Moradores da Alta de Lisboa, digam de vossa justiça!

25 May, 2009 by  

Mais uma oportunidade para os leitores/moradores da Alta de Lisboa exprimirem e reflectirem sobre a realidade urbana e vivencial do bairro que habitam.

Um jovem mestrando em População, Sociedade e Território do IGOT (antigo Departamento de Geografia) da Faculdade de Letras pediu-nos algumas informações. O tema da tese debruça-se sobre os imaginários urbanos de empreendimentos imobiliários de habitação, pegando no caso concreto da Alta de Lisboa. Ou seja, prentende perceber como é que os habitantes da Alta a vêem, como é que utilizam os espaços habitacionais e públicos, e que tipo de relações sociais aí desenvolvem.

Um dos seminários do mestrado foca o processo de realojamento na Alta de Lisboa, a sua relação com o planeamento urbano e os resultados, ao nível da cidadania e coesão social, através de algumas perguntas sobre o realojamento e a relação entre as populações realojadas e as detentoras de habitação comercial.

Para um mais completo aproveitamento académico dos inquéritos, foi-nos pedido também, com delicadadeza e muita educação, que as respostas fossem complementadas de preferência com o nome, idade, profissão e empreendimento onde moramos ou morámos na Alta de Lisboa.

Segue então a lista de perguntas, a responder uma por uma. Um desafio.

  1. Acha que as operações de realojamento na Alta de Lisboa foram levadas a cabo a pensar na proveniência das populações realojadas? O que o/a leva a afirmar isso?
  2. Nota algum cuidado na inserção urbana dos edifícios de realojamento? De que forma?
  3. Existiu alguma preocupação em misturar populações realojadas e não-realojadas, ou o Plano de Urbanização da Alta de Lisboa (PUAL) criou, ainda que inadvertidamente alguns ghettos?
  4. Como descreveria o faseamento da construção da Alta de Lisboa? Acha que teve em conta todas as valências que o PUAL se pretendia qualificar, ou potenciou o isolamento de algumas áreas?
  5. Os equipamentos existentes são usados em igual medida pela população realojada e pela detentora de habitação comercial?
  6. Como descreveria as relações sociais entre as populações realojadas e a população detentora de habitação comercial? De que forma foram essas relações influenciadas pelo processo de urbanização da Alta de Lisboa?
  7. Como descreveria a evolução das relações sociais entre as populações?
  8. Acha que a Alta de Lisboa tem comércio e equipamentos sociais e de lazer suficientes? Que papel têm os mesmos desempenhado na evolução das relações sociais na Alta de Lisboa?
  9. Quais os espaços de lazer de maior relevo na Alta de Lisboa? De que forma são vividos pelos seus utentes?
  10. Considera que a população detentora de habitação comercial utiliza os equipamentos sociais e de lazer com a mesma frequência e qualidade que a população realojada?
  11. Como diria que a população detentora de habitação comercial vive a Alta de Lisboa no quotidiano?
  12. Quais são as zonas mais problemáticas da Alta de Lisboa? Que tipo de problemas têm? Acha que esses problemas têm aumentado ou diminuido com o desenvolvimento da Alta de Lisboa?
  13. Acha que estas zonas problemáticas resultam de um planeamento pouco cuidado, de um processo de urbanização deficiente, de tensões sociais, do contexto sócio-económico da população aí residente…?
  14. Considera a Alta de Lisboa uma zona segura?
  15. Consegue aperceber-se do nascimento de uma identidade própria dos habitantes da Alta de Lisboa, relativamente ao bairro onde vivem? De que forma se manifesta essa identidade?
  16. Que tipo de iniciativas poderiam ajudar na criação desta identidade?

Cordialmente,
João Forjaz Mendes

Comments

7 Responses to “Moradores da Alta de Lisboa, digam de vossa justiça!”
  1. joao_forjaz says:

    Bons dias,

    Criei para o inquérito uma morada de email onde podem enviar as respostas às questões, caso não queiram ver publicados no site os vossos dados: inquerito.alta@gmail.com

    Gostaria de contar com a participação do número máximo de pessoas e asseguro que os dados pessoais que peço apenas serivrão para contextualizar as respostas.

    Cordialmente,
    João Forjaz Mendes

  2. MrSteed says:

    "imaginários urbanos de empreendimentos imobiliários de habitação" é uma frase bonita mas o que quer dizer? assim como se eu tivesse cinco anos sff…:p

  3. joao_forjaz says:

    MrSteed,
    Trocando por miúdos, um imaginário urbano é a ideia que fazemos de um espaço, construída pelas experiências que lá tivemos, nos foram contadas, vimos no cinema, lemos em livros, jornais…
    Se eu lhe disser "Nova Iorque", de certeza que lhe virá à cabeça a noção que tem dessa cidade e que foi formada ao longo dos anos pelas eventuais visitas que lá fez, filmes que viu e que fossem passados lá, coisas que amigos lhe contaram….isso é um imaginário urbano.
    O meu trabalho incide sobre os empreendimentos imobiliários de habitação e consistirá, em parte, em estudar de que forma é que os habitantes de uma parcela da cidade onde tenha existido um volume de construção de habitação comercial considerável (neste caso a Alta de Lisboa) apreendem essa mesma parcela.
    O interesse nos empreendimentos imobiliários de habitação está ligado à falta de estudo e escrutínio a que têm sido votados, o que é estranho dado representarem uma grande fatia daquilo que se constrói nas cidades.

  4. joao_forjaz says:

    Como os imaginários urbanos estão muito ligados às experiências pessoais de cada um, é possível encontrar elementos comuns em pessoas que tenham níveis sócio-culturais e etários semelhantes, o que quer dizer que é possível cartografá-los e assim, ligar as visões de cada um ao espaço edificado.
    Como o trabalho ainda está numa primeira fase, por enquanto ainda só estou a pegar na relação entre o realojamento e a habitação de promoção privada, e por isso gostaria que respondessem às perguntas que são feitas no post.
    Relembro que pode fazê-lo enviando para o e-mail inquerito.alta@gmail.com.
    Mais alguma dúvida, por favor disponha.

    Cordialmente,
    João Forjaz Mendes

  5. Gil says:

    Bom dia …alguem pode-me dizer se a zona da Ameixoeira onde se localiza o INstituto Superior de Gestão é uma zona segura ?? e a nivel da linha amarela …é uma linha de metro minimamente segura de frequentar ??

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