Cidade Hostil
5 June, 2009 by Pedro
Cada vez mais na ordem do dia, a violência urbana não se esgota nas idiossincrasias de uma só nação, sendo um problema comum – com maior ou menor grau de visibilidade – a todas as sociedades urbanas. Ainda que as origens culturais e sociais particulares de cada país ou região possam criar modelos urbanos díspares, a sociologia e a psicologia indicam-nos a existência de factores comuns aos seus habitantes independentemente da matriz cultural que os moldou.
À agressividade do espaço respondemos com agressividade. Face ao desprezo ou à incompreensão, retaliamos. Perante um muro construimos uma passagem.
Na próxima 2ª feira, dia 8, às 16:00, a Arqª Lúcia Leitão, realizará uma palestra associada à apresentação do seu livro mais recente, ” Quando o ambiente é hostil – uma leitura urbanística da violência à luz de Sobrados e Mucambos“. Sinteticamente, a autora postula, baseada na análise sociológica da formação da sociedade brasileira de Giberto Freyre e na análise psicanalítica que, ao construir-se sobre uma ideia desprestigiada da rua (espaço menor, espaço do outro, do escravo, do pobre, do servo) criando espaços fechados privados (o centro comercial, os condomínios privados) à cidade brasileira falta uma consciência de espaço público, circunstância que favorece a presente violência, concluindo que o modo como se constroi e vive a cidade é factor importante no seu estudo e prevenção.
Integrante do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, no Recife, a oradora é autora de diversos livros sobre as temáticas do habitar e do urbanismo.
Aos leitores do Viver, que tantas vezes aqui têm discutido as virtuosidades do espaço público versus condomínios fechados, da integração das populações dos PERS ou da sua guetização, recomendo vivamente a presença nesta sessão. Verão que é muito menos do que um oceano o que pode separar as nossas realidades.
A palestra é uma organização conjunta do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e do Grupo Habitar (GH). Do site Infohabitar que já aqui citámos, retirei alguns excertos do texto de apresentação preparado pela autora:
(…) em 1965, o psicanalista alemão Alexander Mitscherlich escreveu assim: “A maneira como damos forma ao nosso ambiente é a expressão do que somos internamente” (…)
(…) constitui-se apenas como meia verdade a justificativa de que se evita a rua porque a cidade brasileira contemporânea é violenta e insegura. Na verdade, a recusa da “elite” em frequentá-la faz desses ambientes espaços mais e mais violentos, precisamente pelo processo de desertificação que eles vivem (Jacobs, 2000). Nesse ponto particular, muros altos, fechados contra a rua, edificados em excesso na cidade atual são literalmente tiros dados no pé. Não apenas não garantem segurança — como se constata com a divulgação frequente pela mídia de assaltos realizados em prédios seguros, murados, eletrificados e bem guardados, etc. —, como fazem da rua um ambiente mais e mais hostil. Na verdade, esses muros são elementos que mais segregam do que protegem, uma vez que permitem aos moradores “ser o menos visto possível e se confundir o menos possível com essa parte da população que os grandes chamam de povo e que tanto abominam”, essa, sim, sua real função, de onde se tem a hostilidade que expressam.
(…) Erguemos edifícios altos, fechados para a rua, porque temos um profundo desprezo pela rua, o espaço público por excelência. Edificamos muros altos, com guaritas e cercas, não apenas para nos proteger de um ambiente hostil, mas porque somos uma sociedade segregadora como poucas. Fechamos-nos em condomínios e em shopping centers não apenas por comodidade ou porque nos sentimos inseguros em outros espaços, mas antes porque tais ambientes, de longe, anunciam a todos, como diria Vauthier, que são esses os espaços onde estão os senhores que se não querem confundir com a plebe (…)
Até que ponto, digo eu – quando pretendemos que os que riscam, partem, gritam, falam alto, sujam, sejam recolocalizados para bem longe (para fora) do nosso sossego pago a peso de ouro – estamos dispostos a enfiar esta carapuça?
2ª feira, 16:00, LNEC.




É pouco provável que possa ir, com grande, mas mesmo grande pena minha. O tema interessa-me mesmo e acho que assenta que nem uma luva aqui na Alta. E quanto ao debate, vai ficar-se pelo urbanístico ou estender-se-á ao social? Achas que ela vai a certa altura dizer que os jovens que graffitam e vandalizam precisam de ser cobertos com alcatrão e enfiados num barril cheio de penas de galinha?
Por acaso duvido. Pelas citações que colocaste, imagino que tenha uma maneira mais humana de encarar o problema.
Isto para não falar nos vizinhos que se agridem verbalmente nas reuniões de Condomínio! Portanto, há violência física, psicológica e verbal em todos os sectores da Alta (pobres, remendiados e favorecidos financeiramente…)! Basta assistir a algumas reuniões do C.Torre 15.5.
Olhem aqui uma ideia gira para a Alta de Lisboa, Lisboa e portanto o Planeta!
<a href="http://www.austinyellowbike.org/home.htm” target=”_blank”>http://www.austinyellowbike.org/home.htm
E já sabiam que os Lions também estão aqui no Bairro?
<a href="http://www.lionsclubs.org/EN/index.php” target=”_blank”>http://www.lionsclubs.org/EN/index.php
Eu fiquei a saber ontem na feira do Livro da 34.
Olhem aqui uma ideia gira para a Alta de Lisboa, Lisboa e portanto o Planeta!
http://www.austinyellowbike.org/home.htm
E já sabiam que os Lions também estão aqui no Bairro?
http://www.lionsclubs.org/EN/index.php
Eu fiquei a saber ontem na feira do Livro da 34.
Os Lions Lisboa Centro estão na Alta há uns anos e têm sede na Rua João Amaral, perto da Pista de Atletismo. Pertencem também ao Grupo Comunitário da Alta de Lisboa.
Exactamente!
Fiquei a saber isso tudo ontem!
Juca, pelas suas palavras tb assistiu à Assem. Extr. ORDINÁRIA… quer adiantar algo mais para o pessoal ficar esclarecido? E já agora, poderemos saber o seu nomezito…? Obrigado!
Então, Juca?
Ficou sem palavras…?
Também eu fiquei com os tristes desenvolvimentos daquela Assembleia ExtraÓRDINÁRIA!
Vá lá…! Diga alguma coisa! Ou será que tem medo…?
Olhe cá no burgo já muia gente sabe que eu sou… tenho pelo menos um vizinho "escritor" neste "site" que sabe que eu sou e não tenho qualquer pejo em dizer aquilo que sinto e que sei! Estamos numa democracia (embora haja muitos que pensem que não)!