CML atrasa Alta de Lisboa

5 April, 2009 by  

A notícia do PÚBLICO é de dia 1 de Abril, e até parece mentira, mas só pode mesmo ser uma piada de mau gosto.

In Público (1/4/2009)
Ana Henriques

«Concurso com prémio de 12 mil euros e compromisso de encomenda de projecto tem como desafios ligar Alta de Lisboa à cidade»
Resolver imbróglios urbanísticos em Lisboa […], é o desafio posto aos jovens arquitectos europeus no âmbito da décima edição do concurso Europan. Os organizadores do concurso escolheram estas […] localidades para se juntar a seis dezenas de outras congéneres suas do continente, onde também é preciso solucionar problemas causados pela expansão da urbe e pela degradação do espaço urbano. […]

Melhorar as ligações rodoviárias da nova urbanização da Alta de Lisboa ao resto da cidade é o desafio posto a concurso para a capital. Para isso, a Câmara de Lisboa quer estender até ao Lumiar o eixo Av. da Liberdade-Av. da República-Campo Grande. Como? Fazendo passar uma estrada por cima da Segunda Circular? Por baixo? “É uma operação difícil”, reconhece Pedro Brandão, recordando que os planos para dar continuidade ao eixo rodoviário central da cidade datam de há mais de três décadas.

Do projecto faz parte a construção de um corredor de transportes colectivos que inclua uma linha de metro de superfície, bem como a melhoria das condições de deslocação dos peões e dos velocípedes. Prevista está também a criação de um novo parque verde à entrada da Alta de Lisboa, na zona de Calvanas. […]

Ora isto seria tudo muito giro se a solução não tivesse já sido pensada pelo Arqº Eduardo Leira há uns 10 anos, quando lhe foi encomendado o Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL). É aliás o garante da ligação saudável e eficaz da Alta de Lisboa à restante cidade, esbatendo o impacto negativo do “muro” da 2ª circular.

A solução da Porta Sul, incluindo tudo o que se defende neste concurso, foi estudada, aprovada em todas as especialidades, e recebeu o aval da CML. Infelizmente o actual Executivo preferiu deitar tudo por terra e lançar novos concursos.

A solução do Arqº Eduardo Leira é conhecida por Manuel Salgado, actual Vereador do Urbanismo e Arquitecto projectista do Eixo Central, que herda a filosofia das Avenidas históricas de Lisboa e que faria ainda mais sentido com a tal ligação ao Campo Grande.

Infelizmente Manuel Salgado e António Costa preferem lançar concursos e vê-los publicitados, do que dar continuidade ao crescimento planeado da Cidade que dirigem.

Esta notícia não é por isso uma boa notícia para a Alta de Lisboa. É a confirmação que a actual CML pretende fazer atrasar todo o projecto, condenando a ligação a Lisboa. Já se disse uma vez, mas vale a pena repetir: se o objectivo fosse sabotar, as estratégias não seriam mais eficazes.

Comments

7 Responses to “CML atrasa Alta de Lisboa”
  1. Lcrg says:

    Com todo o respeito pelos funcionários públicos que lá trabalham só me apetece dizer isto: os gajos do poder deviam era de morar aqui na zona e irem de transportes públicos para o trabalho… mas não. Andam de rabo quentinho nas viaturas que nós pagamos… Como disse uma vez uma gajo na T.V.:_ Vão mas'é trabalhar!!!!!

  2. PedroCG says:

    A Porta Sul tal como estava projectada, acordada e adjudicada teve a sua morte oficial aquando da entrevista dada pelo Director Municipal da Conservação e Reabilitação Urbana à Antena 1.

    O que este concurso espelha é uma de duas (ou as duas) coisas: a Vereação não gosta da solução original (anterior à que a SGAL se preparava para implementar) ou a Vereação não faz a mínima ideia de como resolver o problema que ela própria criou.

    Ou, como parece (si non e vero…), outras urbanizações mais altas se levantam.

    Independentemente disso, parece-me que a preocupação da CML se prende mais com a Porta Sul, quando deveria dar relevo ao modo como se poderá realizar a ligação desta ao Campo Grande. Não haverá tanto espaço disponível que permita muitas opções (a linha traçada no mapa é mais estreita do que as larguras das avenidas do eixo – República e Central) e a ligação ao Campo Grande também é difícil. Acrescem os custos – de expropriações, da construção.

    E o ónus de destruir um quarteirão em nome do automóvel.

  3. Tiago says:

    Uma avenida como o Eixo Central, com tanta zona verde, com espaços pedonais, com ciclovias, com faixa BUS e metro de superfície, é muito mais do que uma infra-estrutura pensada meramente em nome do automóvel. A ligação do Eixo Central ao Campo Grande pode e deve obedecer aos mesmo ideais. Uma avenida para passear, para viver, bem melhor que a Avenida da Liberdade.

    Só por comparação: O Eixo Central terá um total de 6 faixas de rodagem. Nenhuma de estacionamento de superfíce. A Av. da Liberdade tem quantas? 10, 12? Mais quantas de estacionamento?

  4. carlosmc says:

    Com toda a frontalidade, penso que em relação à Alta de Lisboa não existe, da parte da actual Vereação, qualquer estratégia…a não ser modificar e desfazer o que foi feito. Mais, não existe qualquer consciência da diversidade de vantagens a nível urbanístico, fiscal, financeiro, estratégico, nem da amplitude das dificuldades existentes. A Alta de Lisboa deixou de ser uma prioridade (quais serão…?). Não existe definição de prioridades, plano de acção, monitorização do trabalho realizado. "Estrategicamente", recuou-se na solução para a Porta Sul, que finalmente, ao fim de longos 10 anos de discussões e opções, estava aprovada e ia começar a ser feita (já estaria pronta….), manteve-se um embargo forçado e contra-natura do único empreendimento em construção e atrasou-se o equipamento, cuja construção se ia dar início e que por sinal é estratégico para "cozer" o território e aproximar os dois tipos de população da Alta.
    Não existe estratégia, nem consciência, porque não existe liderança. Não existe quem aglutine vontades, gere consensos, apresente propostas e alternativas, fixe prazos e ponha a máquina pesada a funcionar. Não existe força, imaginação, vontade.
    E depois acontecem estes concursos sobre um projecto há anos estudado e decidido e até com um Plano de Urbanização aprovado, havendo tanta coisa que merece em Lisboa ser pensada. Se não fosse grave e triste, seria cómico. Mas não é. É uma falta de respeito pelos cidadãos e por todos aqueles que com estratégia, consciência, muito esforço e alguma imaginação lutam e trabalham há anos para que a Alta seja aquilo que pode ser.

  5. PedroCG says:

    Forçosamente em nome do automóvel, Tiago, se estamos a falar da continuação do eixo viário radial principal da cidade e da sua ligação ao eixo principal de distribuição viária da Alta. E se mencionei o "ónus" é porque tenho a certeza que aparecerá um conjunto de activistas a protestar pela cedência do quarteirão a mais uma via aquando do início dos trabalhos de demolição dos edifícios que lá estão. Isto é independente da "filosofia" que estará subjacente a essa ligação – concordamos que, se fôr seguida a adoptada para o Eixo Central a cidade ganhará. Ainda que, como referi, o espaço seja pouco e emparedado pelas traseiras dos edifícios do Campo Grande e da Av. do Brasil.

    Incidentalmente: pelas minhas contas, a avenida da Liberdade tem menos uma faixa central que o Eixo da Alta terá (ainda que tenha também as duas laterais mais o espaço para estacionamento). E, apesar da má qualidade do ar, esta é das grandes vias de Lisboa menos "user unfriendly" – tem os passeios centrais largos, arborizados e ajardinados – com bancos com costas! – e passeios relativamente largos junto aos edifícios, para além das lojas para visitar. Já a avenida da República… essa sim cada vez mais transformada em via rápida, com 6+2 faixas, passeios centrais exíguos e para estacionamento, é um deplorável exemplo da cedência da autarquia ao departamento de trânsito.

    Carlos, "modificar e desfazer o que foi feito" não é uma estratégia? Não lhe parece uma estratégia clara, se não de destruição da Alta, pelo menos de um adiamento propositado? E esta ausência de liderança – ideia que eu compartilho – não tem a ver com a inexistência de uma ideia clara, definida e estruturada sobre o que deverá ser a cidade a um horizonte de 10, 20 anos?

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