Balanço do CineConchas 2009

3 August, 2009 by  

Chegou ao fim a edição de 2009 do CineConchas. Com uma programação eclética, variada no género, procurando cativar públicos diferentes e oferecer diversidade de oferta à população do bairro, foi conseguida uma afluência muito superior à da primeira edição, confirmando o CineConchas como uma aposta séria, de qualidade e com grande futuro pela frente.

Procurámos juntar géneros cinematográficos diferentes para uma variedade de oferta cultural mais vasta, visando alargar os públicos interessados, os que vêm propositadamente ao CineConchas para uma sessão específica e que acabam por ficar a conhecer o espaço e o evento, e dar novas experiências ao público mais fiel, maioritariamente do bairro, que pela proximidade acede ao evento com maior regularidade.

(fotografia de Mr. Steed)

De 2008 para 2009, o CineConchas duplicou o número de sessões, passando de seis para doze. A aposta foi inteiramente ganha, não se confirmando os prognósticos mais reservados de saturação no público, apesar das noites frias que mais uma vez nos surpreenderam em Julho, e de metade do evento decorrer durante um dos principais períodos de férias dos Lisboetas.

Pelo contrário, à semelhança do ano passado, inúmeras pessoas nos fizeram sentir a sua vontade de continuidade do evento por Agosto dentro. Mais sessões houvesse e continuaríamos a ter plateia cheia.

As sessões

Mais uma vez, como em 2008, não temos sido abençoados por condições climatéricas normais para a época. Noites anormalmente frias e ventosas que afastam muita gente. Mesmo assim, contámos desde o início do CineConchas 2009 com uma adesão de público significativamente superior à do ano passado:

2 Jul, 007 Quantum of Solace : 800 pessoas

3 Jul, A Turma : 700 pessoas

4 Jul, Lisboa – Crónica anedótica : 350 pessoas

9 Jul, Tempestade Tropical : 600 pessoas

10 Jul, Ratatouille : 900 pessoas

11 Jul, Juno : 600 pessoas

16 Jul, Mamma Mia! : 1700 pessoas

17 Jul, Infiltrado : 650 pessoas

18 Jul, Expiação : 500 pessoas

23 Jul, Destruir depois de ler : 650 pessoas

24 Jul, Wall-E : 850 pessoas

25 Jul, Vizinhos : 350 pessoas

Total das 12 sessões: 8650 espectadores

Em 2008, no final das 6 sessões, tínhamos contado um total de 2600 espectadores, uma média de 433 espectadores por sessão. Em 2009, foi atingida a média de 720 espectadores por sessão, mesmo tendo em conta que a programação incluía géneros que, à partida, trazem menos público: a sessão de 4 de Julho, com um filme mudo de 1930 com acompanhamento improvisado ao piano, género tradicionalmente menos acessível e menos apetecível para o público mainstream, mas que mesmo assim conseguiu uma plateia semelhante à da estreia do CineConchas 2008, e a projecção de Vizinhos, no dia 25 de Julho, que sendo um documentário interessa a um público mais específico.

(fotografia de Henrique Relógio)

De 2008 para 2009 registou-se um aumento de adesão de público de 66%.

O CineConchas está muito bem encaminhado para se tornar um evento de referência na cidade de Lisboa. A parceria entre o Centro Social da Musgueira e o Viver na Alta de Lisboa sintetiza os objectivos de integração social do projecto urbanístico que deu à luz esta nova cidade, juntando população realojada e de venda livre, sem estigmas, sem receios, com um objectivo, uso e convivência comuns. A parceria com a EGEAC, e o repetido destaque dado ao CineConchas no lançamento das Festas de Lisboa, revelam a importância estratégica que este evento tem na dinamização cultural e social da população lisboeta.

Mas uma iniciativa tão ambiciosa com tão poucos recursos financeiros jamais seria possível sem todas as restantes parcerias conseguidas. Um projecto que visa a união pacífica de duas populações habitualmente de costas voltadas foi possível também graças à união e solidariedade de todos os que a ela se associaram.

O sucesso do CineConchas é por isso também de todos os que se nos juntaram: a Maumaus – Escola de Artes Visuais, o Destak, aeiou e MopTv, o Vip Hotel e o Ibis, o Restaurante Conchas e pizzaria Speedy Pizza, a Luís&Frazão, a Cinemateca Portuguesa, a Fernando Rosado, Lda., a Polícia Municipal, os Sapadores Bombeiros de Lisboa, a UPAL, a Vereação da Cultura da CML, a DESA-CML, a DMAU-CML, e a Polícia Florestal.

Foi fundamental o patrocínio financeiro da GEBALIS, da SGAL, da Junta de Freguesia do Lumiar, da Junta de Freguesia da Ameixoeira e da Luís&Frazão.

O índices de crescimento de todos os elementos associados ao evento (público, parceiros, apoios), mostram que o CineConchas é unanimemente considerada como uma aposta válida e importante para Lisboa.

(fotografia de Henrique Relógio)

Organizar e dar vida ao CineConchas tem sido uma experiência fantástica e inesquecível para todos os envolvidos na equipa. Uma verdadeira equipa, unida, feliz, generosa e onde reina a amizade. É um privilégio raro.

Comments

12 Responses to “Balanço do CineConchas 2009”
  1. AV1 says:

    Olá, eu estive na estreia, no 007 Quantum os Solace e acho a iniciativa fantástica, até porque sou fã da quinta da qualquer hora do dia. Teria ido a muitos mais, mas o facto de o ecrã estar mais baixo do que as cadeiras do segundo patamar que, por sua vez, não estão desniveladas entre si dissuadiu-me disso. Deixo, portanto, a proposta para que no próximo ano levantem mais o ecrã ou o mudem de local, de modo a que todos possam ver o ecrã e não apenas metade dele como foi o meu caso.
    Parabéns pela afluência e continuem!

    • Tiago says:

      Que pena não ter vindo nas outras sessões… Logo na 2ª semana subimos o ecrã mais um metro. A visibilidade melhorou imenso, mas mesmo assim queremos mais e melhor em 2010. Aceitamos sugestões para que todos possam sair de cada filme com vontade de voltar no próximo.

    • MrSteed says:

      pessoas próximas da organização (a gente q por aqui anda) já chatearam a molécula para corrigir isso. a organização está ciente do problema e da melguice e além do metro adicional a partir da segunda sessão (pode parecer pouco mas melhorou imenso) está a estudar outras melhorias para 2010.

  2. Aceitam reservas para 1ªas filas já para 2010? Gostei bastante que associassem "apontamentos artísticos", como o piano e as curtas às projecções dos filmes, enriquecendo o momento sem o tornar pretensioso ou enfadonho. Ficou bastante claro que o cineconchas já marcou o seu lugar nas festas da cidade!

  3. Ana Barata says:

    As curtas foram o resultado do trabalho de alguns jovens da Alta que frequentam a Mediateca do Centro Social da Musgueira. Tratou-se de um projecto dinamizado pelo Viver e apoiado pela Gebalis: o Short Docs. Os jovens deram os seus primeiros passos no mundo do vídeo, do documentário e do cinema. Os pequenos documentários que aprenderam a fazer foram exibidos no CineConchas antes dos filmes e esta visibilidade foi inteiramente merecida. Talvez a Alta venha a ter, no futuro, grandes talentos nesta área…

    Quanto ao CineConchas… foi óptimo ver a adesão do público e a satisfação das pessoas. Houve propostas diferentes, mas acho que ninguém se sentiu defraudado. Sei que em 2010 tentará ser ainda mais inovador e cuidará de melhorar muitos pormenores. Mas até lá… vou ter saudades do CineConchas 2009.

  4. Estive em bastantes sessões e adorei o CineConchas 2009.

    Parabéns a toda a equipa que o organizou e conseguiu juntar tanta gente e um público tão diversificado, sem preconceitos. Acho que o público também está de parabéns por ter criado, noite após noite, uma energia tão positiva!

  5. Gostava de deixar umas palavras sobre o “Vizinhos”.

    Não fazia a mínima ideia do que ia ver. Apenas a fotografia publicada no Viver me fazia prever as cores deste “Vizinhos”.
    O que posso dizer é que fiquei presa à tela o tempo todo.
    Fui ouvindo comentários ao longo da projecção onde se repetia a frase: “olha, ali era…”

    Compreendo que quem já cá morava e foi realojado possa ter saudades do seu antigo bairro. Mas toda a gente tem recordações: de lugares que já não existem; ou que ainda existem mas já não são os mesmos, por estarem diferentes, ou por já não serem vistos da mesma forma.
    A saudade existe, sim. Mas também a esperança, a visão em frente, o futuro.

    Comprei casa na Alta porque escolhi viver aqui.
    Não me considero uma intrusa nem alguém que tenha vindo tirar alguma coisa a quem cá estava. Apenas, como toda a gente, quero viver numa comunidade que não me seja hostil. Todos temos esse direito.

    Chocou-me ver no documentário um miúdo que disse: “eu não tenho nada, porque não terei o sítio onde brinquei em criança para mostrar aos meus filhos”. Chocou-me por ser um miúdo. Espero que consiga ver as oportunidades que tem pela frente, em vez de se agarrar a um passado que julga perdido. A adolescência é o contrário disso. E o Futuro não pode ser negado a nenhum adolescente!
    O facto de ter sido actor neste documentário já deve ter começado a mostrar-lhe uma perspectiva diferente.

    Adorei o Vizinhos. Acho um trabalho louvável.
    Parabéns Tiago! Gostei muito de te ouvir dizer no fim: “foi o primeiro… “

  6. ah, e bonitas fotos, neste post!

  7. ah, e bonitas fotografias, neste post!

  8. MrSteed says:

    O "Vizinhos" foi um rico documentário, um one man show feito pelo Tiago. Sou amigo do gajo e fiz todas as críticas que tinha a fazer durante a realização do projecto (e acreditem que fui uma pequena besta a criticar :p ) O resultado final foi muito bom e fico feliz por isso, o trabalho e a coragem de fazer em vez de ficar a olhar merecem esse reconhecimento.

    Tive pena de alguns betolas que voltaram a casa porque querem mais é esquecer que vivem na antiga Musgueira. Totós. Perderam um rico documentário.

  9. Ana Barata says:

    O "Vizinhos" é um registo do passado da Alta que nunca ninguém fez. É também um registo do momento actual de transição, a meio da construção de uma nova Cidade. Mas é sobretudo, um testemunho valiosíssimo sobre a mudança: as resistências que a mudança traz, as suas oportunidades, as novas relações que se criam, as suas dificuldades, os novos hábitos, as oportunidades perdidas, mas também tudo aquilo que precisa e deve ser explorado para conseguir uma harmonia.

    Tudo isto é contado pelos artistas principais: os antigos e os novos moradores. Com uma carga emocional, tal como acontece na realidade.

    De aqui a uns anos, quando o projecto urbanístico da Alta estiver finalizado e perfeitamente consolidado, ninguém se lembrará deste "entretanto". O "Vizinhos" é um óptimo registo histórico, nesse sentido. Ajuda a perceber a "travessia", os seus espinhos e as suas alegrias.

    A projecção do "Vizinhos" no CineConchas não deixou ninguém indiferente. Lembrou-se o passado mas sempre com muita esperança no futuro. Vi muita emoção em muitas pessoas que estavam a assistir. Nos dias seguintes, ouvi muitas das questões que ali são abordadas serem discutidas entre amigos e vizinhos. Discussões sérias e conscienciosas, com vontade de contribuir. Posturas muito positivas. Quanto não vale isso? Nem que tivesse sido só por isso, já teria valido a pena. As pessoas tomaram outra consciência da realidade, uma consciência mais alargada, mais fidedigna.

    Parabéns Tiago! eu também sou tua amiga mas, se não fosse, diria exactamente a mesma coisa

  10. hrelogio says:

    Os meus parabéns a todos os que tornaram este evento possivel.

    Um evento magnifico e um exemplo a seguir pela capacidade de concretização e mobilização tão necessário para tantas outras coisas que nos afectam no dia-a-dia.

    Tive a oportunidade de assistir ao filme de estreia da primeira edição (no ano passado) e desde ai que sou espectador assiduo do CineConchas.

    Uma nota muito especial para o Documentário Vizinhos.
    Um trabalho incrivel e muito bem conseguido só possivel por uma determinação e capacidade de trabalho impressionante.

    Um abraço

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