Luís Fazenda é o candidato do Bloco à CML
21 April, 2009 by Tiago Figueiredo
O BE apenas conseguiu eleger um vereador para a CML com Sá Fernandes como cabeça de lista, na altura conhecido pelas acções cívicas como independente. Mas os desentendimentos com o BE cedo começaram neste último mandato, com a aproximação de JSF a António Costa.
José Sá Fernandes resultou bem como trunfo eleitoral em 2001 e 2005. Apesar de suscitar alguma antipatia em parte do eleitorado, recolheu muitos votos nos que se reviam na sua forma de actuar enquanto cidadão alerta e participativo. Tem uma vaidade transbordante, mas sai à rua e defende medidas que efectivamente melhoram a cidade, apesar de algumas cedências políticas desde que foi nomeado como Vereador no Executivo de António Costa. Em 2009 irá certamente concorrer na lista do PS, mas perdeu a bandeira da “Cidadania”.
Mas o BE com Fazenda conseguirá reeleger um Vereador? Provavelmente não. E para quem irão os votos conseguidos em 2001 e 2005 sob o “efeito Zé”? Ou seja, quem irá ganhar este Vereador?




Prosseguindo a metáfora futebolística, o BE desistiu da "Europa" a que se alcandorou com o ponta-de-lança Sá Fernandes e agora joga só para não descer de divisão.
Escolher um funcionário do partido pode ser uma garantia para o Bloco de que o seu eleito adopta a linha política do partido (ao contrário do Zé) – presumindo que não abandonará o cargo para voltar ao Parlamento. É uma aposta segura do ponto de vista do controlo de danos.
Já escolher um político sem especial empatia com o eleitorado, sem obra ou ideias conhecidas no âmbito da cidade ou da sua gestão é desligar completamente os holofotes e esperar que a presença mediática e o sucesso de Roseta, bem como a discussão à volta dos "perigos" de Santana, não levem a um debacle eleitoral e ao varrimento do BE dos assentos da vereação.
Mais uma vez, um bravo ao estoicismo dos Cidadãos por Lisboa, ao não se deixarem ir nos cantos de sereia dos eventuais ganhos das alianças pré-eleitorais preferindo a coerência e o contrato social que estabeleceram com quem há dois anos lhes confiou o seu voto.