Já tagaram o mural da ZDB
11 May, 2009 by Tiago Figueiredo

Não durou muito sem os irritantes tags o mural alusivo ao 25 de Abril que a ZBD promoveu numa das paredes do edifício que ocupa no Bairro Alto. Tinha razão o Pedro, que disse logo que isto ia acontecer. O nosso encontro com os autores do mural foi tentado antes, precisamente para conhecer as suas ideias sobre murais, graffitis e tags, mas teve de ficar marcado para mais tarde por incompatibilidades de agenda. Uma futura entrevista com António Alves e RIGO fica prometida, aqui no Viver.



A maior parte das vezes, não gosto de ter razão. Sendo o pessimista que sou, isso quer dizer que as coisas correram mal.
Assistiria curioso a várias experiências neste mural:
1. A ZdB ter orçamento suficiente para ir pintando por cima de cada tag, a ver quem desistia primeiro (considerando que os taggistas são mais que muitos – ou serão só meia-dúzia? – eu diria que seria necessário um orçamento muito avantajado);
2. A PSP apanhar em flagrante delito um dos taggistas e um juiz profiláctico condená-lo algumas horas de trabalho comunitário, traduzíveis na repintura do mural de cada vez que um colega seu o voltasse a sujar – a teimosia seria menor neste caso?;
3. A comunidade investir num revestimento onde a pintura não adira (existem no mercado) e proceder-se ao tratamento do mural, com o envolvimento de voluntários – até onde iria a teimosia em taggar uma parede intaggável?
Num caso como o do Bairro em que, aparentemente, todos os "artistas gráficos" lhe são estranhos, em que medida é que o envolvimento da comunidade local pode, de uma maneira positiva, diminuir este problema?
Pois, por isso é que acho que aqui na Alta as medidas de envolvimento da população podem trazer benefícios rápidos, porque os taggistas são todos locais, facilmente identificáveis e há formas relativamente fáceis de os incluir pedagogicamente nas equipas de limpeza mistas, compostas com voluntários, gente de várias idades,, raças, e classes sociais.
No BA vai ser mais complicado. Espero que a entrevista com o António Alves e com o RIGO possa dar boas ideias também.