Elegia por uma Amizade perdida ou Primavera nas Conchas
1 April, 2009 by Pedro

Momentos como o da notícia da morte do Luigi confrontam-me com a fragilidade da minha existência, com a perspectiva de bastar uma fracção de tempo para deixar de ser. É esta a nossa natureza, cumprir um ciclo, nascer, viver e morrer, a uns cabe a sorte de viver intensamente, outros desaparecem a meio do seu percurso (deveria dizer “no final do seu percurso” mesmo que para os outros pareça ser a meio?). “Morre jovem quem os deuses amam” concluía o nosso Fernando. Inglória glória, desamado amor.
Eventualmente passa a tristeza a quem a sente, fica a memória sempre breve.
Passear pela Quinta das Conchas é testestemunhar esse imutável ciclo natural de nascimento/morte. Assistir aos mundos que aproveitam as sombras de Verão,à beleza do entardecer outonal das folhas, ao desalento da nudez do Inverno.

Mas é poder – principalmente – compreender e aceitar que para a vida é necessária a morte, que o renascimento só se faz depois do luto.

Estamos em Primavera, as árvores e as aves souberam-no antes do calendário, o parque merece caminhadas íntimas de partilha. Há sempre esperança mesmo quando não há esperança, comer, beber, amar é sempre uma solução.

Acabando com outra das personae fernandinas, neófitos, não há morte.

This bird will fly



Belas fotos Pedro, bela reflexão. Um abraço
Simpatia sua, Carlos. Mas obrigado. A propos, se a memória não me falha, ainda não usufruiu o seu prémio. Estamos à espera.
Pois é. Tenho que usufruir do prémio pelo comentário sobre o desaparecimento da rotunda junto às Conchas. Já pensei em vários temas, mas tenho hesitado. Mas tenho muito gosto e vontade em usufruir do estimulante prémio. Em breve, vou concretizar.
Inspire-se e concretize. 🙂
Um abraço