Esplanada em Clermont-Ferrand
20 March, 2009 by Tiago Figueiredo

Não é preciso a vista de rio para uma esplanada ser um local maravilhoso para se passar o resto de um dia, enquanto se faz horas para outra coisa.
Em Clermont-Ferrand existe algures, numa das esconças ruas que sobe a colina até à catedral, um larguinho com duas esplanadas. Esta daqui era servida por um francês tímido, corpo todo tatuado, sinais de piercings já retirados e um passado qualquer que estava lá dentro guardado numa caixa fechada. Rara ocasião para beber uma blanche artesanal. Como sempre nas esplanadas, as pessoas iam chegando, normalmente para conversar com outra, ou para ler um jornal ou livro, e pediam uma bebida. Nesta estavam também a dar azeitonas de uma herdade qualquer ali da região. A música de Sábado de hoje deu-me a conhecer o tal francês tímido: Sanseverino, Le Tang des Gens. Uma fusão muito divertida de estilos, e muito bem feita.E depois, como estes bairros têm muitos anos, muitos hábitos de vida na rua, mesmo ao lado da esplanada havia um dos melhores restaurantes marroquinos onde alguma vez jantei. De simpatiquíssimos, afáveis imigrantes marroquinos, claro. Não vi vizinhos dos prédios contíguos incomodados com a presença das esplanadas, não vi também quem abusasse no comportamento, incomodando quem ali vive.




Voto nas esplanadas!
Os lugares são principalmente as pessoas que os fazem e uma esplanada faz-se em qualquer lugar.
Aqui na Alta temos que encontrar uma fórmula que concilie as esplanadas com o civismo. Por muito lindos que sejam, nem o Tejo nem os cacilheiros seriam a solução… é de pessoas que estamos a falar.
Sim, Luísa, mas uma cidade é como um organismo vivo. Raras são as coias que funcionam por decreto. Ou seja, não é por se decidir "aqui é um óptimo lugar para colocar uma esplanada" que as coisas corram bem. è preciso quem queira investir, e existir uma magia qualquer que traga as pessoas para o local e que as fidelize. Olha algumas das esplanadas da Expo, no ínício, que mesmo depois de ter sido moda durante um ano, acabaram muitas por fechar. Agora, não, as coisas já estão equilibradas, com público fiel e constante e o negócio a prosperar.
A frequência também é uma das preocupações. Na do Adamastor houve uma altura em que a esplanada esteve quase a ser tomada pelos junkies do charrinho e da cerveja, mas o Raúl, o senhor que explora o espaço, é muito hábil a lidar com todos e aquilo lá se resolveu. Resultado, é uma esplanada muito agradável, onde convivem junkies (sem charrar), com jovens adolescentes estudantes, executivos dos escritórios do Chiado e pessoal sem estigma que apenas quer passar um bom bocado.
Na Alta, seja o que for que for feito, levará sempre algum tempo a ganhar forma, a crescer, a adaptar-se à população e a vê-la adaptar-se a si. O caso de sucesso mais rápido que conheço é a Quinta das Conchas, que se tivesse mais uma esplanada não teria menos sucesso. O problema é o resto do bairro, encontrar espaços e ocasiões para as coisas florirem.
Estás cheio de razão Tiago, eu sei que não basta arranjar um local e já está!
Como dizes, é preciso muita coisa para construir uma esplanada agradável, integradora e potenciadora do sentimento de pertença ao bairro: o local, o investidor, a magia que fidelize as pessoas, se calhar a habilidade de um Sr. Raúl e… …
Não sei como isso se faz, mas gostaria muito de aproveitar o bom tempo para viver mais a Alta fora de casa. E adoro esplanadas!
No Parque Oeste faz muita falta uma. Ou no topo, naquele enorme areal junto às palmeiras, ou lá para baixo, onde já está prevista uma, segundo sei.
Sem dúvida. O Parque Oeste não pode ser apenas um local de passeio. Tem que ser um local para estar. É obrigatório que lá exista pelo menos uma infraestrura desse tipo.