Carta ao Provedor do PÚBLICO
24 August, 2009 by Tiago Figueiredo

(fotografia retirada daqui)
From: Viver na Alta de Lisboa
Date: 24 de agosto de 2009 18:36:31 GMT+01:00
To: José Manuel Fernandes, Ana Henriques, Provedor do Leitor
Cc: Bárbara Reis, Paulo Ferreira
Subject: PÚBLICO – Local Lisboa – 8 de Agosto de 2009
Ao Provedor do Leitor do PÚBLICO,
Ao Director do PÚBLICO,
À jornalista Ana Henriques,
No passado dia 8 de Agosto foi publicada no vosso jornal uma reportagem sobre os saldos de apartamentos na Alta de Lisboa. Em dada passagem do artigo, o site Viver na Alta de Lisboa é citado dando um parecer negativo do enquadramento social do bairro.
A frase citada está longe de ser o resumo da nossa análise da realidade social da Alta de Lisboa.
Foi antes retirada de um artigo a dar conta de uma iniciativa rara na cidade de Lisboa, envolvendo inúmeras instituições, associações e entidades do bairro, que arrancará no próximo ano lectivo. Não fomos contactados nem por email nem por telefone, e consideramos abusivo de vossa parte a utilização de uma frase do artigo para ser transformada em posição e opinião oficial do nosso Movimento Cívico.
Lamentamos a utilização tendenciosa de artigos do nosso site para sustentar a leitura simplista e redutora da jornalista sobre a Alta de Lisboa, criada à distância, sem contactar directa e pessoalmente qualquer uma das forças vivas da população deste bairro.
A Alta de Lisboa tem sido prejudicada pelos sucessivos atrasos na execução do plano de urbanização subjacente, por responsabilidade quase total da Câmara Municipal de Lisboa, conforme temos vindo a denunciar há mais de 4 anos. Por dezenas de vezes temos dado conhecimento ao PÚBLICO de diversos aspectos dessa realidade – através de inúmeros telefonemas e emails enviados para a vossa redacção – sem que isso tenha resultado em tratamento jornalístico. São esses atrasos que sacrificam a sustentabilidade do projecto e condenam a integração social da população realojada, um dos principais objectivos do Plano de Urbanização lançado pela CML no início dos anos 80.
Estranhamos pois que o PÚBLICO ignore as causas primeiras da realidade social do bairro e opte pelo registo fácil de amplificar a degradação do edificado e o absentismo escolar. Terem colocado uma fotografia com mais de três anos, eliminando o Parque Oeste – o maior espaço verde criado de raiz em Lisboa desde o parque florestal de Monsanto – revela mais uma vez o desleixo profissional com que a jornalista abordou o assunto.
É uma pena que o PÚBLICO recorra a textos do nosso site – porque lhe convêm ter uma entidade a dar a cara pelo que pensa a jornalista – e não tenha o incómodo de nos contactar, não se coibindo depois de fazer jornalismo de uma forma fácil mas enviesada, incompleta e injusta.
Há uma máxima que muito irrita os jornalistas, mas que se aplica em muitos casos: “Não deixe que a verdade estrague uma boa história”.
Sem outro assunto,
Tiago Figueiredo
Viver na Alta de Lisboa
A notícia em causa:
Alta de Lisboa põe 100 casas em saldo no Lumiar para tentar vendê-las
Vandalismo continua a ser um problema nas novas urbanizações. Expressa-se nas mais variadas formas: desde os graffiti à destruição de bens
A Alta de Lisboa está em saldos. Depois de três anos sem conseguir vender todos os apartamentos do empreendimento Jardins de S. Bartolomeu, a Sociedade Gestora do Alto do Lumiar (SGAL), do empresário Stanley Ho, decidiu baixar os preços.
Os T2 de 100 metros quadrados do empreendimento, situado junto a uma nova zona verde da Alta de Lisboa, o Parque Oeste, ficam agora por 148.200 euros. Um preço que, apesar de baixo, inclui estacionamento, arrecadação e alguns equipamentos de cozinha. Quanto custavam antes dos saldos, que a empresa anunciou que irão durar até ao final do ano? A SGAL não diz, alegando que já não possui esses dados. Certo é que já em 2006 ali se vendiam casas a preços abaixo dos praticados em Odivelas, com T1 a partir dos 125 mil euros. Desta vez, a Sociedade Gestora do Alto do Lumiar anunciou, em comunicado, que esta tipologia tinha baixado para os 115 mil.
Mas afinal existe apenas um apartamento de duas assoalhadas à venda.
Com pelo menos 254 metros quadrados, os T5 estão neste momento a 375.286 euros. Segundo o adjunto do director comercial da empresa, António Machado, os descontos oscilam entre os dez e os 17 por cento.Visitas da polícia
“É aproveitar! São preços fantásticos”, alicia António Machado, desvalorizando uma certa má reputação desta nova zona da cidade. Motivo: a “má vizinhança” provocada pelo realojamento na Alta de Lisboa dos moradores da Musgueira, um antigo bairro de barracas que ali existia, conhecido sobretudo pelas frequentes visitas da polícia. O estigma, de resto, não desapareceu. O site Viver na Alta de Lisboa fazia ainda há dois meses um diagnóstico pouco atractivo da situação: “Existe no bairro uma população infantil e adolescente com grande absentismo escolar, ausência de expectativas profissionais e pessoais, tempo de sobra durante o dia e poucas ocupações construtivas, uma ligação ao bairro frustrada/revoltada fruto de um processo de realojamento imposto e pouco satisfatório”. Resultado? “O vandalismo é expresso de variadas formas, mas as mais frequentes são as tags, os graffiti e a destruição de bens”. Em Maio passado quatro adolescentes foram filmados a atirar um televisor a um dos lagos do Parque Oeste, que foram fazer companhia a um triciclo e um estendal de roupa que já lá estavam.O próprio director financeiro da empresa admitia há três anos que os apartamentos próximos dos prédios de realojamento – como é o caso dos Jardins de S. Bartolomeu – eram mais baratos do que os restantes, apesar de, nalguns casos, os prédios dos mais desfavorecidos serem exactamente iguais aos dos restantes moradores.
A cerca de dez minutos de caminho da estação de metro da Ameixoeira, os prédios com casas em saldo não estão pintados, porque a fachada é em betão envernizado e tijolo, mas têm painéis fotovoltaicos que permitem a venda de energia à rede eléctrica, uma receita que depois é abatida na prestação do condomínio. As casas de banho têm acabamentos em madeira, material igualmente usado nas portadas das janelas dos quartos, para bloquear a entrada de luz. Será que a SGAL ainda consegue ganhar dinheiro com estes preços? O adjunto do director comercial garante que sim. E explica que é melhor vender barato do que não vender, como tem acontecido até aqui. Quem já ali habita não ficará indignado por ter pago um preço mais elevado? “Os moradores preferem ter o prédio habitado a vê-lo praticamente devoluto”, responde António Machado.
17%
é quanto a Sociedade Gestora do Alto do Lumiar estima que tenha sido o desconto máximo sobre o preço inicial. Já há três anos se vendiam casas na Alta de Lisboa por preços inferiores aos praticados em OdivelasAna Henriques – PÚBLICO



É realmente de lamentar que a jornalista do PÚBLICO tenha optado por seguir este caminho.
Se tivesse falado com o Movimento Cívico Viver na Alta de Lisboa, teria tido a ganhar na compreensão do PUAL e dos seus objectivos urbanísticos e sociais. Teria percebido que, como refere o Tiago, são os sucessivos atrasos na execução do Plano "que sacrificam a sustentabilidade do projecto e condenam a integração social da população realojada”.
Se tivesse contactado as instituições, associações e entidades do bairro, conheceria o trabalho que tem sido desenvolvido em conjunto com a população residente e os frutos já dados. Perceberia a vontade que a as pessoas da Alta têm no sucesso deste projecto e nos “sucessos” que por cá têm acontecido e vão continuar a acontecer.
Usar uma foto desactualizada, um título vulgar e, principalmente, utilizar informação publicada no site do Viver num contexto completamente desadequado e que permite uma interpretação distorcida da realidade é desonesto e pretencioso; e nem compreendo claramente qual o objectivo desta notícia…
De facto a reportagem da jornalista Ana Henriques mostra uma imagem redutora da Alta de Lisboa sem consultar as entidades que ali vivem, trabalham ou sobre ela escrevem.
Foi buscar uma foto e declarações de há 3 anos, da mesma altura da campanha que a SGAL andou a fazer para escoar os apartamentos por vender ("Faltam "x" dias para terminar") e depois tentou (???) actualizar-se indo ao site do Viver onde "esqueceu-se" de ler TUDO o resto que está publicado e onde é referido que uma das principais causas dos problemas da Alta de Lisboa chama-se Câmara Municipal de Lisboa …
Acima de tudo a jornalista Ana Henriques mostrou duas coisas que envergonham um jornal com a qualidade a que o PÚBLICO nos habitou (ou tinha habituado): PREGUIÇA e INCOMPETÊNCIA.
Parece uma notícia fruto da "silly season"… para encher "chouriços"… Só falta ter vergonha na cara e dizer quem lhe "encomendou" esta fraca peça jornalística.
Lembra-nos a história da jornalista que o Tiago encontrou há uns anos atrás e de que falou aqui: <a href="https://teste-viverlisboa.animoleve.com/?p=1007” target=”_blank”>https://teste-viverlisboa.animoleve.com/?p=1007
Será que o Público irá publicar a resposta do Viver? Haja vergonha…
É por isso que nem me dou ao trabalho de ler o Publico… noticia muito fraquinha…
então o titulo é muito mau… porque se pensar-mos bem, Alta de lisboa por 100 casas em saldo no Lumiar!!!! loool então a Alta de Lisboa ia por casas a vender a onde??? em Benfica ou no Restelo…
Por alguma razão a alta de lisboa pertence ao Lumiar e não só…
É não ligar porque porque esta jornalista é muito mazinha…
Parabéns Tiago pela resposta. Espero que disperte alguns espíritos nesse jornal. Esta pseudo-notícia não traduz em nada a sensibilidade do Viver nem da Alta. Todos sabemos dos problemas que o mercado imobiliário atravessa e que não são exclusivos do nosso bairro. Todos os empreendimentos, excepto os de muito alto preço, estão com vendas quase paradas. É o que os próprios jornalistas dizem. Problemas de vandalismo, infelizmente quase todos os bairros urbanos e suburbanos, em Portugal ou no estrangeiro, possuem. Não é preciso ir muito longe, basta ver como estão as fachadas dos prédios em Sete Rios, teoricamnete uma zona para uma classe mais abastada. Se as casas estão caras, não se vendem e estão desfasadas do mercado, se estão baratas é porque não prestam!
Aqui devia-se ter valorizado o facto de, apesar dos problemas, existirem pessoas no bairro que se preocupam, discutem e tentam arranjar soluções.
Mal vai o nosso jornalismo…
Como isto não mete o Belenenses não sei se terás resposta. :p
Esta "notícia" é uma verdadeira vergonha, do principio ao fim. É triste ver ao que o jornal Público chegou.
Parabéns Tiago pela resposta!
de: Viver na Alta de Lisboa (viveraltadelisboa@gmail.com);
para: provedor@publico.pt
data: 1 de novembro de 2009 13:05
assunto: Fwd: PÚBLICO – Local Lisboa – 8 de Agosto de 2009
enviado por: gmail.com
Exmo Sr.
Continuo a aguardar resposta a este email.
Cumprimentos,
Tiago Figueiredo
Viver na Alta de Lisboa
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