A baixa da Baixa (II)
13 April, 2009 by Pedro

A morte lenta
Fechados que estamos nos nossos castelos periféricos de classe média, limitamo-nos a emitir balidos de balofa indignação quando alguma das televisões decide, por conveniência de audiências, aludir ao problema em horário nobre.
Merecemos um conjunto urbano património mundial? Não.

O que merecemos – porque nos demitimos de actuar e intervir, porque nos limitamos a eleger quem elegemos sem extrair consequências pela má gestão, porque esperamos que sejam sempre “ELES” a resolver o que é principalmente nossa responsabilidade – é que um cataclismo, uma invasão, um atentado, nos destrua a basófia e arrase de vez o que temos vindo a deixar morrer.


Merecemos a Baixa idealizada por um conjunto de notáveis urbanistas, arquitectos e engenheiros, a Baixa que é o primeiro exemplo mundial da cidade iluminista, esclarecida, a Baixa que inventou um método estrutural anti-sísmico eficaz, a Baixa que criou métodos de pré-fabricação e de racionalização de custos?
Não, não e não.

Não merecemos, não merecemos essa herança. Se assistimos calados e indiferentes a este arruinar, então o que fizemos por merecer são apenas ruínas, descalabro, lixo, podridão.

A Baixa é o espelho onde nos revemos como país, como sociedade, como cidadãos.



