Habitar

O Grupo HABITAR – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, é uma minha descoberta recente, ainda que exista desde 2001. Presidido pelo Arquitecto António Baptista Coelho, desenvolve uma actividade preciosa no âmbito do estudo, análise, discussão e divulgação do habitar nas suas diversas componentes (arquitectónica, urbana, social) (ver objectivos gerais e específicos da Associação).
Recomendo vivamente a leitura dos inúmeros textos que foi publicando ao longo dos anos e que se podem encontrar no blog/revista da Associação (aqui).
E agora digam-me lá se não se reconhecem neste parágrafo, se não é isto que andamos aqui pelo Viver a defender há uma data de anos:
“(…) A qualidade estética dos edifícios e das vizinhanças associada à capacidade dos locais para gerar convivialidade, é o factor urbanístico que produz o “cimento” unificador da cidade (Michel de Sablet, Des Espaces Urbains Agréables à Vivre – Places, Rues, Squares et Jardins, Editions du Moniteur, Paris, 1991) . São palavras sábias de Sablet, que afirma ser a qualidade do projecto um elemento estratégico fundamental na guerra que se tem de travar contra a insidiosa desagregação das cidades modernas. Uma cidade que se deseja “reconstituída nos seus sistemas de convivência”, como defende Jordi Sebastià. E reconstituir uma cidade convivial, portanto bem viva e habitada, passa pela criação de paisagens urbanas motivadoras – unificadas e variadas -, pois “o habitante necessita de emoção na percepção e na relação afectiva com o espaço urbano” (Francisco de Gracia, Construir en lo Construido, Editorial Nerea, Madrid, 1992) .
Muito se jogará, assim, na identidade de cada bairro ou conjunto urbano significativo e no desenvolvimento do protagonismo de espaços de uso colectivo e de uso público, que sejam socializadores e geradores de coesão, quando intensamente habitados. Articulando-se, integrando-se e interpenetrando-se, espaço edificado e espaço livre, em trechos de vida urbana vivos e humanizados, que constituem, afinal, o tal cimento unificador da cidade composta por espaços bem habitados.
Se há algum mistério na acção de fazer cidade, ele passa por habitar/marcar bem esses trechos colectivos de vida humana e urbana, “ organizando, qualificando e humanizando o espaço, disciplinando a ocupação do território” e “exigindo produções de qualidade, que dignifiquem quem a concebe e promove, que dignifiquem os lugares onde se implantam, e que dignifiquem os seus moradores” (voltando a citar Nuno Teotónio Pereira e Duarte Nuno Simões) . (…)” (Arq. António Baptista Coelho)
(Ler o texto integral aqui)



Não resisto a transcrever também dois parágrafos do blog (António Baptista Coelho, "Novos Caminhos da Habitação", 16 Março 2009)
(…) São, por exemplo, os pequenos cafés e restaurantes estrategicamente situados em esquinas e passagens, que tornam a cidade mais habitada e segura e que se podem tornar verdadeiros terceiros espaços das nossas casas, com vantagens para uma vida pessoal, familiar e urbana mais rica e estimulante, mas também é todo um amplo leque de outros equipamentos de proximidade que tornam a cidade circunvizinha mais habitável, porque mais amigável. (…)
(…) E para uma cidade mais viva além de melhor habitada e equipada é importante não esquecer o sentido lúdico, de verdadeiro jogo, que deve marcar acessos a habitações e equipamentos e espaços urbanos, sendo a sua pedonalização em espaços mais segmentados e diversificados a condição directa para uma sua maior amigabilidade; uma cidade viva e amiga do peão. (…)