Os portugueses que somos

20 April, 2009 by  

É revelador do país que queremos ser que, num concurso inócuo mas popular, os dois primeiros classificados tenham sido homens cuja concepção política da sociedade passava pelo controlo autoritário e não eleito do Estado sobre toda a população e só depois aparecesse o maior exemplo de desprendimento pessoal e coerência interior que Portugal viu nascer nos séculos mais recentes.

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Aristides de Sousa Mendes. Pela sua intervenção, evitou que cerca de 30 mil seres humanos fossem aprisionados e, pelo que a História registou depois, assassinados. Castigado, ofendido, reduzido à penúria total pelo crime tenebroso de ter desobedecido a ordens superiores. Num país e num regime que sempre se reclamou orgulhosamente cristão, católico e apostólico romano, colocar o amor à obediência acima do amor às leis de Deus é tão demonstrativo que dispensa maior argumentação.

A este Homem, tarda o Estado português, mais do que repôr o bom nome (o que já fez, ainda que tardiamente), em homenagear condignamente. E tardamos nós, apesar das lágrimas de crocodilo que periodicamente deitamos, em o exigir.

Se não fosse por inevitavelmente acabar numa discussão estéril de pormenores que nos afastariam do que é importante, deixaria aqui a sugestão de nos batermos pela atribuição do seu nome ao Eixo Central. Que melhor imagem para este bairro de nova imagem do que apresentar como cartão de visita uma avenida em justa homenagem a um Homem Bom?

Incidentalmente (ou talvez não): amanhã será lançada uma nova biografia sobre Sousa Mendes. “Aristides de Sousa Mendes – um Justo Contra a Corrente” de Miriam Assor estará em apresentação no Restaurante do Corte Inglês a partir das 18:30, com apresentação de José Miguel Júdice.

 convite

Comments

18 Responses to “Os portugueses que somos”
  1. emeandeme says:

    Concordo! Aproveito para alertar para o abandono, em Cabanas de Viriato, a que está votado o solar de Aristides de Sousa Mendes, que, entregue a uma distinta Fundação de Ilustríssimos Dignitários… aguarda restauro há anos.
    Fora noutro qualquer país civilizado e um projecto digno teria vingado, sobrepondo-se às quezílias dos pequenos poderes que sempre se querem assenhorar do passado glorioso de outros. Mas Portugal é feito de Grandes, cujo valor só os Estranhos reconhecem, pois pequena como o país é, tantas vezes, a nossa alma!

  2. carlosmc says:

    Excelente sugestão Pedro. Partilho a sua opinião que não se tem dado em Portugal a devida importância e o merecido destaque a Aristides de Sousa Mendes. Dar o seu nome ao Eixo Central, creio ser uma forma muito bonita e apropriada de o homenagear. Associa-lo a um projecto como a Alta de Lisboa é uma excelente proposta que apoio incondicionalmente. São propostas estimulantes e exequíveis como esta que nos fazem olhar para o futuro da Alta com entusiasmo.

  3. Lcrg says:

    Plenamente de acordo!

    Pergunto:
    Não teria sido mais "Tchannan" se esta apresentação do Livro tivesse sido planeada para uma livraria portuguesa? El corte Ingles…? Realmente portugal, sempre se escreveu com letra pequena.
    HÁ QUE TER ORGULHO nos nossos verdadeiros patriotas! Todos eles! E este foi sem margem para dúvidas um GRANDE PORTUGUÊS!
    Ah! Parabéns por este Post! Impecável!

  4. Tiago says:

    Justo. Voto nessa. Envie-se a proposta à SGAL, UPAL e CML.

  5. Também concordo. Excelente nome para o Eixo Central.

  6. Excelente Post e excelente ideia. Também voto nessa.
    Sem dúvida que se deveria começar a dar valor ao sentido humanitário que teve A.S.M. durante o fascismo.
    Pode ser que alguém se lembre de fazer um filme chamado "A Lista de Aristides de Sousa Mendes" ou "The lost list" ou "The unforgotten list". É incrível mas tudo o que é estrangeiro é que vende.
    Veja-se a Sacoor Brothers ou a Fly London ou a Salsa…

  7. Lcrg says:

    Por exemplo a Burburrys (acho que é assim que se escreve)… era TOTALMENTE feita em Portalegre na Fino's (fábrica essa que já fechou ou está em vias de… mas creio que já encerrou portas! Por isso cá vai! O que é nacional é Bom!

  8. Joana says:

    Muito bem Pedro. O Aristides de Sousa Mendes é merecedor de todas as homenagens possíveis. Deixo aqui o link (http://mvasm.sapo.pt/) para o seu museu virtual (às vezes não funciona mto bem) para quem quiser mais informação.

  9. Lcrg says:

    Marcas essas com nomes "estrangeiros" mas fabricadas em Portugal!
    Ah pois é …!

  10. hrelogio says:

    Excelente ideia. Bem visto.
    O que é preciso fazer nesta fase? Alguem sabe?

  11. Afinal já existe uma rua em Lisboa com o nome Aristides de Sousa Mendes…

  12. Tiago says:

    E não pode haver uma Avenida com o mesmo nome?

  13. Então e se não for uma Rua, nem uma Avenida, e for o Centro Cultural… ou….?

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