Graffitis em Barcelona
11 September, 2009 by Tiago Figueiredo

Barcelona é uma cidade onde confluem gentes de toda a Europa. É um fervilhar constante pelas ruas, a agitação das ramblas, a euforia estudantil no bairro gótico, os turistas a deambular de um lado para o outro com a máquina em riste.
Um sinal visível deste interesse cosmopolita é a quantidade de street artists que deixam a sua marca nas ruas de Barcelona. Desde bailarinos de hip hop de um nível acrobático impressionante, até à abundância de graffits e tags.

Curiosamente, são raras as invasões da chamada arte urbana nas paredes de prédios habitados. A ideia que passa é que a generalidade dos writers conhece e respeita o livro de estilo e apenas pinta prédios devolutos, persianas de lojas ou até em objectos que mais parecem eles próprios vandalismo do que equipamento urbano.




Desculpem o offtopic, mas todos nós sabemos que o quartel general do SIS é muito mais perto da nossa zona do que uma quinta em Loures, certo?
Parece que temos 2 novos vizinhos.
Expresso
5 de Setembro
Sírios de Guantánamo tratados como suspeitos em Portugal
Os dois homens transferidos de Guantánamo para Portugal foram declarados inocentes, mas as autoridades mantêm-nos debaixo de olho. Apesar de um juiz americano ter decidido libertar os ex-detidos de Guantánamo que foram transferidos para Portugal na semana passada, os dois cidadãos sírios estão a ser encarados pelas autoridades nacionais como suspeitos de terrorismo. Essa é a principal razão, pelo que o Expresso apurou, para estarem sob vigilância permanente do SIS, os serviços secretos portugueses (ver texto ao lado). "Eles não foram acusados, mas não deixam de estar referenciados nos serviços de informação de todo omundo como suspeitos de ligação a grupos extremistas", explica uma fonte próxima do processo de transferência.
"A vigilância só não inclui escutas porque não são permitidas em situações como estas.
O mesmo não aconteceria se os sírios tivessem sido acolhidos na Grã-Bretanha".
O sigilo sobre a identidade dos ex-presos foi uma das condições exigidas por Portugal aos Estados Unidos para a transferência, para manter a situação deles o mais discreta possível,mas a imprensa norte-americana acabou por divulgar os nomes na segunda-feira, permitindo traçar os perfis de ambos antes e depois de chegarem a Guantánamo.
Tal como em muitos outros casos, um tribunal federal americanoconsiderou ilegais as provas obtidas pela CIA e pela inteligência militar contra os dois sírios e omodo como foram detidos e interrogados, com recurso à tortura, não havendo justificação para continuarem encarcerados. Contudo, os documentos de Guantánamo agora desclassificados alimentam as dúvidas sobre se estão ou não envolvidos com a Al-Qaeda.
Moammar Badawi Dokhan, o mais velho dos dois ex-detidos, com 37 anos, apareceu em quatro listas de nomes encontradas em diferentes ocasiões no Paquistão como sendo de membros da Al-Qaeda. Uma dessas listas estava no computador de "um operacional graduado" da organização terrorista. Dokhan teria viajado da Arábia Saudita para o Afeganistão em Julho de 2001 com a intenção de se juntar aos talibãs. Terá recebido formação militar em Bagram, onde serviu como guarda num posto de observação, sendo capturado na fronteira com o Paquistão no início de 2002.
Nos interrogatórios em Guantánamo, Dokhan afirmaria ter apertado a mão a Bin Laden e declarou a sua veneração por ele. Em Setembro de 2005, foi considerado suspeito de ter estado envolvido na morte de cinco polícias paquistaneses numa revolta de presos. Durante os sete anos de prisão, tambémmanifestou o desejo de matar americanos e declarou que, se fosse libertado, lutaria contra os Estados Unidos em qualquer parte do mundo onde se encontrasse.
A história de Mohammed Khan Tumani é mais complexa.
É umdos 22 casos de presos menores de idade quando entraram em Guantánamo, embora não haja certeza sobre isso, porque chegou a afirmar ter nascido em 1982, o que faria com que tivesse 20 anos na altura. A sua advogada, de qualquer forma, mantém até hoje a versão inicial e ele consta dos relatórios de abusos a menores de idade da Amnistia Internacional.
O maior problema de Mohammed foi o percurso do pai, Abdul Nasser Khan Tumani, capturado no mesmo momento no lado paquistanês da fronteira com o Afeganistão, perto das montanhas de Tora Bora, em Novembro de 2001, e que ainda se encontra detido em Guantánamo.
Abdul foi para o Afeganistão em 1999 e mandou a mulher e os filhos ao seu encontro em Junho de 2001. Durante três meses, a família de 17 elementos, incluindo Mohammed, o filho mais velho, estiveram a viver em Cabul sem sair de casa, enquanto Abdul ia trabalhar num restaurante e vender comida no mercado. Mohammed disse nunca ter ido ao trabalho do pai.
Quando o 11 de Setembro aconteceu, Abdul decidiu fugir da guerra que vinha aí. Mas, em vez de se dirigir para a fronteira do Irão, mais segura e mais próxima da Arábia Saudita, para onde diz que queria fugir, foi para a zona onde Bin Laden travou a sua última batalha antes de desaparecer pelas montanhas que ligam oAfeganistão ao Paquistão.
O azar de Abdul Nasser foi, além de constar juntamente com o filho em listas da Al-Qaeda, ter como senhorio e sócio em Cabul o curdo Abu Abdullah al-Shami, um dos comandantes da rede terrorista no Afeganistão, morto durante um ataque aéreo em Julho do ano passado.
(cont.)
Negociada vinda de terceiro detido
As 'secretas' dos Estados Unidos e Portugal estão a estudar a hipótese de acolher mais um prisioneiro de Guantánamo.
Portugal pode acolher nos próximos meses mais um "libertado" da prisão de Guantánamo. Duas fontes próximas do processo confirmaram ao Expresso que esta hipótese "está a ser negociada" com a Administração norte-americana.
Nenhuma delas esclareceu se o novo refugiado é de nacionalidade síria ou familiar dos dois homens que já chegaram a Portugal.
Khan Tumani e Badawi Dokhan estão a ser vigiados "com extrema discrição" por agentes do SIS. "São cidadãos livres, não cometeram nenhum crime em Portugal. Teoricamente não há razão para serem controlados pelos serviços secretos", afirma um operacional no anonimato. Na prática, a 'secreta' segue atentamente os passos dos dois homens, que moram em residências cedidas pelo Estado português.
Recebem um subsídio, mas o ministério da Administração Interna não esclarece se é o Estado português a pagar. Quando Portugal acolheu um refugiado palestiniano foi a Cruz Vermelha a garantir o pagamento.
Ao que o Expresso pôde apurar, Tumani e Dokhan estarão a viver em residências diferentes, mas não muito distantes entre si, na área da Grande Lisboa. Muito possivelmente nas próprias instalações do SIS, numa quinta em Loures. Uma semana depois de os receber, o Estado português está a desenvolver esforços para que se integrem rapidamente na sociedade. O objectivo é que os dois sírios exerçam uma profissão, de preferência ligada à actividade que desempenhavam no país natal. Segundo omesmo responsável, existem outros motivos "menos óbvios" para que as autoridades se empenhem em lhes dar um livre-trânsito. "Se tiverem, de facto, ligações a radicais islâmicos é provável que, um dia, entrem em contacto com eles".
Na 'inteligência', cresce a convicção de que os serviços secretos dos EUAnão se desinteressaram dos dois ex-detidos. "Os americanos não lhes atribuem demasiada importância,mas depois do 11 de Setembro aprenderam a não se deixar iludir pelas aparências", diz esta fonte.
Podem os portugueses dormir descansados se um dia tiverem ex-presidiários de Guantánamo como vizinhos do lado? "Não há motivo para alarme. Mesmo que não sejam inocentes, eles não vão querer fazer asneiras no país de acolhimento", diz o operacional. "Seria um grande erro até porque fechariam as portas a outros prisioneiros." Nada impede que os sírios abandonem o nosso país em qualquer altura, se for essa a sua vontade. Mas para se deslocarem para um Estado da União Europeia, terão de pedir um visto adicional, uma vez que o seu visto especial para entrada e permanência temporária só é válido para território nacional.