And now for something…

20 May, 2009 by  

… completely the same.

Este é um país de recorrências.

Porque é que eu haveria de ser diferente?

Estava a pensar em como todo o activismo se faz de repetições. De ir repetindo e repetindo, até à nossa náusea e à aderência da maioria.

Por exemplo. Nesta altura do campeonato, para mim seria pacífico que toda a gente conhecesse as nossas bandeiras, as deficiências que insistimos ser obrigatório corrigir, as nossas propostas. Não sei se é da memória, se da renovação dos leitores, se da velocidade a que se publica por aqui.

O que é facto é que, aquilo que, para nós, já é embaraçoso mencionar por ser old news, é recebido por muitos como refrescante novidade.

E, portanto, eis uma novidade, nunca antes discutida:

Quando é que o Parque Oeste tem bancos com costas?

Vejam lá estes exemplos, tirados da vivência do Rossio:

baixa-banco-rossio

baixa-banco-c-costas

Como é que acham que alguém com mais de 30 quilos se sente, depois de se sentar no banco da foto de cima – empenado, anquilosado, mais partido que o PS depois de um discurso do Manuel Alegre? Como é que um adulto usa aquilo sem frequentar previamente umas aulas no Chapitô? Como se disfruta o mundo a partir daquele poiso? Restam mais possibilidades para além de dormir ou encadear-se com o céu?

Reparem agora na pluridade do segundo exemplo. Olha-se a rua ou as montras, os veículos ou os peões. Tem-se apoio para as costas, o descanso não é doloroso, sabe bem parar para dois dedos de conversa, um jornal, ou um serenar.

É assim tão difícil escolher?

Querem-se deitar? Deitem-se na relva!

PS- Senhor governador Sá Fernandes, estamos em ano de eleições, está na altura de cumprir as promessas feitas em 2007, pague lá uns banquitos para o parque!…

PSD – A senhor arquitecta que o projectou também afirmou gostar de bancos com costas.

Comments

10 Responses to “And now for something…”
  1. Pedro Veiga says:

    Apoiado!
    Também não compreendo o projecto de arquitectura do parque oeste. Se aquilo foi feito mais para vender casas então está tudo dito… aliás cada vez menos compreendo os arquitectos que muitas vezes desconhecem a influência de elementos ambientais fundamentais à utilidade e viabilidade das suas obras.

  2. Pedro Veiga says:

    Apoiado!
    Também não compreendo o projecto de arquitectura do parque oeste. Se aquilo foi feito mais para vender casas então está tudo dito… aliás, cada vez menos compreendo os arquitectos que muitas vezes desconhecem a influência de elementos ambientais fundamentais à utilidade e viabilidade das suas obras.

  3. Tiago says:

    Precisa de bancos com encosto, como qualquer jardim ou parque deve ter. Desde a primeira hora, mesmo antes de aberto ao público, que dizemos isto à CML e SGAL. Nunca deram importância.

    Ouvimos da boca do actual Vereador dos Espaços Verdes que a CML iria estudar e tentar de todas as formas colocar bancos com encosto no Parque Oeste. Já lá vão muitos meses, foi quando se afogou aquele menino, num dos lagos, em Novembro de 2007.

    Até agora, tudo na mesma.

  4. PedroCG says:

    Rapazes, temos 4 meses de esperança.
    Incidentalmente: alguém sabe quando será a inauguração do resto do parque? Pelo que vejo, quando passo na Norte-Sul, a procissão ainda vai no adro. As obras parecem paradas, à espera da agenda do senhor presidente da CML. Fica menos mal assim do que se estivesse tudo pronto e por inaugurar, não é?

    • Tiago says:

      A inauguração do resto do Parque foi anunciada por José Sá Fernandes para Maio de 2009. O cartaz que está na rotunda à entrada da Av. Kruz Abecassis aponta para Junho de 2009.

      Pelo andar da procissão, como dizes, custa-me a crer que possamos passear no Parque Oeste antes de 2010.

      O Parque ficará fechado mesmo depois de pronto, à semelhança do que aconteceu com a 1ª fase. É necessário dar tempo às árvores de se adaptar ao espaço antes de ser usado, portanto a SGAL até o podia acabar já sem correr o risco de parecer estar a fazer panelinha com o PS na CML. Por outro lado não vejo que razões encontraria a SGAL de fazer favores ao PS depois de ter sido tão prejudicada nos últimos 2 anos.

      Não percebo também porque se continua a dar prazos irreais. Se por incompetência, ingenuidade ou calculismo político.

  5. MrSteed says:

    Se a arquitecta tb gosta de bancos com costas pq razão foram construídas aquelas blocos tipo pedras tumulares? Banquinhos com costas já! Arquitectos prá Sibéria! A luta continua! :p

    • Tiago says:

      A Arquitecta desenhou uns bancos com encosto que não dão jeito algum. No topo do parque podem encontrá-los. Segundo percebi no debate orgazinado pelo Viver em 2008, o CineCidade, com a presença de Isabel Aguirre, o projecto dos bancos com encosto passava por algo parecido com o que já existe.

      Os monos que lá estão foram mesmo opção convicta. Para as pessoas se poderem sentar, deitar, sei lá, tudo menos encostar confortavelmente.

      • PedroCG says:

        Não tinha ficado com a ideia que eram aqueles mas acredito em ti. Estás-te a referir aquele ondulado mesmo no topo, não é?

        Respondendo ao Steed: a arquitecta tinha em mente um parque para passear e não para estar, ou seja, criou um percurso sinuoso, enleante que só tem razão de ser se o visitante se deslocar, permitindo-lhe assim ir descobrindo pormenores, recantos, pontos de vista. Baseava-se esta perspectiva não só nas suas convicções pessoais mas também na morfologia existente, pouco dada à constituição de áreas planas. Nesse sentido, colocar bancos para fixar pessoas seria contraproducente – daí os poucos existentes e o seu desenho.

        Quando colocada perante a pergunta "porque é que os bancos não têm costas?" respondeu que até nem era contra os bancos com costas (ela já teria conhecimento da pergunta, o nosso banzé às vezes é ouvido) e até tinha uns desenhados. Foi tão surpreendente que só conseguimos arquear as sobrancelhas e perguntar "e… ehr… óptimo, então vamos ter bancos com costas…"

        Pois. Qualquer que seja a explicação – falta de pilim, falta do desenho, falta de vontade, a crise do subprime, o Bush, o Santana, o que é facto é que o Parque continua na mesma, pouco utilizado, pouco vivenciável. Pode ser que esta fase lhe traga mais gente mas até aposto que os novos visitantes se irão concentrar junto ao lago. Para quê subir se "lá em cima" não há nada, nem bancos, nem quiosque, nem sítios para brincar?

        • Tiago says:

          Pois, eu também não sei se eram aqueles ou não. Mas como na altura mais quente das discussões da existência de bancos com encosto no Parque Oeste se chegou a falar nos do topo, calculei que a Arqª tivesse um desenho qualquer de uma peça metálica para acrescentar aos monos. Mas aí perdia-se o tal argumento de querer monos para o pessoal fazer deles o que quisesse.

          Olha, não sei. Só sei que aqueles encostos dos bancos do topo do Parque Oeste são para Hobbits, não para nós.

          Srs. Arqºs: quando pensarem em bancos com encosto para jardins pensem lá nas vossas casas. Gostam de sofás confortáveis e poltronas, não é? E não têm bancos corridos à mesa nos jantares de família, pois não? Porque será? É só pelo status ou o conforto é uma variável?

      • Bancos com encosto onde as pessoas não conseguem estar sentadas e encostadas, NÃO SÃO bancos com encosto. Pois não? :S

        Mesmo que a arquitecta Isabel Aguirre os ache lindos e que "ficam muito bem" naquela paisagem.

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