Vandalismo

12 May, 2009 by  

Foi no Domingo passado, e não é um exclusivo aqui do Bairro – há disto por grande parte a cidade. Mas é um exemplo do tipo de coisas que não têm justificação para além da parvoíce, boçalidade, desrespeito pelo próximo e insensibilidade ambiental. Quatro adolescentes atiraram um televisor a um dos lagos do Parque Oeste, juntando-o a um triciclo e um estendal de roupa que já lá estão há meses. Como se resolve isto? Mais vigilância, sim, mas não existe vigilância 24 horas por dia que impeça o vandalismo em lugar algum do mundo.

Continuo a achar que é um trabalho longo, árduo, que começa nas famílias, passa pelas escolas, e continua nos vizinhos. São mesmo necessárias acções criativas que envolvam toda a população e desenvolvam nesta gente desocupada estima pelos espaços públicos e pelo próximo.

No video ouve-se alguém a gritar, tentando impedir os jovens do acabaram por fazer. Diz: “estão a ser filmados”. É capaz de haver mais uns videos disto a circular pela net.

Comments

21 Responses to “Vandalismo”
  1. MrSteed says:

    vou evitar os comentários do género "o que eles mereciam era…".

    A vigilância no parque podia não evitar alguns actos de vandalismo mas talvez impedisse outros.

    O que é preciso fazer a seguir? Que a CML mande limpar o lago e retirar de lá o lixo. A não ser que a ideia seja deixar andar.

  2. Tiago says:

    Pois, e como limpas as cabeças dos putos que não têm mais nada para fazer do que arrastar uma televisão durante um quilómetro para a atirar ao lago?

  3. MrSteed says:

    com uma rebarbadora eléctrica?:p

  4. moradora says:

    http://www.ionline.pt/content/3845-o-problema-da-…

    Creio que a questão das janelas partidas não se ponha aqui. Mas o policiamento é enjoativo. Expliquem-me lá o que podem fazer dois agentes num carro neste bairro?

    Já mais do que cinco carros, mais do que vinte agentes e poder efectivo de acção e as televisões ficariam no lugar com a maior das facilidades.

    as escolas já são a primeira linha de acção. São precisas outras!

  5. moradora says:

    A televisão não está lá! Foi retirada.
    Ninguém mais disse nada!!!!!!!!!!!!! Nem a pessoa que efectivamente filmou. A polícia também ficou a saber.

  6. Tiago says:

    A questão das janelas partidas até se põe aqui, por acaso. Nos prédios de realojamento há várias casas sem janelas, desocupadas e vandalizadas. E pode funcionar como exemplo para tudo o resto, grafittis, tags, mobiliário urbano partido. A questão agora é saber se o Governo dota as polícias de meios suficientes para fazer uma vigilância efectiva, se o vandalismo não fica impune, e se as brigadas municipais de requalificação urbana têm pernas para andar.

    Sei que uma parte considerável do orçamento da GEBALIS é para substituir equipamentos vandalizados nos bairros sociais. Resolve? Não. Falta o tal policiamento, é verdade.

    Quanto às escolas serem a primeira linha de acção, tenho as minhas dúvidas. Nem todas as escolas dão os bons exemplos que o CSM ou a EB 34 dão. Não conheço a D. José I, mas conheço outras em Lisboa que são inúteis na formação cívica dos seus alunos. Por desistência. Porque lutar contra a impunidade e demissão das famílias é duríssimo.

    É uma tarefa para todos, para uma população inteira. Não para delegar apenas no Estado, nas Câmaras ou no Governo.

  7. PedroCG says:

    A imagem das janelas partidas claramente que se põe aqui e em todos os bairros de realojamento. Aliás, esta discussão há muito que não é virgem neste blog, sendo praticamente consensual – pelo menos entre os seus autores – a visão de que a reabilitação de um grupo social não se esgota – antes começa – com a entrega das chaves do novo apartamento.

    Infelizmente, só agora, após os vários "levantamentos de rancho" dos últimos meses, é que aparecem vozes mais mediáticas) como foi o caso hoje da ex-Secretária de Estado da Habitação, Leonor Coutinho) a afirmá-lo. Como desde há muito que as IPSS e a maior parte dos técnicos de várias especialidades envolvidos (desde sociólogos a arquitectos) o dizem, só posso concluir que, quem tem responsabilidades políticas anda distraído ou é intelectualmente desonesto.

    Curiosamente, o Infohabitar publicou hoje um artigo relativo à necessidade de análise pós-ocupação da arquitectura, como forma de classificação de um projecto. Ainda que isso se aplique a todo o tipo de arquitectura, tal análise torna-se mais relevante no caso da habitação social a qual, por ser atribuída a populações com menores recursos económicos, acaba por se tornar uma habitação "para vida" uma vez que aquela não terá grandes possibilidades de abandonar.

  8. BOliveira says:

    Eu acrescentava violência ao vandalismo. Este fim-de-semana também vi um grupo de jovens a atirar pedras contra o pato que costuma passear tranquilamente nos lagos do Parque Oeste.
    Talvez com a abertura da segunda fase do Parque Oeste, as pessoas responsáveis cheguem à conclusão que para manter um parque destas dimensões é necessário gastar um bocadinho em vigilância.

  9. Lcrg says:

    Com todo o respeito pelos leitores mas eu acho (e não sou o único) que estes ditos "jovens" (eu diria vândalos), deveriam ser severamente punidos (prisão, que tal?). Acho que estamos a perder muito não havendo pulso e mão de ferro! E não me venham com histórias de que são jovens, crianças, problemas familiares, que a educação deve começar em casa, blá, blá, blá…
    Não! Estes tipos sabem muito bem o que andam a fazer!!!

  10. Ainda este sábado uma amiga que é professora numa escola de correcção (não sei bem se é o nome) disse que é impossível fazer com que esses miúdos e jovens aprendam sequer a ler e a fazer contas, quanto mais ensinar-lhes educação cívica.
    Pensanso assim a frio sobre o assunto talvez sejam os pais que precisam ser re-educados para darem bons exemplos em casa, tendo em conta que nem sempre os filhos seguem os bons exemplos dos pais.
    Contava ela sobre um aluno que já tinha sido "preso" várias vezes por roubar, quando ele não tem qualquer problema de dinheiro e faz isso só pelo gozo…

  11. moradora says:

    Pela adrenalina!
    Bom, porque é que esse rapaz, jovem, vândalo, ladrão não retira esse gozo d'outra actividade?
    Cabe a esta civilização encontrar resposta para esta questão.
    Eu concordo com o Lcrg!
    Janelas arranjadas e mão forte!
    Se a torneira dos subsídios fechasse na primeira ocorrência era ver a malta toda em sentido.
    Se a polícia tivesse granadas em vez de palavras mansas eu queria ver!
    Se houvesse 50 em vez de dois polícias eu sentava-me na primeira fila só para ver!

    Mas assim cabe-me o papel de ser um modelo para a comunidade, tentar dar o meu melhor em tudo o que faço e rezar que o meu país acorde.

    • juca says:

      janelas arranjadas?
      mas afinal de contas estamos a falar de quê?
      carpintaria? marcenaria? pintura?
      bem… no fundo é o que faz falta a esta malta! Trabalho! Ocupações! Estarem entretidos com algo de proveitoso!
      Essa das granadas revela bem o tom com que sente a amargura de quem vem para aqui com boas ideias, bom paleio, bom discurso… a fazer lembrar a rábula dos Gato Fedorento… Falam, falam, falam, falam mas não fazem nada!
      cumprimentos
      p.s. essa do modelo é preciso um pouco de água benta! nesta sociedade não há modelos pois todos temos defeitos e virtudes! mas gostei da segunda parte da frase: tentar dar o melhor! acho que sim! força!

      • moradora says:

        Janelas partidas é uma referência a um artigo que pode encontrar linkado acima.
        Juca
        Obrigada pela força!
        Faço sim e muito. O Juca se andar por aí sabe bem que faço!

  12. Tiago says:

    Oh Ana, granadas? Sentar-se na primeira fila?

    …

    🙁

  13. MrSteed says:

    as granadas têm um problema. fazem muito barulho e atiram estilhaços em muitas direcções. o pessoal era capaz de começar a ligar para a polícia a dizer:

    "Olhe desculpe mas importam-se de atirar granadas à malta do realojamento só até às nove da noite? Pois…é que eu tenho um bebé pequeno e além disso não consigo ouvir o que estão a dizer na SIC Notícias. Sim…sim….ok…muito obrigado…p..p…pois, boa ideia. As defensivas fazem menos barulho? Parece-me bem. Têm mais estilhaços e assim? Olhe e não fazem tenção de as atirar aqui muito perto da gente pois não? Sim….prontos..obrigado. Pois só lá na zona dos outros…sim…obrigado senhor agente.

  14. É um tema infelizmente comum na sociedade urbana moderna. Qual a melhor abordagem ao problema? Na minha interpretação, muito dificilmente uma única forma de abordagem será suficiente.
    Mais apoio social?
    Mais comunicação inter-social?
    Melhores condições de habitação, incluindo a localização?
    Maior facilidade de integração social?
    Mais valorização socio-económica das profissões indiferenciadas?
    Mais e melhor escola?
    Mais e melhor polícia?
    Mais controlo?
    Mais repressão?
    Melhores resultados judiciais?
    Acho, sinceramente, que se não se avançar em todos estes pontos, com prioridades definidas, e noutros que não me lembrei ou desconheço, dificilmente obteremos resultados melhores.
    Isto é como na vida empresarial. Se queremos resultados, temos que saber o que queremos atingir, como o vamos fazer, com que meios, definir indicadores a medir, controlá-los, corrigir os desvios e responsabilizar os "responsáveis", pelos bons e pelos maus resultados. Temos muitas quintas no Estado e fechar este ciclo torna-se demorado e penoso.

  15. moradora says:

    Concordo Luis.

    Mr Steed as always, you can be witty!
    I would be the first one calling!
    I do not think someone knowing that the police had grenades would dare to throw a tv into the lake

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