sem sentido
17 September, 2009 by Pedro
O PSD, com maioria na Assembleia Municipal de Lisboa e apesar da discordância da sua número um, Paula Teixeira da Cruz, decidiu inviabilizar a aprovação do Plano Local de Habitação (PLH), amplamente debatido pela vereação, com participação recorde dos cidadãos e, nas palavras da deputada municipal, “um trabalho bem feito e um conjunto de objectivos que devem suportar futuras políticas”.
Chicana política de baixo calibre a revelar muito do modo como se faz política em Lisboa.
Mas a hipocrisia não se fica pelos apaniguados do candidato PSL. O PCP e os Verdes repetiram a graçola feita na votação da vereação e resolveram abster-se.
Porque, digo eu, lhes ficaria mal votar favoravelmente um documento apoiado pelo partido do execrado primeiro-ministro.
Quanto ao PLH, abstenho-me de repetir tudo o que por aqui escrevi (ler, por exemplo, isto e isto). Só acrescento que o considero um ponto de partida de altíssima qualidade para a reabitação da cidade. Ponto de partida, a necessitar de um trabalho igual ao que foi efectuado para a sua criação, para a definição das estratégias e instrumentos que a tornarão realidade.
Isto se a esquerda vencer. Do PSD já veio o recado que vai tudo para o lixo.




Clones. A política do penico. Não surpeende se acompanharmos o papel que o PSD teve na AM nos últimos dois anos.
É uma tristeza deprimente, o panorama actual. Para qualquer lado para onde nos viramos a paisagem é de esgoto a céu aberto.
Salva-se a Paula Teixeira da Cruz, uma mulher inteligente, com honestidade intelectual. Coisa rara, muito rara mesmo, de encontrar seja onde for.
Discordo totalmente da posição que os deputados municipais do PSD tomaram.
O PLH é um documento necessário para a cidade. Tem muitos aspectos positivos e obedeceu a um trabalho muito válido e meritório. Há muitos anos que Lisboa esperava por um documento com estas características e será muito negativo que o mesmo não seja aproveitado e eventualmente melhorado.
Não tem sentido não o aproveitar.
Desculpem, mas porque é que o PHL é um documento necessário para a cidade ?
Qual foi a utilidade de fazer um mailing de 320 mil folhetos/questionários para receber 349 respostas por escrito e 761 online? Qual foi o custo/benefício desta iniciativa ?
Basta lê-lo.
Quanto ao mailing, talvez seja melhor decidir políticas em gabinetes, abrir clandestinamente períodos de consulta pública e depois queixar-se cinicamente que os cidadãos não participaram.
Eu li. É uma grande lista de "boas intenções". Umas realmente boas, outras nem tanto. Quanto custa cada uma das 132 "medidas"? Como serão financiadas?
O folheto ("consulta pública"):
Objectivo 1A Melhorar a qualidade do parque habitacional – 87,7% das respostas (1079) concordaram. Os outros objectivos têm percentagens de concordância semelhantes.
Eu também concordo. As perguntas foram feitas para todos concordarem. But the devil is in the details. Se tivesse sido: Objectivo 1A Melhorar a qualidade do parque habitacional através de um programa municipal com um custo de x €, financiado com um aumento dos impostos municipais de y %. Concorda? Talvez não fosse tão consensual, mas seria participação a sério.
Ou seja, 320 mil eleitores, a poucos meses das eleicões, ficaram a saber que a Arq. Roseta coordenou um plano muito interessante, com muitas medidas que toda a gente genericamente concorda.
Será isto "marketing"?