Lisboa Restaurante Week
27 May, 2009 by Pedro
Durante uma semana, alguns restaurantes de topo da cidade oferecem menus a um preço menor do que o habitualmente neles praticado. Por parte dos restaurantes, calha bem uma estratégia de chamamento de novos públicos e de combate à diminuição de clientes (ainda que esta crise tenha pouco de democrática: é a manutenção do emprego e não o aumento do custo de vida que marca a diferença entre estabilidade e angústia). Por parte da organização, um pontapé de saída de uma empresa de eventos, com um toque de responsabilidade social, o qual se traduz na doação de parte da receita para 2 ONGS nacionais.
Esta vida que levo anda tão pesada que aproveitei o pretexto para estar com amigos e desanuviar por umas horas. Não me apetece escrever muito mais – são 4 da manhã, o aspirante a crítico gastronómico que há em mim já se foi deitar – e confesso que o menu, ainda que simpático não foi de molde a deixá-lo em pulgas para o exaltar – e esta cidade dividida entre uma classe média confortada pela descida das taxas de juro e dos combustíveis e uma classe envergonhada que mal-sobrevive ao desemprego ou à pensão de velhice atrás da janela suburbana ou do caixilho desconjuntado do prédio por reabilitar há 20 anos insiste-me num recato parcial.
Faz sentido gabar o comer em restaurantes de preço salgado perante este cenário? Não hoje, não neste presente, não para mim.
Façam-me o favor de encarar então este post como a expressão de um momento de cedência ao prazer sensual da comida, ao prazer sensorial de um prato bem pensado, bem confeccionado, bem arranjado.
Perante uma cidade a morrer onde só a cartaganda viceja, fiquem com estas fotos tiradas no Spot São Luiz. Fausto Airoldi, o chef.








Também me apetecia ceder ao prazer sensual da comida e aproveitar esta semana de preço único para me estreear no Eleven!
Azar, está esgotado!
Não tem problema!!! Vou hoje jantar ao BES Arte&Finança, no Marquês de Pombal, onde vai ser apresentado o menu de Verão do fresquíssimo e simpatiquíssimo Go Natural 🙂
Eu acho o Eleven francamente overrated. Mais do que a comida, a qualidade e a inteligência do serviço deixa muito a desejar. Não basta o hype que advém da estrela Michelin, nem os preços pedidos para transformar o bom em óptimo.
Tenho para mim que alguma da restauração de topo deste país é como o imobiliário: chama-se "luxo" ao que, noutros países não passa de meritório, apresentam-se pormenores como se fossem de excepção quando deveriam ser a regra.
Fico à espera do comentário à apresentação e ao menu do Go!
Pois é o que tenho ouvido acerca do Eleven. E não gosto nada de pagar caro e comer mal… Pensei que dava jeito aproveitar o desconto, mas parece que não valia a pena, então.
Vamos lá ao menu de Verão do Go Natural: recebi o convite há dias num dos restaurantes, inscrevi-me e lá fui eu.
Entrei pouco depois das 18:30, hora da abertura. Portanto, em ambiente “de dia”. Deram-me um questionário para ir preenchendo à medida que ia degustando.
Espaço amplo, decoração minimal com predominância de branco; a iluminação, difusa à volta dos pilares de estrutura, em verde lima claro; os Mac do espaço Net, branco “frigorífico”; os empregados, hoje de preto.
Música lounge, gente descontraída e simpática. Tudo muito fresco.
Com uma flute de rosé Defesa na mão fui pensando por onde havia de começar. Se comesse uma massa ou um sushi não ia conseguir provar mais nada. Por isso, fui por outro caminho e ataquei a sopinha (todas frias). Comecei com uma verde, excelente, mas que não me lembro de que era feita (abacaxi e hortelã? Acho que sim mas não devia ser, isto soa-me mais a sumo…). Provei também a de Beterraba: óptima, de cor intensa e completamente saturada. A de Laranja, Gengibre e Cenoura: muito boa, mas que ganhava se estivesse mais fria.
Para prato principal escolhi ½ Wrap de Salmão Fumado (Paulo Morais) e Salada de Clementinas e Aipo (Nuno Barros).
No wrap, para além do salmão consegui reconhecer finíssimo presunto, rúcula e ovo cozido. Uma delícia. A salada também estava divinal, com queijo feta, pevides secas de abóbora e um salpico de salsa e cebola picada. Nem temperei, para não estragar.
Para sobremesa, um magnífico Grifle(?) de Canela, Ricotta e Morango (Paulo Morais), acompanhado de Chá Verde com Frutos do Bosque, lindíssimo, cor de sumo de romã, mas que só me soube a chá verde.
Quanto a preços, o normal do restaurante: ½ Wrap= €2,00, 1 sopa=€2,00 (obviamente, hoje não era pago, mas era um dos parâmetros de avaliação, o que me pareceu positivo, e por isso todos os produtos estavam marcados).
Foi assim. No global, muito boa nota. Sem dúvida, vou continuar cliente. E esperam-me ainda muitas surpresas porque a variedade era imensa. Tenho pratos novos para o Verão inteiro:)
Bravo pelo comentário e agradecido pela partilha – espero por mais!
Nunca fui ao Go mas i'm looking forward para o fazer. Ter Paulo Morais na "colecção" é um chamariz automático para mim.
Obrigada, Pedro 🙂
Eu vou muitas vezes ao Go Natural porque é uma alternativa interessante para almoço fora de casa, com a vantagem de haver bastantes espalhados por Lisboa.
Por acaso até pensei que as receitas eram todas concebidas por Frederico Carvalho, mas na mostra de ontem havia pratos também de Henrique Sá Pessoa, Nuno Barros, Paulo Morais e Rui Miguel Oliveira.
Olha que aquilo não é o Q.B. e aquele festival para os sentidos!!!!!!!
Mas a comida é óptima, original e os produtos muitos frescos,
Na sexta-feira também estive para ir a um desses Restaurantes simpáticos, mas disseram-me que os menus eram só para "Inglês" ver; que havia menu especial baixo custo e que a qualidade não era a usual.
Ora perante este panorama acabei por ir ao Restaurante Caboverdiano En'clave da Rua do Sol ao Rato e digo-vos que a sensualidade da comida não ficou nada atrás do cantor de serviço, de quem ficámos amigos, enfim…
Ele até disse que eu tinha jeito para o Canto e que devia ganhar dinheiro com isso, vá se lá entender isto! 😉
O "baixo" custo, Susana é, como sabes, um eufemismo… 😉 O problema não é a qualidade não ser a usual; o problema é a qualidade (qualidade da comida, do serviço, do espaço, criatividade dos pratos) não ser, nem num caso nem noutro (com ou sem descontos) compatível com o preço pedido.
Como não conheço o cantor de serviço do En'clave (pois, se a mim me dissessem que podia ganhar dinheiro a escrever crónicas também achava tudo muito sensual :p ) conta-me lá da comida sff para saber se devo experimentar o poiso.