Cidade do Noddy

12 July, 2009 by  

Sem perceber demasiado de arquitectura, ordenamento ou sociologia, reconheço na cidade onde moro, evidências de carácter que a fazem particularmente feliz. Mas a cidade não vive suspensa na exortação contínua das suas qualidades: Um rio que é espelho, uma luz senhora e suas numeradas colinas. Existindo a beleza indiscutível da matéria há que a dotar de governo, para garantir que dura.

A cidade mais feliz que conheço é a do Noddy. Onde as forças se equilibram numa ingenuidade perfeita. O polícia não tem vergonha de ser bom, os jardins estão verdes, as ruas são ordenadas, os edifícios públicos estão devidamente identificados e os habitantes não se deixam mergulhar nos conflitos só porque os há. Na cidade do Noddy ninguém tem medo da alegria da cor nem da cidadania sentimental de se conhecerem e se ajudarem e a ordem das coisas é, de quando em quando, interrompida pelas veleidades de dois simpáticos a ladrões.

O que distingue a cidade onde vivo dessa cidade animada por desenhos não é apenas a equação numérica dos carros e das pessoas mas a benévola disposição dos seus habitantes. Para o autor dos desenhos, é bastante óbvio que uma das bases de sustentação do ordenamento e equilíbrio territorial está no capital de tolerância com que cada uma das personagens é simpaticamente dotada.

Mesmo sabendo que há variáveis que nos dominam: a beleza da cidade, a sua cultura, as suas cores e o seu património. Que há variáveis que dominamos: as escolhas, a participação e as atitudes. Sabemos que existe um conjunto de variáveis que para bem da cidadania colectiva, seria desejável, que todos dominássemos: o governo e essa certeza secreta, que sem medo do ridículo, todos podíamos tentar ser um bocadinho mais como a cidade do Noddy.

Comments

11 Responses to “Cidade do Noddy”
  1. moradora says:

    A cidade do Noddy?!!!!!!

    Não encontrou modelos humanos/planetários de cidades a que todos poderiamos aspirar?

    Eu adoro a Enid Blyton!
    Adorei as Aventuras dos 5 quando tinha 7 anos e comecei a ler. Queria ser a Ana!
    Talvez, se tivesse tido oportunidade de ler as aventuras do Noddi (como era traduzido na altura) também lhe tivesse achado piada.
    Mas sonhar que o mundo seja como a cidade do Noddy, é reduzi-la à imagem de uma cidade vista por uma criança de 5 anos!

  2. Joana says:

    Eu confesso que abomino o Noddy e a cidade do Noddy precisamente pelo ar plastificado e "la-di-dá" daquilo tudo. O Noddy é um tonto, acho eu, e o que o rodeia segue as mesmas linhas. Não tenho o Noddy ou os seus vizinhos como exemplo de cidadania para os meus filhos.

    Já o Ruca… Seguindo a ideia da cidade e cidadania de desenho animado acho o Ruca um exemplo muito mais feliz e próximo do que pode ser um bairro. Não pretende ser um ambiente de fantasia e ainda assim se encontra tão longe do que (nós) temos: no urbanismos, nos espaços verdes, na organização do tempo, nas relações de vizinhança. O Ruca (Callillou) é um personagem Canadiano. E aqui sim, vejo bons exemplos a seguir e uso-o frequentemente como modelo.

    • Lcrg says:

      eh pá… mas os pais do Ruca são terrivelmente "aborrecidos2 e "irreais"… Não há pais assim!
      Aliás, a sociedade que se quer no futuro não pode ser moldada através de Rucas e Noddy's… Coitados de nós que temos que aturar isto!

      • moradora says:

        Fique sabendo que eu identifico-me bastante com a mãe do Caiou!
        Gordita e despenteada, muito disponivel para os meus filhos e também tenho uma filhotinha pequenina. Tal e qual!

        Quanto ao Noddy, concordo inteiramente com a Joana.

      • moradora says:

        Fique sabendo que eu identifico-me bastante com a mãe do Ruca!
        Gordita e despenteada, muito disponivel para os meus filhos e também tenho uma filhotinha pequenina. Tal e qual!

        Quanto ao Noddy, concordo inteiramente com a Joana.

  3. Pedro Veiga says:

    Qual seria o interesse em viver numa cidade estilo Noddy?
    As dinâmicas da sociedade humana e do ambiente que nos rodeia são incompatíveis com este modelo ingénuo de cidade e ainda bem!

  4. moradora says:

    A cidade do Noddy?!!!!!!

    Não encontrou modelos humanos/planetários de cidades a que todos poderiamos aspirar?

    O Nodi (Noddy) foi criado pela Enid Blyton. A mesma das Aventuras dos 5 (Famous Five) Não era originalmente um programa de televisão!
    As aventuras são muito simples. As ilustrações têm cores vivas. Os personagens dividem-se entre bons/maus claramente. Porque o público alvo destas aventuras teria entre 3 a 7 anos!

  5. O Noddy está para os pais como os cristãos para os romanos. Por esta amostra o pobre rapaz do guizo jamais chegaria ao combate com o gladiador. Ó Pedro, eu gosto muito da dinâmica humana do modelo ingénuo, aquela que normalmente caracteriza a perda da virgindade.

  6. Pedro Veiga says:

    Pois é! Todos podemos gostar muito dos modelos. Mas o modelos muitas vezes escondem a realidade das dinâmicas reais da vida!

  7. MrSteed says:

    Bom texto e bons comentários. O Noddy, os cinco e o Ruca….boa malha pessoal!

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