Arte pública na Alta – Murais

7 April, 2009 by  

E se este muro, que era gradeamento antes das obras da rotunda, em vez de apresentar apenas a cor torrada, fosse tela de arte mural, arte pública, enriquecendo a Alta de Lisboa?

Uma ideia como o mural do Mário Dionísio, o próprio mural do Mário Dionísio (que não chega para toda a parede), ou uma encomenda a um artista vivo? Uma acção conjugada entre a SGAL, a CML (vá lá, qualquer coisinha de vez em quando…) e outras Instituições do bairro?

Ideias destas, postas em prática (e sim, é mais difícil pô-las em prática do que as ter), evitariam aleatoriedades destas. Este muro aqui em cima é da Escola EB 2-3 D. José I. Não era giro se juntassem os alunos na disciplina de Educação Visual (acho que agora é EVT), e pusessem em prática um projecto de um mural nesta parede?

Qualquer coisa como foi feito há uns poucos anos na Escola Básica nº91, pelas crianças do bairro, mas com melhores materiais, para o tempo não destruir tão depressa o empenho dos miúdos.

Espaços cuidados, feitos pelos moradores do bairro, aumentariam o sentimento de pertença, aumentariam a estima que todos sentem pelos bens comuns. Estes bancos aqui em baixo, aqueles que foram inaugurados há um par de anos com poemas lusófonos, estão todos grafitados. Só sobrou o do Xanana Gusmão, não sei se por algum simbolismo. Duvido. Que tal um grupo de alunos, mais pessoas que se queiram juntar, para devolver dignidade aos poemas?

Ter umas ideias aqui é fácil, já muitos o disseram. E concordo: o mérito das coisas que vão acontecendo vai todo para os que saem para o terreno e põem mãos à obra.

Neste caso, os professores das escolas do bairro têm uma importância enorme para poder melhorar a história futura da Alta de Lisboa, ou do Alto do Lumiar, da Musgueira, do que quiserem. E a SGAL teria todo o interesse em ver esta população e instituições dinamizadas e pró-activas. E a CML, se existisse, se gostasse da Cidade e dos seus moradores, seria a primeira a dizer: “Sim, é uma boa ideia. Vamos disponibilizar uns quantos dos nossos mais de 10.000 funcionários para vos ajudar a pôr em prática essas ideias.” Estão nessa?

E aqui na Alta, quem estaria interessada em juntar-se a uma ideia destas? Escolas, Instituições, Entidades, pessoas? Juntamo-nos todos?

Comments

30 Responses to “Arte pública na Alta – Murais”
  1. Apoio completamente com esta iniciativa, é um meio de mobilizar (ou juntar) escolas, instituições e residentes. Seria um meio simpático de contribuir para a apropriação do bairro por parte dos alunos das escolas do bairro que (esperemos) iriam também zelar por algo de seu.

  2. Luísa Ferreira says:

    Tiago, o meu comentário era apenas "provocatório" 😉 O que quero dizer é que apoio a ideia e gostava de participar.

  3. Então e começamos quando?

  4. Tiago says:

    Deixa ver, Luísa. Para já, enviei um mail a todas as instituições do Grupo Comunitário da Alta de Lisboa, a ver o que dizem.

    O João Tito, que é uma pessoa daquelas que valem a pena, já disse ali em cima que está connosco.

    Mas uma ideia destas precisa de ser de todos, de ser abraçada por todos, porque é preciso muito empenho e gente para dinamizar a população. Gente que esteja no terreno, que saia à rua e ponha as mãos ao trabalho. As escolas e os professores são fundamentais neste processo.

    – Escolher locais a intervir,
    – Escolher locais a recuperar,
    – Perceber como dinamizar a ideia nas escolas,
    – Tentar envolver os jovens que deixaram de frequentar a escolaridade mas não estão ainda inseridos no mercado de trabalho,
    – Envolver os idosos também,
    – Envolver SGAL, CML e JF no projecto para apoio com materiais mais duráveis para a a acção não se tornar apenas simbólica mas eficaz ao longo dos anos,

    Era giro se conseguissemos também o envolvimento de artistas plásticos que se juntassem à ideia.

    Enfim, muita coisa. Esperemos para ver as respostas e adesões. Acredito que existam.

  5. Tiago says:

    Eu sei, Luísa. Percebi. E sei que estaremos juntos nisto, quando mais pessoas se juntarem. <3

  6. Também acredito que haverá respostas positivas e adesões. Vivo na Alta há muito pouco tempo mas já percebi que aqui há "Gente"!

  7. tecateca says:

    A ideia é muito boa e interessante. A Mediateca gostaria de dar um pequeno contributo. podem contar connosco

    Finório

  8. MrSteed says:

    desculpem lá ser do contra mas eu gosto do muro limpinho e pintado tal como está. não partilho o entusiasmo por murais ou coisas que tais. prefiro os bancos limpinhos e os muros limpinhos.

    os murais mais do que linda manifestações culturais e artísticas normalmente acabam por ser ruído. raramente são interessantes ou têm algum valor estético.

    curiosamente, os únicos a que acho piada são os clássicos do PCTP/MRPP :)))

    Ó Garcia Pereira! Vinde com os camaradas e pintai o muro com mensagens contra a burguesia e o imperialismo ianque!

    • Está desculpado Mr Steed, realmente o muro limpinho e tal como está fica muito bem.

      Pois eu gosto mesmo é de minimalismo estético… Mas porque não pintar murais com qualidade quando tal se justifique? O gosto educa-se, sim, mas é preciso fazer alguma coisa para isso. E parece-me que esta iniciativa vai nesse sentido. E se, ainda por cima, pode juntar pessoas a contribuir para um produto final comum, ainda bem.

  9. Lcrg says:

    ah… e passei lá à coisa de 30 minutos… tá lá uma mega-rotuuuuuuuuuuuunda… provisória é claro!
    a inicial feita cá pela malta deste Viver tava mais fixe!!! sinceramente!

  10. Tiago says:

    Steed, por isso é que dei mais hipóteses do que este muro limpinho de agora. Existem muitos outros locais mais urgentes de intervenção, claro.

    Eu achava piada que as intervenções fossem com base em projectos artísticos de renome, com estilos diferentes. Um mural grafitti, como aqueles fabulosos que existem em Amesterdão, por exemplo, o do Mário Dionísio, encomendar um aos Mausmaus que têm uma loja na Alta que era tão bom que a ocupassem de vez, desafiar a Ar.Co, um Banksy, os amigos do Garcia Pereira, tantos, tantos…

    O mais importante da iniciativa é pôr os miúdos a fazer algo no bairro que o faça sentir como seu, que lhes faça ganhar mais afecto, carinho e protecção pelo espaço público. Qualquer coisa que os faça pensar, quando por lá passarem, que "isto fui eu que fiz" ou "isto foi o meu amigo que fez". No fundo, estimular o tal sentimento de pertença.

    A mesma coisa se aplica à população idosa do bairro. Pô-los em actividade, a interagir com os jovens, poderá esbater as diferenças geracionais, aumentar o respeito mútuo.

    E "porquê pintar um local que pode ser imaculado?". Mas é imaculado? Consegue ser imaculado? Não estão os espaços públicos pejados de inscrições individuais, de sobreposições do indivíduo sobre a comunidade? Os tags que conspurcam os bancos dos poemas, por exemplo. E neste caso, dos bancos, a ideia era organizar equipas de limpeza.

    Ou seja, o projecto não era apenas de pintar e fazer murais, era de distinguir locais onde é legítimo intervir, perceber a diferença entre uma intervenção de qualidade e um acto de vandalismo idiota, e, sobretudo, aumentar a ligação das pessoas ao bairro, fazendo-as sentir mais como seu do que uma imposição exterior. Sentir como seu, da comunidade, e não como seu, individualmente, numa Babel ruidosa.

    • MrSteed says:

      a tudo isso só tenho a dizer o seguinte: gosto de muros limpinhos e pintadinhos. não me apetece nada olhar para murais feitos por meia dúzia de maduros. sorry. detesto graffitis é mais forte do que eu e não é nada fácil fazer compreender a diferença entre tags e grafittis e a fronteira entre o que é bom ou mau é tão cinzenta que nem vale a pena começar a falar sobre isso.

      o resto são discussões pouco produtivas. Fazer os putos da Alta betolas ou chungas respeitar o espaço onde vivem passa por o responsabilizar em manter o espaço em boas condições e não em intervenções desse género.

      sim, liguei o Steed conservador. nem sempre posso ser práfrentex, sorry folks 🙂

  11. Joana says:

    A nivel de escola, como sugeres no post, não me parece difícil. Nos dois liceus em que andei ambos os muros foram pintados pelos alunos em projectos da disciplina de Educação Visual. E foram liceus com características socio-geográficas (isto existe?) muito diferentes: um foi a Escola Secundária Moinho de Maré, no Miratejo, o outro o liceu de Mirandela, em Trás-os-Montes. Mas os miúdos são iguais em todo o lado…

    No escola do Miratejo houve também uma outra intervenção gia: os professores de Madeiras fizeram um projecto comum transversal às turmas que foi construir 2 canoas (canoas a sério) invés dos projectos individuais para pendurar os panos de cozinha do costume. Todos os alunos de madeiras de todas as turmas fizeram as canoas. Nas férias da Páscoa alugaram-se mais umas quantas e desceram o Tejo desde o Tejo internacional. Começou assim um clube de canoagem na escola, não sei qto tempo durou, entretanto mudei-me para o Nordeste. Mas essa descida do tejo foi muito gira. E isto sendo nos idos anos 80, pré-telemovel, implicava uma colaboação com uma radio e todos os dias a uma dada hora marcada por uns 20 ou 30 min eram passadas as mensagens dos miudos para os pais, que podiam ouvir em casa na rádio. Tenho saudades destas coisas.

  12. moradora says:

    Não é a pintar muros que os meninos da Alta vão aprender a considerar que a Alta é deles. A Alta não é deles!
    Os meninos da Alta que frequentam as escolas e as ruas da Alta vivem em PERs. Os meninos da Alta só aprenderão que a Alta é deles quando efectivamente esta o for.
    Os meninos da Alta precisam de escolas de qualidade que não sejam segregadas.
    Lanço-vos um desafio maior que pintar um muro. "Pintem" as escolas e as ruas do bairro com os vossos filhos!

  13. moradora says:

    Eu apareço muito!
    Se estiver atento vai encontrar-me em muitas acções!
    Conheço a realidade da 34 e da maioria das instituições a trabalhar na Alta.

  14. moradora says:

    Outra acção que procura coser os dois grupos de habitantes são os mini jogos da lusofonia. Apareçam na cerimónia de encerramento e visitem a exposição no complexo desportivo do Alto do Lumiar no próximo dia 19 às 2 da tarde.

    Façam comentários nos blogs
    http://minijogoslusofonia.blogspot.com/
    http://memoriascomvidainfantil.wordpress.com/
    mostrem aos meninos que vivem na Alta que acreditam neles.
    Eles no futuro acreditarão em vós!

    "Be the change you want to see in the world" Ghandi
    "Sê a mudança que queres ver no Mundo"
    Mais fácil é impossível!

  15. Tiago says:

    Eu acho as ideias todas excelentes, as dos muros, a das limpezas, a das visitas de estudo, dos passeios, a de pintar as escolas e as ruas da Alta com os nossos filhos, a de ir aos Mini.jogos da Lusofonia. Tudo. Tudo excelente.

    Boa onda, gente.

  16. Cara moradora Não existes formulas milagrosas nem soluções instantâneas, há isso sim muito trabalho, não só a fazer mas também já a ser feito e que vai demorar anos a dar frutos. Penso, por um comentário anterior que fez, que conhece a realidade da EB1 34, tem aí um bom exemplo de como, aos poucos, vai ser possível mudar.
    Os murais podem não fazer grande diferença, não vão seguramente isoladamente mudar nada, mas acredito que juntamente com muitas outras iniciativas, acções e trabalho, podem contribuir para, aos poucos, mudar comportamentos, atitudes e principalmente mentalidades tanto dos moradores dos PER como dos moradores que compraram casa.
    Quanto ao seu desafio não me parece nada mal, mas lanço-lhe outro, apareça também!

  17. hrelogio says:

    Conta com mais um, pelo menos. 🙂
    Boa ideia.

  18. Eu quero participar, mas aposto mais numa acção de limpeza generalizada de fachadas e murais, pelo menos numa primeira fase.

    Será que conseguiremos um patrocinio de algum representante de tintas e produtos anti-grafiti?
    Podiamos começar por prédios ao cargo da Gebalis, muitos num estado deplorável.
    -A Gebalis autoriza…
    -Um fornecedor de tintas patrocina…
    -E nós limpamos e pintamos.
    que tal?

    • MrSteed says:

      muito mais positivo do que a pintura de murais que pode mandar a mensagem errada.

      as políticas anti-grafittis que têm resultado incluem tolerância zero e remoção de qq inscrição que apareça.

      e se querem que vos diga Lisboa precisa (e muito) disso porque está empestada de rabiscos. estranho é o facto de nenhum candidato falar nisso.

      Nunca mais me esqueci de que há um par de anos uns americanos da costa oeste estiveram em LX para organizar um evento internacional. Um dos primeiros comentários que ouvi foi sobre a quantidade de rabiscos e sujidade por toda a cidade. Um deles perguntou-me "o vosso governo é mto liberal não é?"

  19. emeandeme says:

    Fantástico era um painel de azulejos (mural do Mário Dionísio ou outro), porque era mais duradouro. Era uma foma de recuperar uma forma de arte decorativa tão nossa, que as novas gerações deviam cultivar…

  20. moradora says:

    Ai sim, como aqueles na faculdade de Direito em Coimbra ou aquele à porta da livraria em frente à Faculdade de Ciências no Jardim do Campo Grande!

    São magníficos e como têm relevo até para os cegos são apelativos. Por uma cidade bela para todos eu voto nessa!

  21. emeandeme says:

    Podia-se promover um concurso juvenil ou uma parceria entre as escolas (públicas e privadas) do Lumiar e o Museu Nacional do Azulejo + CML para um painel de azulejos!
    Vejam:
    http://www.mnazulejo-ipmuseus.pt/pt-PT/servedu/Co…
    O mecenato cobre decerto este tipo de iniciativa.

  22. emeandeme says:

    As palavras

    São como um cristal,
    as palavras.
    Algumas, um punhal,
    um incêndio.
    Outras,
    orvalho apenas.

    Secretas vêm, cheias de memória.
    Inseguras navegam:
    barcos ou beijos,
    as águas estremecem.

    Desamparadas, inocentes,
    leves.
    Tecidas são de luz
    e são a noite.
    E mesmo pálidas
    verdes paraísos lembram ainda.

    Quem as escuta? Quem
    as recolhe, assim,
    cruéis, desfeitas,
    nas suas conchas puras?

    Eugénio de Andrade

    Exemplo de um Poema para um MURAL DOS POETAS

  23. Lcrg says:

    e que tal aproveitar o muro para fazermos dele o nosso muro das lamentações?
    colocariamos lá cartazes com as pub's daquilo que falta fazer na ALTA… sempre dava uma ideia de pluralismo político e de markerting… É que já estou fartinho de ver as pub's da SGAL a anunciar obra (e com datas de término) mas todas elas são para tapar o sol com a peneira. É apenas sugestão.

  24. emeandeme says:

    Não desesperemos. Rapidamente teremos uns belos graffitti, expressão da liberdade criativa dos nossos jovens artistas. O ZÉ vai ficar satisfeito, sempre é mais uma tarefa delegada…

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