Partilha de experiência anti-graffiti

26 June, 2009 by  

Há vários planos-objecto de exercício da nossa vontade. Um destes planos é o material, o físico, o do aspecto das coisas. Pretendemos ver o respeito pelo urbanismo e pela arquitectura pensados e reflectidos por quem faz disso a sua vida profissional ou achamos muita graça a expressões pictóricas, sem critério artístico, sem qualquer rigor pictórico, de baixo calão ou ainda do tipo “Anny love Joe”, quais pinturas rudes, rupestres do séc. XXI ? Aqui concordo com o Mr. Steed e partilho do pensamento “gosto do muro limpinho e pintado tal como está”. Também eu não gosto de ver um muro ou um edifício “profanado” por actos desse tipo.

Essas formas de expressão, esses “rabiscos urbanos”, são de origem tipicamente juvenil e sem grande propósito; sem maldade mas com impacto visual indesejável.

Ora, recentemente, foi aprendida uma técnica de limpeza do material de revestimento do piso térreo aplicado nos Condomínio da Torre (revestimento de placas de “Naturvex”). Muitas vezes as coisas verdadeiramente importantes são simples e até fáceis, do tipo “ovo de Colombo”: o importante é compreendê-las e depois é só copiá-las (e, às vezes, apropriá-las).
Arregaçámos então as mangas e aplicámos essa técnica com resultados interessantes, pelo que aqui se vem partilhar esta experiência com a comunidade do Alto.

Então cá vai: esta técnica consiste simplesmente na utilização de lixa-de-água em conjunto com uma esponja. Esta esponja vai mantendo a superfície molhada (água) e a lixa, pelo seu efeito abrasivo, vai limpando e removendo a camada de tinta, sem danificar a superfície do material, já que essa limpeza é apenas marginalmente superficial. Os resultados podem ser vistos em baixo. Eis algumas situações do “antes” e do “depois”.

Neste edifício, e ainda no que respeita a limpeza exterior, removem-se frequentemente auto-colantes (ex.: “a transportadora X” ou “a fábrica de chaves Y”) em vidros das portas de entrada (ou das caixas técnicas exteriores); outra preocupação é a simples re-pintura a branco sobre “graffitis” ou “tags”, para os suplantar, na parede do corredor que liga a Rua Helena Vaz da Silva ao Jardim do Condomínio, sempre que uma acção “maravilhosa” é levada a cabo pelos “artistas”.

Acredito que o bom ambiente gera bom ambiente pelo que, neste caso, a ausência de “graffitis” ou “tags” motivará uma certa “auto-preservação” do aspecto limpo. A “sensação do perverso” sentida pelo “artista” será tanto maior quanto mais limpo e arrumado estiver o aspecto.

Mas estas iniciativas de manutenção do aspecto limpo não desvalorizam a iniciativa do Viver, antes enquadram-se nela. Envolver a comunidade do Alto, quer na limpeza de jardins ou de outros espaços, quer na criação de obras de verdadeiro valor artístico é algo de muito positivo. Estou a imaginar verdadeiros murais ou painéis de azulejos como os que produziram Almada Negreiros ou Amadeo de Souza Cardoso – alguns de enorme dimensão, e os espaços onde estiveram ou ainda estão presentes. Estou a lembrar-me do verdadeiro “museu” que é a rede de estações do Metro de Lisboa. E se os edifícios e os equipamentos públicos forem presenteados com obras de verdadeiros artistas e se essas criações envolverem a comunidade, então todos ficaremos mais valorizados pela participação em si mesma (pelo orgulho do “fizemos”), pela própria presença do belo de que passaremos a usufruir, e pela valorização do próprio espaço imobiliário.

Vamos nessa?

Comments

3 Responses to “Partilha de experiência anti-graffiti”
  1. Matilde says:

    Acho que envolver os próprios moradores é um bom primeiro passo. Responsabilizar aqueles a quem o bairro pertence. Importante também será responsabilizar (e envolver) quem sujou aquilo que foi limpo.

    Vamos nessa.

  2. MrSteed says:

    epá tinha-me escapado este texto catita do Lucena….Ó Tiago e puxar isto outra vez lá para cima?

  3. _unknown_ says:

    acho uma excelente ideia limpar as paredes de dizeres tipo: "joão 100% dread". ou provas de amor como : "maria ama joão".
    mas por outro lado, tambem se podia fazer um muro para quem faz graffiti a serio.
    e acreditem q na zona da alta de lisboa e arredores temos excelentes artistas.nao e um projecto q custe muito dinheiro a camara fazer uma parede ou aproveitar uma q ja esteja degradada.e em vez de um muro cinzento passamos a ter uma galeria de arte ao ar livre.
    tambem é uma boa ideia para a alta de lisboa ou nao é???

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