Horta da EB 34 teve destaque no PÚBLICO

25 May, 2009 by  

A notícia saíu no PÚBLICO de hoje, assinada por Inês Boaventura. É dado um justo destaque à horta comunitária que a EB 34 tem vindo a desenvolver ao longo deste ano. Esperemos que estas experiências se tornem tão óbvias para todos que passe a ser notícia a sua ausências das escolas e bairros.

Até lá, é fundamental incentivarmos e, havendo disponibilidade e interesse, participarmos no seu desenvolvimento.

As horas urbanas não são só uma coisa “gira”.

As cidades precisam ambientalmente de hortas, de espaços verdes, de locais onde as pessoas sintam a ligação à terra, à natureza. São também locais de grande importância económica para muitas famílias.

Lisboa vai ter mais e melhores hortas urbanas até 2011

25.05.2009
Inês Boaventura

A Câmara Municipal de Lisboa diz que vai avançar, “nos próximos meses”, com uma intervenção nos cerca de 15 hectares de hortas do vale de Chelas, com o objectivo de assegurar o fornecimento de água e reordenar o espaço através da criação de caminhos pedonais de acesso. Mas o plano da autarquia é mais ambicioso e inclui, num prazo de dois anos, a criação de hortas em Campolide e Telheiras, e que tentará melhorar os espaços já existentes na Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz.

A Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas promoveu recentemente um encontro nas hortas da zona de Chelas, onde os visitantes se depararam, “num vale cortado por dois edifícios escandalosos – um hipermercado e uma escola – que cortam a circulação de água” pelos terrenos, com “um interessante mosaico de culturas, conjugando uma produção de espécies hortícolas com algumas plantas ornamentais”.

A descrição foi feita pela presidente daquela associação, Margarida Cancela d’Abreu, dizendo ao PÚBLICO que aquelas hortas são mantidas por residentes dos prédios vizinhos, “na maioria reformados”, que cultivam produtos agrícolas para autoconsumo, mas também como forma de “entretém”.

Um dos principais problemas sentidos é o do acesso à água, recorrendo os hortelões ao expediente de a armazenar em “depósitos extraordinários” como “arcas frigoríficas e barricas”, tidos como a única forma de aproveitar a água da chuva, como constatou no local Margarida Cancela d’Abreu.

A Câmara Municipal de Lisboa conhece esta realidade e, segundo o vereador do Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde, vai resolver o problema “nos próximos meses”, criando além disso caminhos pedonais. No futuro, a ideia de José Sá Fernandes é que as hortas de Chelas venham a acolher, numa ponte a unir os dois lados do vale, um mercado onde quem cultiva a terra possa vender a sua produção.

Prática comum

Esta é, aliás, uma prática comum em vários locais do globo (como Chicago ou Londres), mas pouco vista num país que, lamenta o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, “ignora pura e simplesmente as hortas” e a sua importância para as comunidades. A colega de profissão Margarida Cancela d’Abreu conta que uma das excepções ocorre em Évora, onde aos sábados e domingos há bancadas de madeira à porta do mercado para os “quintaneiros” que cultivam hortas à volta da cidade e que ali comercializam os seus produtos, por sinal muito procurados.

Os projectos da Câmara de Lisboa, que o vereador Sá Fernandes acredita que poderão estar concluídos nos próximos dois anos, incluem também a criação de um parque urbano que integrará as hortas já existentes na Quinta da Granja de Baixo, em Benfica. Em Campolide, a ideia é criar hortas que serão atribuídas por concurso a moradores da zona, surgindo também áreas para produção hortícola em Telheiras, num terreno ainda a negociar com a EPUL.

Escola de Lisboa tem terreno cultivado por centenas de mãos

Na Escola 34, na Alta de Lisboa, ao Lumiar, onde estudam 330 crianças com idades entre os três e os 14 anos, houve em tempos um matagal que deu lugar a uma horta, que rapidamente se transformou na menina-dos-olhos dos professores, auxiliares e alunos. Num terreno lavrado e cultivado por muitas mãos, na Alta de Lisboa, crescem couves, favas, feijões, ervilhas, batatas, cebolas, cenouras, pepinos, pimentos e outras espécies hortícolas.

No ano lectivo passado, as abóboras transformaram-se num doce que foi comido com tostas por todos os alunos, junto de quem se tenta, através do projecto da horta, promover uma alimentação mais saudável.

É por isso que para este ano lectivo estão reservadas para a festa do dia das bruxas. Os pais contribuíram para a plantação com sementes e plantas, e são também eles os principais clientes compradores dos produtos que os alunos vendem à porta da escola sempre que há colheitas.

Também naquele bairro da Alta de Lisboa poderá nascer nos próximos tempos uma outra horta, esta comunitária, sonhada pelo morador e arquitecto paisagista Jorge Cancela, que tem vindo a recrutar futuros hortelões. O mentor da ideia adianta já que conseguiu convencer “mais de 40” e precisa que vai tentando tentar reunir o maior número de apoios para o projecto, incluindo o necessário terreno.

Uma das ambições desta horta comunitária é aproximar os moradores realojados naquela zona da cidade dos que lá compraram casa, contribuindo para uma maior harmonia entre este “mix social” e para o aumento do sentimento de pertença dos próprios ao todo da comunidade. A produção, explica o arquitecto paisagista Jorge Cancela, será biológica e a zona a cultivar terá que ter “um acesso relativamente fácil, seja de automóvel, seja pedonal”, além de fornecimento de água e uma vedação.

O projecto e a eventual cedência de um terreno por parte da Câmara Municipal de Lisboa já estão a ser analisados pelos serviços da autarquia, garante aquele arquitecto paisagista.

No mesmo sentido, e segundo a Câmara Municipal de Lisboa, que aponta os exemplos das hortas no Vale Fundão e no Bairro Padre Cruz, o desafio da autarquia é intervir nas hortas comunitárias já existentes, algumas das quais em espaços privados e que não têm fornecimento de água ou acessos em condições, garantindo que nenhum dos hortelões deixa de ter um espaço de cultivo.

“É a primeira vez que a câmara aposta mesmo nas hortas”, garante Sá Fernandes, acrescentando que “antigamente” a prática era simplesmente “fechar os olhos” e ir permitindo a sua existência.

Comments

15 Responses to “Horta da EB 34 teve destaque no PÚBLICO”
  1. Luísa Ferreira says:

    Parabéns à Escola EB 34 pela sua linda horta e pelo merecido destaque no Público!

  2. moradora says:

    Nós agradecemos!

  3. MrSteed says:

    Eu gosto muito do conceito das hortas comunitárias mas confesso que há um aspecto que me preocupa: a qualidade dos solos. Com tanta porcaria que já se fez nas zonas urbanas não há a possibilidade de que a terra que se está a usar esteja contaminada com materiais nocivos? Alguém analisou o solo? Estou a ser apenas alarmista e não tenho razão no que digo? Não sei. Como vos digo é só algo que me vem à cabeça de cada vez que ouço falar neste assunto.

  4. JorgeCancela says:

    A questão da qualidade do solo é relevante, sim. Quando soubermos do local proposto pela CML para a implementação das hortas comunitárias, a análise desses paramêtros será das primeiras coisas a fazer, recorrendo a amostras retiradas do local e que enviaremos, em princípio, para o Laboratório Quimico Agrícola Rebelo da Silva, na Tapada da Ajuda, em Lisboa.

    Em função dessas análises, várias técnicas e soluções são conhecidas para corrigir / melhorar as características físicas e químicas do solo para que o mesmo esteja nas melhores condições de produção. Pretendendo-se para as hortas da Alta um modo de produção biológico, as soluções terão de ser as mais adaptadas para tal; contaremos para isso com a nossa própria experiência e solicitaremos o apoio técnico da Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (http://www.agrobio.pt).

    • JorgeCancela says:

      Se o solo se revelar contaminado com materiais nocivos o processo terá de ser outro, e pode mesmo levar a que se escolha outro local ou que se substituam os solos, mas apenas se poderá definir a intervenção em função dos resultados concretos das análises. Mas esperemos que não.

      De qualquer forma esta questão é importante, está-se atento à mesma, e à medida dos desenvolvimentos do processo das hortas da Alta, colocar-se-ão neste site as informações relevantes. Essa será uma delas.

      Aproveitamos para informar / relembrar que no próximo dia 6 de Junho, sábado, pelas 15 horas, na Escola 34, teremos mais uma reunião aberta a todos os interessados nesta aventura.

  5. moradora says:

    Venha comprar livros na escola n34 para a semana:
    O Planeta Tangerina e a Kalandraka vêm à Escola 34.

    Terça-feira das 15.00 às 16.00.
    Quarta-feira das 8.30 às 9.00
    Sexta-feira das 17.00 às 18.30

    Os lucros da venda revertem a favor da biblioteca da escola 34.
    Precisamos de Si!

  6. Lcrg says:

    Esta nem dá para acreditar! Acabo de passar pela escola onde se situa a Horta… e não é que também há lugar a lavagem de cavalos???!!! É isso mesmo!!! Estava um fulano a dar banho a um cavalo… com a água da rede pública paga por nós, contribuintes!! Coitado do cavalo! O tipo até pode morrer pois, para quem não sabe, os cavalos não podem ser molhados daquela maneira e ainda por cima ao Sol abraçador! Bem, é o que se chama a criação em massa: Legumes e Carne. Será que o cavalo era para abate e a carne será, posteriormente, distribuída? É que faz tempo que não como um bom bife de cavalo!

    SÓ tive pena de não ter lá nada para registar fotograficamente!!!

  7. moradora says:

    Creio que está a falar de uma iniciativa da Associação de Pais inserida na celebração do dia da família!
    Os meninos tiveram direito a dar uma voltita de cavalo/ponei.
    Sabia que há cavalos e poneis a viver na Alta de Lisboa?

    Também gostava de ter visto, mas nem sempre trabalho!

    Se quiser vir à escola venha à nossa feira do livro!
    E já agora viu a horta?

  8. Lcrg says:

    Aquele cavalo (já sei…!)´pertence ao morador daquela "coisa" isolada que está mesmo em frente à escola e que ainda ninguém sabe o que irá fazer daquilo! Parece que é um "palácio" ou coisa parecida mas deve viver lá gente "graúda"… e garanto-lhe que a iniciativa não era para o meninos andarem pois estou a falar d'um cavalo "irritado" e "arisco" branco e bem grande para os miúdos (que, acho eu, nunca andaram a cavalo) poderia ser/era bastante perigoso… ainda para mais não vi nenhum picadeiro (local onde os miúdos e garúdos) poderão experimentar essas iniciativas… e claro está, o cavalo levou uma banhoca do dono que, aproveitando o claro que estava, juntou o útil ao agradável!

  9. Lcrg says:

    e vi a horta que, confesso, deixou-me um pouco desanimado… pelo que aqui se escreveu pensei que tratava-se de uma coisa bem maior… mas acho que sim… podem aproveitar as couves e ensinar os meninos que os vegetais são nossos amigos!

  10. moradora says:

    Aquela coisa é a Quinta da Musgueira!
    Era uma quinta como todas as quintas do alto do Lumiar. Produziam azeite, vinho e vegetais para Lisboa quando a Alta de Lisboa não era Lisboa.
    A quinta da Musgueira não tem cavalos, mas tem pessoas que lá vivem e trabalham.
    Quanto ao cavalo não sei de quem é mas pode sempre contactar a associação de pais:
    http://apaltodolumiar.wordpress.com/

  11. emeandeme says:

    Podem mostrar a localização, com um mapa do google? A alta é muito extensa, nem conheço essa escola.

  12. MrSteed says:

    fantástico! Jorge: muito obrigado pelos esclarecimentos

  13. moradora says:

    Sim claro
    A escola fica no actual fim do eixo pedonal e em frente ao condomínio da torre na
    Rua José Cardoso Pires!
    http://maps.google.com/?ie=UTF8&ll=38.775532,…

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