Boa malha!
1 April, 2009 by Nuno Freire
Em tardes de domingo solarengas, noutros tempos, quando aos domingos não se engrossavam as filas dos centros comerciais, ia com o meu avô à praça da sua aldeia vê-lo jogar umas partidas do jogo da malha com os companheiros. Intervaladas por um copo, no clube da terra mesmo de frente, os jogos da malha, do chinquilho e, para os mais modernos, de “petanque”, preenchiam as horas vagas de domingo.
Uma destas tardes, num domingo igualmente solarengo, ao ver um grupo a jogar malha aqui na Alta, quis reencontrar essa cena.
Os homens alinham-se ao longo da vedação que limita o campo. A grade de cerveja, simultaneamente banco e troféu, marca um meio-campo imaginário e desnecessário ao jogo.

“É a pagar!”- diz-me um espectador – “Quem perde paga uma rodada aos outros todos”.
“Ora, eles são uns 8, cada a mini parece qu’a 50 e tal cêntimos… tá a ver…”. “Não, isto não é para mim, é para malta rica” – atalha.
De máquina na mão, repórter improvável, não escapo ao rótulo quase imediato. “Oh amigo, fotografe lá os buracos p’rá camara vir cá arranjar isto”.
Não vejo nada de estranho na existência de buracos mas sou “jornalista” por instantes. Quanto mais não fosse para satisfação desta minha novíssima audiência, fotografo-os.
Mas há diferenças entre esta cena e essa outra de que fiz parte. Aqui faltam os netos. Não os vejo pela mão destes avós, aprendendo costumes antigos. Sinal dos tempos ou da demografia da Alta, não sei…
“Você não tem um parceiro pois não?”
“Se tivesse já jogávamos aqui os quatro uma partida.”
Sorrio, respondo que há muito que não jogo e deixo-os entregues ao jogo e à conversa. “Uma mini a cada um” – penso – “nã… eu também não sou rico…”



Boa estreia e boa foto, Nuno! Bem-vindo!
Que delícia, Nuno!
Também costumo ver estes avós na Quinta dos Lilases, ao pé da entrada da Quinta junto ao restaurante Conchas. Juntam-se com regularidade ali e também já me convidaram para jogar com eles. Também não vi os netos, mas acho que a demografia da Alta até tem muitos. Deve ser um sinal dos tempos, como dizes. Os miudos são mais sedentários ou então preferem o futebol, a bicicleta e o skate. Se queres que te diga, acho que os avós também prezam muito aquele momento como sendo um momento exclusivamente seu. Quanto muito, seu e dos seus pares. Também é saudável.
Grande post, Nuno! Dá uma ideia muito gira dos vários tempos que cada morador vive neste local com histórias. Uns que se lembram do bairro diferente e têm saudades, outros que só pensam no futuro do bairro e esquecem que já teve passado, e outros que se lembram da sua história noutros lugares.
E mostra também como aos poucos os novos espaços da cidade vão sendo aceites pela população depois da estranheza inicial. Lembro-me de um post muito giro que a Joana fez há uns anos sobre este campo de malha. Na altura ninguém lá jogava.
Concordo que a população do bairro está a envelhecer. As crianças que vivem nos PER são netos dos antigos moradores dos bairros aqui existentes. Alguns vivem com os avós outros com os pais que foram objecto de um desdobramento e portanto continuam aqui a viver.
Os prédios de venda livre, esses sim, têm sido ocupados por casais novos que estão a iniciar uma família e consequentemente têm filhos pequenos. Claro que há algumas excepções!
Por isso eu considerar que o CSaude deva ser uma prioridade. Assim como o investimento nas escolas públicas na Alta, que são profundamente segregadas! Há nos dois agrupamentos do Alto do Lumiar apenas UMA criança dos prédios de venda livre!
Não sei muito bem quem são os ricos e os pobres da Alta. Mas sem muito bem identificar quem ainda tem medo da gentrificação!
Apenas UMA????????
Nã… pelo menos tenho três… que frequentam as escolas de agrupamento… E que tal umas aulas de matemática em vez de atirar "postas de pescada"?
Cuidado a estes comentários…
É preciso haver certezas nas afirmações que se proferem!
Peço perdão!
Não conheço as três que refere.
Mas a ter razão, quatro continua a ser um número insignificante, não concorda?