Pandemia?

30 April, 2009 by  

gripe-suina

Agora que a OMS saiu em defesa dos pobres porcos e renomeou a gripe, de suína para “A” (“A”? Que coisa tão anódina. Porque não “XXX”?), esta imagem perdeu actualidade.

Já a H1N1 é cada vez mais actual – teremos uma pandemia como a de 1918 ou estamos perante mais uma media-histeria como a da H5N1, vulgo gripe das aves?

Eu, que não percebo nada disto, vergo-me à opinião de quem tem as credenciais para perceber, como o Prof. João Vasconcelos Costa, pelo que aqui vos deixo este link para o seu blog com uma série de textos por ele escritos a propósito do tema.

Destaco algumas frases:

No caso da gripe aviária que apareceu há poucos anos, houve infecção de algumas centenas de humanos, mas sem que o vírus pudesse passar desses humanos a outros. Agora é diferente. (…) De suína, esta gripe só tem a origem. De facto, ela é bem humana. (…) não é um H5N1 (…) mas sim um H1N1, desaparecido da história da virologia há quase um século. Foi o tipo de vírus que causou a terrível pandemia de 1918, a espanhola, que matou mais gente na Europa do que a guerra mundial que tinha terminado pouco antes. É certo que tem havido, nos últimos invernos, algumas infecções com H1N1, mas não é o tipo hoje mais vulgar e nada garante que o novo vírus seja neutralizado por vacinação com os últimos H1N1 circulantes. (…)

Considero uma situação muito preocupante, porque estamos perante condições muito diferentes do que eram as tradicionais na emergência de novas pandemias de gripe. A sua origem não é em zonas rurais da Ásia mas sim numa área metropolitana de 20 milhões de pessoas, em estreito contacto favorecedor de transmissão por via respiratória. Em segundo lugar, os vírus hoje viajam de avião. Finalmente, como disse atrás, trata-se de um tipo de vírus contra o qual há dezenas de anos que não há qualquer resistência imune nem há vacinas rapidamente disponíveis. (…) 

O que faria agora eu, como indivíduo? Obviamente, cancelar qualquer viagem marcada para o México ou para o sul dos EUA. Informar-me junto do meu médico (…) Se começar a haver casos em Portugal, usar máscara, deixar de frequentar locais com muita gente, isolar em casa, como prisioneiros, os nossos pais septuagenários. E, se a religião ajuda, rezar frequentemente.(…) Mas também ter em conta que o mesmo progresso e actual modo de vida que nos vai trazer o vírus de avião também vai permitir o diagnóstico muito precoce da doença, a produção limitada mas razoável de medicamentos e de vacinas.

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