Dia Europeu do Vizinho | 26 de Maio 2009

28 April, 2009 by  

O Dia Europeu do Vizinho é comemorado já no próximo dia 26 de Maio.

Criado em Paris nos anos 90, o evento visa o convívio entre vizinhos mais ameno e mais amigável.

Interessado?

Fica o desafio para participarmos neste evento e promover actividades interactivas entre os moradores dos nossos prédios.

Como?

Basta aderir ao Projecto Prédios que falam fazendo a inscrição neste site.

Prédios que Falam é um projecto comunitário e sem fins lucrativos. O objectivo do projecto é ter mais de 100 prédios a participar numa actividade que foi criada para ajudar a transformar os prédios citadinos em comunidades vivas.

A actividade é interna a cada prédio e dura os 6 dias anteriores ao Dia Europeu dos Vizinhos, 26 de Maio.

Comments

19 Responses to “Dia Europeu do Vizinho | 26 de Maio 2009”
  1. Quando as pessoas viviam em prédios sem elevador, cruzavam-se naturalmente a entrar ou sair do prédio. Não precisavam de ser amigas íntimas, de fazer festas-convívio ou trocar prendas no Natal. Diziam bom dia e boa tarde e até chegavam a conversar um bocadinho soubre outras coisas.

    Acho mesmo que os elevadores mataram a sociedade do prédio, emudeceram-nos – usando a metáfora da iniciativa – tal como as garagem retiram pessoas da rua.

    Dão jeito, muito jeito, as garagens e os elevadores. Mas têm custos sociais que agora algumas pessoas, ao aperceber-se, tentam compensar com iniciativas que, apesar de extremamente bem intencionadas, são um pouco forçadas.

    Mas enfim, de facto há coisas que estão menos humanas nas cidades, e esta é uma delas.

    Uma alternativa é as pessoas voltarem a usar as escadas. Ganha-se em saúde, poupa-se energia do elevador, e aumenta-se as possibilidades de dizer os bons dias, mesmo que de forma ofegante. Uma das ideias desta iniciativa dos Prédios que falam podia ser precisamente esta: de se usar as escada de serviço.

  2. PedroCG says:

    Não acho que seja um problema de elevadores ou garagens – se as pessoas não se falam num ambiente tranquilo como é o elevador, irão falar-se quando se cruzam ofegantes no meio de um lance de escadas.

    Falta de educação, isso sim. De paizinhos que dêem uma rabecada à criancinha quando ela não responde quando o vizinho lhe dá as boas-tardes. Mas também os paizinhos estão mais preocupados com os riscos no carro do que com o vizinho…

  3. Sim é verdade.
    Em casa dos meus pais ainda tinhamos o hábito de ir aos vizinhos pedir ovos, natas, salsa… ao ponto de ainda hoje a minha mãe e a vizinha ficarem tempos infinitos a falar no patamar da escada.
    Às vezes até achavámos que havia outros vizinhos a ouvir as conversas…
    Agora acho que só conheço os vizinhos do 7º (eu vivi no 1º) porque estacionam o carro ao lado do nosso e são simpáticos.
    Neste momento não tenho vizinhos do lado. Alguém quer ir morar para a estrada da luz? Prometo que sou boa vizinha e dou ovos e natas e até música ao vivo;)

    • lebasi says:

      Olá Suzana é a primeira vez que entro em contacto e resolvi responder-lhe estou completamente de acordo nasci num meio muito pequeno em Lisboa zona do Lumiar as vizinhas á 40 anos são muito diferentes de hoje lembro-me perfeitamente de ir buscar o ovo ou a salsa á vizinha hoje moro num bairro perto de onde eu nasci e com grande tristeza personas não gratas aterraram na rua onde moro sabe-se lá porquê,digo isto porque tenho uma (vizinha que adora estragar os vasos de flores que cuido com tanto carinho) com vizinha destas não preciso de inimigos,tem tudo com uma questão quando não se tem berço? pode-se ser pobre, humilde,se não foi educado para respeitar o outro, penso que será um pobre de espirito. Amanhã comemora-se o dia do vizinho por enquanto não tenho conhecimento se algum vizinho vai aderir, a esta iniciativa do que tenho conhecimento a maior parte ramente diz os bons dias e por vezes se puder fugir:@:'(:x mesmo assim Suzana desejo felecidades para si para todos os vizinhos e vou tentando não desistir dos meus olá como está :)<3

  4. Tiago says:

    Bem, a principal diferença que senti entre os prédios onde vivi com e sem elevador não foi a educação dos vizinhos mas a frequência com que os encontrava. Em prédios com dois elevadores então as probabilidades de os encontrar são ainda mais remotas. Nunca algum vizinho me deixou de falar no elevador.

    Na rua onde vivi muitos anos, num prédio sem elevador e sem garagem (na altura eu nem tinha carro), o facto de percorrer a rua e encontrar vizinhos fazia com que nos cumprimentassemos. E sim, às vezes era mais que o bom dia e o boa tarde. Coisa que saindo de carro da garagem agora se torna mais difícil.

  5. moradora says:

    Vivo neste bairro desde o Verão de 2008. Falo com todos os vizinhos do prédio caso me encontre com eles. Sou amiga de alguns e nunca me passou pela cabeça desculpar-me com os elevadores.
    Já lhes bati à porta para os conhecer. Já trocámos presentes. E os meus filhos brincam com alguns vizinhos.
    Na rua já conheço os donos das lojas pelo primeiro nome. Alguns já conhecem a minha família inteira e até me fazem entregas caso precise.
    No bairro sempre que passo por alguém faço questão de a olhar nos olhos, às vezes faço um sorriso, às vezes digo bom-dia ou olá e às vezes paro para conversar.

    Tudo, tudo uma questão de vontade!

  6. Tiago says:

    Acho que não percebeu a ideia dos elevadores. Não me estava a desculpar para nada. Eu também falo com toda a gente, e vou ao comércio, e trato muitos deles pelo nome, e tal e tal e tal…

    Mas estamos a falar de prédios, certo? De uma iniciativa que visa estreitar os laços entre vizinhos, que diz que antigamente as coisas eram diferentes (leia o cartaz, vá ao site e oiça a entrevista). Era só a educação que era diferente, ou estas mudanças como os elevadores e garagens também fazem diferença? Havendo dois elevadores é normal as pessoas subirem do piso de garagem directamente ao seu andar. Antes, percorrendo as escadas, passavam por todos os patamares e havia mais probabilidades de se cruzarem com os vizinhos e dar-lhes os bons dias.

    É isso que estamos a discutir, não é? Ou há aqui outra questão subentendida que me está a escapar?

  7. naf says:

    Olá Tiago, não subscrevo essa ideia de que os elevadores "mataram" o convívio entre vizinhos. Acho que há 3 factores que, a meu ver, contribuiem para esta situação:
    – A dimensão dos condomínios; Os prédios hoje albergam centenas de pessoas em vez de umas dezenas. É impossivel um sentimento de pertença num núcleo tão grande. Ainda recentemente li um artigo sobre um estudo das novas redes sociais (facebooks, hifi, linkedin, myspace, etc) que dizia que mesmo aí os núcleos, realmente activos, tendem a ser pequenos.
    – Falta de tempo; devido ao ritmo das nossas vidas hoje temos pouco tempo para estar com os amigos e familiares. Acabamos por ser muito selectivos a quem damos a nossa atenção. Os vizinhos aparecem muito em baixo na nossa lista de relações a cultivar. No meu tempo livre não é com eles que quero estar porque hei-de investir tempo e esforço nesse convívio?
    – Segurança; algo que me lembro do meu tempo de míudo é de passar horas na rua com outras crianças, vizinhos do meu prédio (com apenas 5 andares diga-se). Também a partir dessa relação entre os míudos cresceu a relação entre os pais desses míudos. Actualmente quem é o pai que deixa o filho brincar na rua, sózinho com outros míudos? Nem pensar! Como resultado as crianças saiem quando os pais têm disponibilidade e paciência para ir ao jardim com elas ou entretêm-se com a playstation. Vejam aqui na Alta quem são os míudos que brincam na rua? Os dos prédios do PER. Os outros nunca os vi.
    Ainda a propósito disto contaram-me há algum tempo de um post num blog, em que o autor mostrava num mapa area de influencia ao redor da residência do seu avô, do seu pai, dele próprio e do filho. Ia diminuindo cada vez mais. O filho praticamente não saia de casa ou da rua. Deslocava-se de automóvel entre "ilhas".
    E aqui sim concordo contigo que as garagens tiveram um impacto grande na nossa vivência da rua e do bairro. Só um exemplo, que vale o que vale, quando punha o carro na garagem passavam dias sem que visse o correio. Se destruissem a entrada do meu prédio demoraria algum tempo até perceber.

  8. Tiago says:

    Nuno, tens razão quanto ao número de andares. De facto o meu modelo de comparação de prédio sem elevadores era um edifício com 5 andares, num bairro onde todos os prédios tinham todos mais ou menos essa altura.

    Agora têm o dobro, às vezes mais. Daí a necessidade de elevadores.

    Quanto aos outros factores que apresentas (falta de tempo e insegurança), tens razão, mas não os vejo como tão determinantes para o isolamento dos apartamentos. Como já disse, quando vivia no tal prédio sem elevador, e mesmo sem ser o vizinho-exemplar que bate à porta de todos para distribuir fatias de bolo acabado de fazer, só pelo facto de todos subirmos as mesmas escadas, os encontros eram muito mais frequentes. Agora, como elevador, passam meses, anos, sem me cruzar com alguns deles. Apenas estatística, não um juizo de valor.

    É curioso que quando se fala com o pessoal realojado das Musgueiras, todos, sem excepção, dizem que a vida de bairro, a proximidade e convivência com os vizinhos diminuiu drasticamente. Grandes diferenças? Mudar de um bairro de casas térreas, com saída directa para a rua, para blocos de apartamentos com 8 andares com dois elevadores.

    • MrSteed says:

      Tem só a ver com educação e capacidades de comunicação. Não tem nada a ver com garagens elevadores ou comboios a vapor. Eu conheço os vizinhos do meu andar. Falamos e ajudamos-nos quando é preciso. No outro dia um idiota entrou no elevador e não disse nada. Levou imediatamente com um sonoro "Boa Tarde" em tom amigável mas suficientemente alto para que sentisse que se tinha comportado como um imbecil malcriado. Há muita gente por aí que tem problemas de comunicação. Tanto do lado dos Musgas como dos Betolas ;

    • MrSteed says:

      Tem só a ver com educação e capacidades de comunicação. Não tem nada a ver com garagens elevadores ou comboios a vapor. Eu conheço os vizinhos do meu andar. Falamos e ajudamos-nos quando é preciso. No outro dia um idiota entrou no elevador e não disse nada. Levou imediatamente com um sonoro "Boa Tarde" em tom amigável mas suficientemente alto para que sentisse que se tinha comportado como um imbecil malcriado. Há muita gente por aí que tem problemas de comunicação. Tanto do lado dos Musgas como dos Betolas 😉

  9. hrelogio says:

    É bom ver que o post suscitou tanto interesse, mas em ver de se falar do que corre menos bem, porque não se falar das iniciativas que poderiamos organizar com a desculpa do Dia do Vizinho, para contribuir para mudar o estado das coisas?

    Fica o desafio.

  10. Tiago says:

    Eu já propus, logo no final do primeiro comentário. Não só propus como a grande maioria das vezes que entro e saio de casa uso as escadas. 😀

  11. PedroCG says:

    Já que estamos em maré de partilhar vivências, devo dizer que conheço todos os meus vizinhos (são 14 agregados mais nós) tenho elevadores e garagem no prédio e uso as várias modalidades – escadas, elevadores e garagem. Sei as histórias de vida de cada um e eles sabem a minha.
    Isso faz de mim um modelo a seguir? Nada disso.
    Faz de mim um cota que vive há tempo demais no mesmo sítio :p
    E, depois de melhor explicado, tens razão Tiago: o entrar e sair do prédio via garagem e as escadas cortadas dos patamares por portas corta-fogo são impedimentos muito grandes para a vivência inter-vicinal. Prédios novos, é o que é.
    Por isso é que deverieis todos abandonar as vossas fortalezas e mudar-vos para a Lisboa antiga, com muito melhores condições de convivialidade. Ide, ide!!!

    • MrSteed says:

      "Sei as histórias de vida de cada um e eles sabem a minha.
      Isso faz de mim um modelo a seguir? Nada disso. "

      naaaa….faz de vcs é uns valentes cuscos 🙂 🙂 🙂

  12. Tiago says:

    Mais uma vez, devo ter-me explicado mal, Pedro. Não lamentei não conhecer ainda todos os meus vizinhos de prédio, só procurei uma explicação para os prédios que não falam (mote do post) que extravazasse a teoria da má-educação. Acho que leva mais tempo a conhecer, e que podem passar meses sem os ver.

    Por acaso alguns dos vizinhos de prédio que conheci até foi nos passeios de bicicleta do Viver. E sempre que nos encontramos agora, os bons dias são ditos com uma cumplicidade diferente.

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