Segurança põe António Costa debaixo de fogo
12 March, 2009 by Tiago Figueiredo
António Costa tentou passar a ideia que os problemas de segurança da Cidade que governa eram da responsabilidade de outros. Pode estar a sair-lhe o tiro pela culatra. Há quem se lembre que o Ministro da Administração Interna anterior a Rui Pereira foi o mesmo António Costa que agora é Presidente da CML, e que algumas das decisões que agora critica foram tomadas no seu tempo.
A notícia do PÚBLICO é esta:
Segurança em Lisboa põe António Costa debaixo de fogo
12.03.2009, Ana Henriques
Manuela Ferreira Leite capitaliza críticas de autarca a Rui Pereira e Paulo Portas desafia Costa a andar “em certos bairros, a certas horas”
A O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, ficou debaixo de fogo por causa das suas recentes declarações de desresponsabilização da autarquia em relação à degradação do Bairro Portugal Novo, nas Olaias, onde no domingo houve uma cena de tiroteio.
Depois de os dirigentes dos dois principais sindicatos da PSP terem saído em defesa do seu ministro, Rui Pereira, criticando ao mesmo tempo as opções tomadas por António Costa em matéria de segurança, quando este era ministro da Administração Interna, ontem foi a vez de o PSD e de o CDS capitalizarem as desavenças entre o actual responsável por esta pasta no Governo, Rui Pereira, e o seu antecessor.
“Até o presidente da Câmara de Lisboa percebeu a magnitude do problema e já critica sem rodeios a política do Governo em matéria de segurança e polícia”, referiu a líder social-democrata Manuela Ferreira Leite, citada pelo Portugal Diário. A falta de efectivos na esquadra da Alta de Lisboa e o encerramento de duas outras esquadras, no Rego e na Av. João Crisóstomo, levaram o autarca a acusar o Ministério da Administração Interna de falta de estratégia.
Ontem foi dia de António de Costa e o seu sucessor almoçarem juntos (ver página 8), para sanarem as divergências. Segundo o autarca, o ministro vai apresentar à câmara uma proposta de contrato local de segurança, à semelhança do que já fez noutros concelhos (Porto e Loures). A questão do policiamento do trânsito, que Costa quer que passe a depender da câmara, também está na berlinda.
“Enquanto ministro, António Costa foi responsável pelas superesquadras [reduzindo o policiamento de proximidade] e pelo congelamento da admissão de polícias”, acusou ontem a vereadora do PSD Margarida Saavedra, que considera as críticas do agora autarca em matéria de segurança um sinal de “impunidade e falta de seriedade política”.
“Quem muda radicalmente de posição desta forma não deveria assumir cargos de responsabilidade”, acrescentou. Já o líder do CDS-PP, Paulo Portas, no final de um encontro com o comandante geral da GNR, no Quartel do Carmo, em Lisboa, deixou uma pergunta no ar: “Gostava que António Costa dissesse aos lisboetas se se sente seguro em certos bairros e a certas horas.” O presidente da câmara tem defendido que aquilo que se passou nas Olaias é um caso de polícia. Portas apontou culpas aos “programas sociais que não funcionam”, e que “deixam demasiadas pessoas dependentes do rendimento mínimo garantido, sem obrigação de procurar emprego”.
No próximo dia 18, a Câmara de Lisboa faz uma reunião sobre segurança, com a presença da governadora civil e de responsáveis da PSP e do Ministério da Administração Interna.


