Graffitis no Bairro Alto

29 April, 2009 by  

O Bairro Alto tem um problema de graffitis e tags. É um caso completamente diferente da Alta de Lisboa. Ao Bairro vai gente de todo o lado, de toda a área metropolitana, é um local cujo “prime time” é a partir da meia-noite. A Alta é um bairro-dormitório, pouca gente de fora cá vem ainda, por falta gritante de atracções lúdicas, culturais ou comerciais.

O Bairro Alto, por esta invasão periódica, sofre de uma praga de tags – assinaturas – que cobrem os edifícios ao ponto a que se vê na foto.

Além do incómodo do ruído pela madrugada dentro, para os moradores ficam os despojos da festa – copos largados, esquinas transformadas em urinol, e paredes riscadas como cadernos diários de alunos de última fila.

A CML iniciou em Outubro de 2008 um programa de limpeza de fachadas para devolver ao Bairro Alto as suas características populares iniciais, combatendo a “gentrificação cultural” que os usos comerciais nocturnos trouxeram.

Mas qual a eficácia da nova política da CML? Qual a perenidade destas acções de limpeza? Mais do que restaurar as fachadas dos prédios, como alterar comportamentos para que as medidas sejam perpétuas?

É uma tarefa árdua sem fim à vista. Um anarquista já ali passou e reiniciou a okupação. Vamos ver quem ganha. Travessa da Espera, pois.

Comments

14 Responses to “Graffitis no Bairro Alto”
  1. MrSteed says:

    este tipo de políticas só resultam com muita teimosia.ou seja. seria necessário que uma equipa da CML estivesse atenta e repusesse a situação limpando a sujidade (porque é disso q se trata).

    Deixo aqui um par de links com estratégias e ideias de outras bandas:

    http://ns.vancouver.ca/ctyclerk/cclerk/020425/csb…

    http://www.nyc.gov/html/cau/html/qol/anti_graffit…

  2. E porque é que não experimentam fazer iniciativas que promovam bons grafitis em paredes próprias?
    Quem faz tags é pessoal que não sabe fazer grafitis.
    É óbvio que eu antes de saber desenhar aprendi primeiro a escrever o meu nome.
    Para isso é que serve opapel de cenário! Para se praticar e quando já se desenha bem… venham as paredes.
    Lembras-te dos grafitis espectaculares que estão na Fábrica?
    Penso que se se fizessem grafitis desses noutras paredes, menos pessoas se iriam incomodar.

    • MrSteed says:

      Susana, não existe tal coisa como um bom grafitti.

      Os grafittis são sujidade e ruído. Porquê? Por mais teorias libertárias que queiram aplicar para justificar e dividir entre bons e maus é sempre uma imposição de alguém a todos os outros. Alguém que impõe a sua maneira de ver a terceiros. Depois, como julgar o que é bom e mau? Num espaço público? Como explicar que aquele pode estar porque é bom e o outro vai ser removido pq é mau?

      Tudo isto levanta uma séries de problemas sérios.

      • Tiago says:

        Segundo sei, os graffiters que se levam a sério têm um código de conduta, uma filosofia por trás, que os faz intervencionar apenas locais já degradados, prédios devolutos, locais que estão abandonados ou semi-abandonados. Não pintam em prédios acabados de construir, vivos, e muito menos em monumentos.

        Tens toda a razão na subjectividade da avaliação da qualidade. Mas quanto aos locais onde se pode intervir os critérios podem ser muito mais fáceis de definir. E nesse aspecto, haver equipas de limpeza de tags formadas por moradores, heterogéneas nas classes sociais, idades, raças, tudo o que queiras imaginar, podia ser um passo importante para definir estas fronteiras. Pelas próprias pessoas, pela população, tornando-a muito mais sensível à questão do vandalismo, muito mais ofendida, quando algum engraçadinho resolvesse assinar a parede que tinha sido limpa com o trabalho de todos.

        Se calhar achas estas ideias de envolvimento comunitário uma balela lírica e naif. Talvez. Mas eu também acho que nunca, mas nunca, iremos ter uma situação de ver os polícias a deter os graffiters por vandalismo, nem uma CML com recursos para andar dia após dia a limpar o que os adolescentes pintaram na noite anterior. Nem sei quão eficaz é na mudança de comportamentos.

  3. naf says:

    Eu concordo com o Mr. Steed, estes problemas só é possivel combater com paciência, insistência, preserverança. Sujaram, limpa-se, uma vez, outra, e outra, e outra, e outra, quantas vezes forem precisas. Basta deixar uma tag que é logo muito mais fácil fazer mais duas. E depois de estar riscado…nem se nota mais um graffitti.
    E remetendo para outro post, da transformação forçada do lago em canteiro, também aí é a única solução. O problema é que não vejo como pedir essa preserverança de alguém. Porque não tenho o direito a viver sossegado num local onde as outras pessoas não destruam a propriedade alheia ou o espaço público, tal como eu faço? Porque não hei-de ir viver para a expo onde os meus vizinhos não grafitam as paredes nem me enchem de esterco os lagos? Quando alguém me pergunta isto não tenho resposta.

    • MrSteed says:

      meu caro, o parque das nações não é exemplo para ninguém. tem problemas de segurança muito mais sérios que a alta de lisboa e existem lá partes destruídas e tags como noutros sítios.

      e digo-lhe que sinceramente algumas atitudes de que tenho conhecimento de habitantes da expo me envergonham. são de um novo-riquismo e falta de espírito de comunidade atrozes. algo que não gostaria de ver aqui e que infelizmente vejo em ideias como as que manifestou neste seu comentário.

  4. Tiago says:

    Eu também concordo com o Mr. Steed. Mas uma solução que envolva a população, toda, sobretudo a que faz tags, é capaz de ser mais eficaz do que uma coisa que se assuma como vinda exterior, da Autoridade.

    E repara, não estou a defender estas tags, nem a legitimar os argumentos pateta dos que as fazem, nem a dizer que a CML não deve impor autoridade. Acho estas tags e abortos de graffiti um lixo, vandalismo mesmo. Mas ou a CML tem rios de dinheiro para ter brigadas de limpeza a trabalhar dia e noite (e não, não tem) ou arranja uma solução que integre a população, que a faça perceber que podem fazer algo pelo seu bairro.

  5. É claro que não defendi grafitis ou tags em paredes de edificios habitados, ou monumentos.
    É óbvio que as brigadas de limpeza diária anti-tags são incomportáveis financeiramente.
    É óbvio que as motas aspiradoras de cócós são práticas, mas além de não apanharem os cócós todos não fazem com que os donos dos cãezinhos passem a apanhar esses cócós.

    O que eu defendo é uma política de educação social que infelizmente não é transmitida em casa, nem nas escolas, nem nas televisões, nem pela internet.
    E sobre este assunto poderia estar aqui a falar toda a noite…

    • MrSteed says:

      as campanhas de limpeza de grafittis têm de ser levadas a sério (ler links são chatos mas têm informação útil). custam dinheiro. ah pois custam. vale a pena? opinião mto minha: vale pois. são impossíveis? naaaa. há bons exemplos em cidades mto maiores q Lisboa.

      A CML não tem recursos financeiros? Balelas. Aparece aí um arquitolas para fazer um projecto de regime – túneis para trazer mais transito para Lisboa, estádios ou uns novos jardins suspensos no Parque Meyer e o dinheiro surge logo 🙂

      A história dos donos dos cocós passa por peer pressure. É algo social. Vai-se lá aos poucos. Há 20 anos n havia sequer essa preocupação.

  6. PedroCG says:

    Pois eu acho todos estes MRPPs (meninos rabinos que pintam paredes, private joke só para os entões, sorry) já que não tiveram pais que lhes ensinaram o respeito pela propriedade dos outros, deveriam frequentar um curso acelerado de boas maneiras. Para isso, nada melhor do que criar brigadas de restauro que lhes aplicassem tags, idênticos aos que eles colocam, com tinta indelével pelo corpo todo. Uma cabeça garatujada com tinta fluorescente é mais barata e muito mais eficaz que o jogo do gato e do rato aqui propostos.

  7. Ana B. says:

    Acho necessária a perseverança da CML a remover vezes sem conta os graffitis e tags porque concordo que é mais difícil sujar onde está limpo. Mas também acho que essa teimosia não levará a grandes mudanças de atitude. Porventura habituará as pessoas a uma limpeza do edificado, torná-las-á mais exigentes e vigilantes, criará hábitos de preservação do espaço público… porque habituados a espaços limpos, todos seremos mais críticos nas situações em que isso deixar de acontecer. E isso, só por si, já é muito bom.

    Mas quem graffita ou faz tags pode até encarar essa insistência na remoção como um desafio. Tentador. Se o que se pretende é que percebam que as suas manifestações constituem um desrespeito pela propriedade alheia ou pelo espaço público, não bastará limpar, limpar, limpar… Será apenas uma questão de tempo até aparecer um novo tag, como na Travessa da Espera. A atitude não terá mudado, nenhuma mensagem terá passado.

    Concordo com o Tiago e também vejo como mais eficaz uma solução que envolva a população, toda, sobretudo a que faz tags, na limpeza e manutenção dos espaços. É uma solução mais difícil, mais demorada, mas acredito que é mais consistente e permite interiorizar uma mudança de comportamento. Acho que ninguém pensa que isto tem uma solução fácil e rápida.

    Não me choca a ideia de existirem espaços próprios para grafitar. Paredes com essa finalidade. Desde que reservadas para o efeito, não as encararia como uma imposição a terceiros, Steed. Pelo menos, não as encararia como uma imposição maior do que outras. Também posso não gostar de olhar para um painel de azulejos policromático ou do revestimento a ladrilho na fachada do prédio que construíram à frente da minha casa, e não acho que sejam imposições menores. Por mim, poderiam existir painéis de graffitis, temporários, que dessem lugar a outros de tempos a tempos, como acontece com os mupis publicitários. Seriam manifestações de cidadãos, mais ou menos artísticas, como tantas outras, e não desrespeitariam o espaço ou a propriedade de ninguém.

    Quanto à proposta da cabeça garatujada com tinta fluorescente indelével, sei que é uma piada, Pedro. A tua posição no teu post de há uns tempos atrás (e que aqui linkas) confirma isso e acho que não é uma memória de “outros tempos”. Mas é uma piada perigosa, que eu não subscrevo nem recomendo.

    • PedroCG says:

      Não era uma piada mas também não era uma recomendação. Antes a manifestação da impotência que a maior parte dos proprietários sentirá perante a propriedade vandalizada e o prejuízo causado. Ser Job é um percurso cheio de escolhos…

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