Esplanada do Adamastor
19 March, 2009 by Tiago Figueiredo

Esta é uma das minhas esplanadas preferidas. Quando começa a chegar a Primavera, nestes dias de Sol, dar um saltinho aqui depois do almoço ajuda-me a compensar as noites mal dormidas, os dias mais stressantes, o cansaço acumulado de semanas de trabalho. Meia-hora a apanhar sol, a beber uma água das pedras e a ver este Tejo lindo, lento e majestoso em direcção ao mar, devolve-me a serenidade e o prazer de respirar.

Esta esplanada é um privilégio que a Alta não tem. É sossegada, apesar do junkies que adoram o jardim da Sta. Catarina, porque vive num bairro quase sem carros, porque tem o verde do jardim, porque tem a companhia constante do Adamastor já reformado de afundar barcos, e, sobretudo, porque tem o Tejo… O Tejo e os cacilheiros. E as pessoas vêm para aqui quase todas por isso, para recarregar baterias, sentir-se vivas, pedir uma imperial, uma tosta mista, conversar com um amigo, ler um livro, ou apenas apanhar sol e ver o rio. E saiem daqui sempre 10 anos mais jovens.
Pois, a Alta não tem espaços assim. Não tem as centenas de anos das sete colinas, não tem hábitos criados, não tem tanta oferta de lazer nem pessoas durante o dia para a aproveitar. Estas coisas, estes hábitos, estes espaços, levam anos a nascer, crescer, a tornar-se sólidos, fiés e fiáveis como este Adamastor que deixou de atormentar marinheiros e já não faz mal a uma mosca.

Deixar a Alta tornar-se uma cidade-dormitório seria uma pena. Esperar cem anos para ver o que dá? É uma triste meta. É necessário investir já em lotes de escritórios, oportunidades de emprego que fixem população durante o dia que propicie e justifique o comércio e serviços.
O potencial existe. Mesmo sem Tejo, a Alta tem tanto para dar, tanto para aproveitar que é uma pena tê-la visto ser esquecida nos últimos anos. Mas quem decide tem de arriscar, de apostar mais alto e pensar na cidade não só para dormir mas para Viver.



O Tejo.. o Tejo e os cacilheiros… uma magia difícil de igualar…
A Alta não tem o Tejo, não tem uma história para contar. Mas tem a frescura de um início, a potencialidade de "uma folha em branco", uma história para escrever.
Luísa, a Alta de Lisboa tem uma história escrita, não por nós, e foi construída por cima dessa história. Façamos o juizo que quisermos desse passado, das ruas, casas e pessoas, há lugares que ocupam agora apenas a memória de velhos e jovens que ainda cá vivem. E essa memória dificulta o olhar para o presente com a mesma frescura que temos ao olhar para um caderno em branco, pronto a desenhar.
É esse sentimento de pertença que tanto falamos que é imperativo conseguir criar, em todos. Um sentimento de pertença para o futuro, mas também para o passado. Para todos.
Tiago, tens razão, evidentemente. Falei por mim, que vivo cá ainda não há 3 meses. Para mim viver aqui representa um início. Um início sobre um espaço que tem um passado que não pode ser apagado. Não estou a fazer de juízos de valor sobre esse passado.
Para as pessoas que cá já cá viviam e continuam a viver não será assum; terão uma memória do lugar que pode dificultar o olhar para o futuro.
Mas, como tu próprio disseste, a cidade (TODA a cidade, não só a Alta) é um organismo, que evolui e se transforma, de uma maneira ou outra, para o melhor ou para o pior.
Cabe a todos – os que já cá moravam e os que vieram para cá morar – facilitar a criação de uma Alta para o futuro. Para todos.
Claro, para mim também foi um início e encarei-o assim. Mas quando se começa a conhecer o passado e as pessoas que o lembram, percebe-se que é complicado construir o futuro sem pensar nelas.
Bem, mas o que interessa é que esplanadas todos gostam e há poucas na Alta.
Lindo local sem dúvida, como tantos outros em que Lisboa é pródiga. Pena é que não exista nada de semelhante na "nossa" Alta.
Espera…
Talvez quando acabarem o Eixo-Central?? (lá para 2015)
Naaaaaa…
É mto liinda essa rua qnd ta na primavera…Eu morro nessa rua é Liinda de + de ♥
E ontem a noite ouvi o rock in rio por 0 euros.
Na minha casa!!!!!!!!!!!
Uma maravilha.